Oi Jean-Yves, Desculpe, mas acho que nessa você está errado.
Até todas as fotografias de tamanho N x M com K número de cores por ponto estão todas catalogadas num determinado conjunto finito e muito bem caracterizado, cada uma podendo ser identificada por um número. Todas as que já foram tiradas, todas as que estão sendo tiradas, todas as que jamais serão tiradas com essas dimensões... Não há criatividade na fotografia. Só há a sorte de "encontrar" uma fotografia boa, num conjunto tão grande... Tudo que puder ser formalizado tem sua formalização existente como elemento de um determinado conjunto que, por ser matemático, não empírico, não depende de ser vivenciado, nem imaginado, para existir no mundo formal, e que esgota todas as possibilidades de variações desses elementos. Desse enquadramento, dessa limitação, não há como escapar. Pode-se dizer que só a estrutura sintática está lá, que a semântica e pragmática não vão caber lá, etc., etc. Mas todos os livros e artigos que você já escreveu, e todos os que você irá escrever algum dia na vida (assim como os textos que eu escrevi e vou escrever também, e os que o Wagner escreveu e vai escrever), estão todos juntos perfeitamente representados num determinado conjunto, cujos elementos podem ser determinados com toda precisão, a partir das características sintáticas desses textos. Aliás, por isso acho que a idéia de "direito autoral" não se aplica a objetos formais. Porque não há autoria no mundo formal, só descoberta, encontro casual de um objeto interessante. No máximo, se aplica aquele direito (royalties?) que as pessoas ganham quando descobrem algum objeto natural de valor (depósito de minério, etc.). Tudo isso pode ser doloroso, ou frustrante, ou desapontador, mas não tem como escapar disso. Abraços, Rocha > Rocha > > O que voce esta falando é obviamente "plano". > Ve o famoso livro "flatland". > > Obviamente por exemplo tudo livro, > nao é uma combinacao de letras do alfabeto. > > Por exemplo nao é o caso da Begriffsschrifft do Frege, nem do teoremo do > Gödel. > > Nao é possivel achar alguns entitades de base e dizer que tudo é uma > combinacao delas. > > Antigamente as pessoas pessoas achavam que o universo era combinacao de > quatros elementos; agua, terra, fogo e ar, hoje acham que tudo é > combinacao de zero e um ... > Impressionante a evolucao do pensamento! > Talvez daqui pouco vamos dizer que tudo é uma combinacao de zeros e > estaremos satisfeitos com essa totalidade de nulidades. > > A ideia da biblioteca de babel (é de outra coisas similar) pode > impressionar mas de fato é uma ideia grosseira. > > Com o Kripke falou a respeita de outra coisa: > > It is really a nice theory. The only defect I think it has is probably > common to all philosophical theories. It's wrong. > > *********************************************************************** > rocha em atlas.ucpel.tche.br: > > Considere um determinado tamanho T de programa (medido em número de > caracteres, por exemplo). Se há C caracteres na linguagem usada para > escrever o programa, então há "apenas" C^T (C elevado a T) programas > possíveis com esse tamanho. > > E todos eles estão nesse conjunto. Ao "escrever" um programa com esse > tamanho, você está apenas "selecionando" esse programa do conjunto > eterno de todos os programas de tamanho T possíveis de se escrever com C > caracteres em cada posição. > > Mas o interessante é que o mesmo vale para qualquer outro texto escrito. > Poesia, por exemplo. Não há mais do que C^T poemas escritos com T > caracteres de um alfabeto com C letras. > > Eles podem ser TODOS sistematicamente listados por um algoritmo muito > simples (talvez junto com um monte de lixo incompreensível e > sintaticamente errado, para simplificar o algoritmo). > > Então, não importa a individualidade do poeta, não importa sua > criatividade, suas idéias estéticas, não importa nada. Ao ele te > entregar o poema, depois de noites de elaboração, podes dizer: > > - Ah, sei. É o poema de número N na minha lista de poemas de tamanho T > feito com C caracteres. E viste como é legal o poema N+17? > > E o que vale para programas e poemas, vale também para qualquer texto > (literário, histórico, filosófico, etc...). > > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > ------------------------------------- Antônio Carlos da Rocha Costa Centro Politécnico Universidade Católica de Pelotas, RS, Brasil. _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
