Caros colegas: Já que meu modo de escrever foi questionado nesta lista, esclareço a todos que não gosto da tendência de unificar a segunda e terceira pessoas do singular e do plural em uma só pessoa, como tem ocorrido na conjugação de verbos no português. Por isso, na segunda pessoa do singular, e no português escrito, costumo usar a segunda pessoa do singular, tratando o meu interlocutor, explicita ou implicitamente, por tu, a não ser que o meu interlocutor seja alguém como o Prof. Newton da Costa ou o Prof. José Laércio, pelos quais sinto tanto respeito que não consigo tratá-los como "tu", mesmo que queiram, daí trato-os por "senhor", explicita ou implicitamente, e daí o verbo correspondente conjuga-se na terceira pessoa. Quanto à segunda e terceira pessoas do plural, tenho estado indeciso, por isto às vezes trato os meus interlocutores por "vós", explicita ou implicitamente, ou às vezes por "vocês". Mas, como a conjugação verbal aí parece-me bem formal ou cerimoniosa, às vezes uso "vocês" com o verbo correspondente na terceira pessoa do plural. O que não aprecio mesmo é esta confusão entre a segunda e terceira pessoa que tem sido a corrente dominante no português moderno. No português falado quase sempre uso "você" ou "vocês", a não ser que eu esteja prestando muita atenção no que falo. Não quero ser inacessível ou pouco fluente, mas acho que deveríamos nos pautar pelo cuidado com a linguagem e as palavras na fala e na escrita, em prol da qualidade na comunicação, e também porque também cada palavra e cada frase conduz um tipo de energia em cada proclamação. Se não usamos bem as palavras, as mesmas estão sujeitas a se voltarem contra nós. Existe gente que passa uma boa parte do seu tempo estraçalhando a linguagem escrita e falada, e até ofendendo os demais implícita ou explicitamente, sem saber que as palavras podem atuar como bumerangues, voltando com a mesma energia e potência, só que na direção inversa, àquele que as proclamou.
a) Arthur Buchsbaum -----Mensagem original----- De: [email protected] [mailto:[email protected]] Em nome de Eduardo Ochs Enviada em: sexta-feira, 25 de setembro de 2009 20:01 Para: Evandro L. Gomes Cc: [email protected] Assunto: Re: [Logica-l] Termos lógicos inexistentes em língua portuguesa 2009/9/25 Evandro L. Gomes <[email protected]>: > O termo `instância', por exemplo, também não existe em nossa língua > com o sentido que o utilizamos em lógica. A "nossa língua" não é exatamente a dos dicionários... Cada versão nova de um dicionário inclui novos neologismos, e os neologismos surgem de algum modo - digamos, pra simplificar, que os neologismos surgem "por necessidade" ("prática", porque não havia uma palavra adequada em Português pra expressar uma idéia, ou "estética", porque a palavra "correta" não não soava mais direito, o que for...) Adivinhe quem são as pessoas que têm necessidade de criar neologismos para expressar termos lógicos... Minha sugestão: cuide _muito_ do conteúdo do que você tem a dizer e cuide _um pouquinho_ de detalhes linguísticos... aí um dia, daqui a anos, os caras que fazem os dicionários vão chamar alguns de nós e alguns linguistas pra decidirem como "estandardizar" (<- essa eu pus de propósito 8-)) a língua que nós estamos usando, e aí nós e os linguistas vamos pegar uma pilha grande de textos de lógica e separá-los em várias sub-pilhas: uma de textos claros e fluentes - que "devem" estar escritos no que vai ser decretado como sendo Português correto - outra de textos cujas idéias são claras, mas cujo Português soa mal, então nós vamos tentar descobrir o que é que está errado no Português deles - outra de textos que tentam TANTO ter um Português correto que acabam soando só bizarros & content-free, etc, etc... Outra coisa... essa é um assunto delicado, mas eu não tenho como não falar. Porque é que a gente acaba discutindo tanto o que é "correto" ou "incorreto" e tão pouco como tornar um texto mais fluente? Só porque é mais fácil perguntar o que é correto ou incorreto, porque a pergunta é curta e a resposta é quase binária? Porque é que os livros do Walter Carnielli soam tão mais fluentes do que os textos do Arthur Buchsbaum? Será que por alguma questão regional - por eu ter nascido no Rio de Janeiro, talvez? - os usos de segunda pessoa do Arthur me soam estranhos? Será que pra muita gente da lista além de mim isso também acontece? Será que em ambos os casos - Walter e Arthur - há um escolha deliberada de tom? Eu lembro que o André Porto, que se não me engano é do Rio Grande do Sul (será que ele está na lista?) fala muito "tu" quando a gente conversa com ele... André, se você estiver me lendo você poderia falar alguma coisa sobre como você lida com esses "tu"s quando você escreve? [[]]s, Eduardo Ochs [email protected] http://angg.twu.net/ _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
