Olá, Carolina e lista, bem, como eu disse, eu não estava questionando a validade da Fuzzy, mas apenas dizendo que ela, no fundo, a meu ver, não rejeita o Princípio da Bivalência e nem chega perto de fazê-lo, pelo contrário, o utiliza como parte essencial de seu procedimento. Por exemplo, em linguagens de programação há algo que chamam de "Estrutura de Controle", isto é, certas operações básicas re-arranjadas num nível superior para a facilidade de programação:
A grosso modo, uma instrução "If A :x, Else :y " faz apenas um único controle bivalente bem simples: se A for verdadeiro, execute x, se for falso, execute y. No entanto, temos as chamadas "Estruturas de Controle" que podem reorganizar a instrução "if" num nível superior e simular uma polivalência. Por exemplo, a Estrutura Switch: "Switch A 0:x, 1:y, 2:w, 3:r", isso é, caso A for 0 execute x, caso for 1 execute y, caso for 2 execute w... Porém, é fácil ver que a instrução "Switch" - polivalente - na verdade, encapsula várias instruções "If" - bivalente - (If A=0 :x Else If A=1 :y Else If A=2 :w...) - posso inclusive fazer um loop num Switch infinito! - Ou seja, a meu ver, a Lógica Fuzzy é como uma espécie de "Estrutura de Controle" que pode sim facilitar muito a praticidade, pois ela resume procedimentos que talvez seriam complexos demais em alguns casos. No entanto, longe de ser algo contra o princípio da Bivalência, a meu ver, a Fuzzy parece mostrar o imenso poder de tal princípio. abraços, Júlio ________________________________ De: Carolina Blasio <[email protected]> Para: [email protected]; [email protected] Enviadas: Sábado, 14 de Agosto de 2010 16:15:03 Assunto: [Logica-l] Fuzzy Olá Júlio e lista, Tudo bem? Demorei um pouco demais. Mas acho que isso vale um outro assunto. Lá vai a minha tréplica da resposta anterior. Ficaria grata se alguém que entende de Fuzzy ajudasse. :-) Júlio respondeu: Se eu precisar de tantos níveis de verdade quanto forem as diferenças cromáticas, a complexidade não diminui em nada, sendo assim, por que não estabelecer, para cada diferença, um predicado diferente? Sem falar que, para um computador, trabalhar complexidades não é difícil. E mesmo que eu admitir os infindáveis níveis de verdade, acredito que a questão da bivalência ainda se coloca, pois, ainda que eu esteja tratando do enunciado do valor de uma fórmula (e é justamente esse o problema), eu só consigo tratar desse enunciado de maneira bivalente (a meta-linguagem que apresenta a linguagem-objeto Fuzzy, acredito, ainda é bivalente). De fato a complexidade não muda, o que muda é que a favor da simplicidade da linguagem (e maior velocidade de respostas), se complexifica a noção de verdade. A meta-linguagem da Fuzzy pode ser probalística. Acho que isso não invalida sua leitura, entretando, fica minha dúvida, se uma maçã é 0.77 vermelha, porque eu não seria verdade dizer que ela também é 0.50, ou 0.30, ou 0.01 vermelha? (-- mas não 0.50, 0.70, ou 0.99 não vermelha, informação essa que ficaria "difusa".) Me parece que o problema aqui não é semantico, mas pragmático. Esta lógica funciona de acordo com o seu objetivo, e nem sempre duas possibilidades de resposta são suficientes. Por exemplo, uma camera para captar nossa maçã. Será preciso um certo número de sensores para quantidade de luz, foco, movimento, tremor, mas estes são limitados de acordo com as leis do mercado: menor custo, maior beneficio. A limitação não está na capacidade do computador, mas no custo disso. A resposta que queremos será o movimento de ajuste da lente, que não pode ser total ou nenhum, verdadeiro ou falso. Bom, suas dúvidas, minhas dúvidas Abraços, Carol
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