Prezados colegas de lista, Quanto ao estatuto epistemológico da psicanálise acho que não há qualquer dúvida de ela ser um caso típico de pseudociência. Quando Popper afirmava que a teoria de Freud explica tudo, ou seja, era a tal ponto flexível que não podia ser contraditada, ele não estava errado. Quando apontaram os casos de "neurose de guerra" como uma refutação do complexo de Édipo, Freud explicou, por meio de emendas na sua teoria original, que os soldados com neurose de guerra eram narcisistas. Concordando com Popper, Horgan afirma: "Freud tinha uma habilidade assombrosa para elaborar teorias que não podem ser confirmadas nem refutadas decisivamente por meio empíricos." Essa crítica é importante, porém, muitas outras foram propostas contra a psicanálise. Vejam as críticas de Frederick Crews. Olhem o que Francis Crick escreveu sobre Freud: "Pelos padrões modernos, Freud não pode ser considerado um cientista, e sim um médico que teve muitas ideias inusitadas e que escreveu com rara habilidade e poder de persuasão." Popper considerava a psicologia uma ciência. Eu discordo dele. Passei a ter essa visão lendo o livro de Leonard Mlodinow, agradeço a indicação do livro à Carnielli (Pensamento Crítico). Mlodinow relata o experimento proposto pelo psicólogo David L. Rosenhan. Nesse experimento, oito "pseudopacientes" marcaram consultas em diversos hospitais e então se apresentaram ao setor de internações, queixando-se de que ouviam vozes estranhas. Confiantes no funcionamento do sistema de saúde mental, alguns dos participantes temeram que sua evidente sanidade fosse imediatamente detectada, o que lhes causaria grande embaraço. Todos, exceto um, foram internados com diagnóstico de esquisofrenia. O outro foi internado com diagnóstico de psicose maníaco-depressiva. Não é só isso. Depois de internados, todos pararam de simular os sintomas anormais e disseram que as vozes haviam desaparecido. Esperaram, seguindo instruções de Rosenhan, que descobrissem que não era loucos. A equipe hospitalar interpretou o comportamento dos pseudopacientes sob o prisma da insanidade. Todos os atos dos pseudopacientes, como escrever em diário, reclamar de maus tratos, etc, como sintomas da doença. A teoria sempre se confirma, ou o diagnóstico será sempre confirmado. Por essa razão eu nem passo em frete ao pinéu. Eu não sou louco! Howard Gardner corretamente apontou que a psicologia era outra área que carecia das virtudes epistêmicas próprias da ciência. John Searle observou que aqueles campos que fazem muita questão se proclamarem científicos, na verdade, são pseudociência.
Julio Fontana _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
