Oi, João, Valéria e lista,
Perdoem-me por não me lembrar a fonte, mas posso jurar que já li, num livro de Lógica, que uma prova é uma demonstração com zero premissas. Na verdade, o livro era em inglês, e se referia a "proofs" e "demonstrations". Posso tentar procurar a fonte, mas se alguém já tiver esbarrado nesta distinção, pode lembrar melhor do que eu. Se houver uma distinção técnica entre "proof" e "demonstration" em inglês, então precisaríamos de termos distintos em português tbém. Concordo com a Valéria que "prova" é usado por lógicos lusófonos na vida real. E concordo com o João Marcos quanto ao problema com "proof", "provable" e "provability". Por uma coincidência infeliz, "provável" em português já está ocupado como tradução de "probable". (Bacana mesmo é alemão, onde "provable" é "beweisbar", e "probable" é "wahrscheinlich".) E "teorético" é mesmo um anglicismo injustificável. Sugestão de solução simples, partindo da premissa de que não dá para proibir termos consagrados pelo uso: usar "prova" e "demonstração" como sinônimos em português, explicitando, se necessário, a ausência ou presença de premissas. Idem com "provabilidade" e "demonstrabilidade". E, como adjetivo, usar só "demonstrável". Um abraço, Fernando Náufel, D.Sc. [email protected] http://fnaufel.wordpress.com http://www.uff.br/llarc Professor Adjunto (~Professor Doctor see http://en.wikipedia.org/wiki/Professor#Brazil_and_Portugal) LLaRC - Laboratório de Lógica e Representação do Conhecimento RFM - Depto. de Física e Matemática PURO - Pólo Universitário de Rio das Ostras UFF - Universidade Federal Fluminense Brazil -- 2011/11/5 Valeria de Paiva <[email protected]>: > Joao MArcos, > vou me atrever (com trepidacao, 'e claro) a discordar de voce em > genero, numero e grau. > > todo mundo que eu conheco desde 190- e-esqueci sempre falou de provas > em matematica, "a minha prova do teorema 'e mais bonita do que a sua", > "a prova do Halmos 'e mais simples do que a de fulano", etc.. > > eu nao sei porque tenho ou teria que usar "demonstracao" pra essas > construcoes e nao sei porque teria que falar de "teoria das > demonstracoes", em vez de "teoria da prova" quando estiver usando a > versao coletiva do nome. na verdade, eu uso as duas formas, quando > escrevendo em portugues, mas pro titulo da area de logica matematica > prefiro mesmo "Teoria da Prova". > > abracos demonstrativos, > Valeria > > 2011/11/5 Joao Marcos <[email protected]>: >> De uma mensagem recente enviada à lista: >> >>> Na estrutura gramatical superficial, cientistas e juristas podem usar as >>> mesmas palavras quando estão designando conceitos *muito* diferentes. >> [...] >>> Há discussões muito finas do significado bastante delicado de >>> "prova" em matemática e lógica. >> >> "Provas" em matemática ou lógica são quando muito um nome que damos >> àqueles "testes" / "exames" / "avaliações" aos quais submetemos os >> nossos alunos... Um exemplo é a promessa: "esta semana vocês farão >> uma prova surpresa!" >> >> Em matemática ou lógica o termo "proof" NÃO se traduz como "prova" a >> menos que estejamos dispostos a cometer um idiotismo (no sentido >> linguístico do termo) insustentável. O que apresentamos para >> _justificar_ os nossos teoremas / conjecturas ou inferências em >> matemática ou lógica (com alguma sorte e competência) são >> **demonstrações** (e até o babel "portuges" do LaTeX sabe disso --- >> experimente compilar um \begin{proof}). >> >> Nas línguas latinas "demonstratio" se traduz como "démonstration" >> (fr), "demostración" (es), "dimostrazione" (it), "demonstraţie" (ro), >> "demostració" (ca), et coetera. Da mesma forma, em português a _boa_ >> tradução para este termo é o vocábulo "demonstração". >> >> É natural, assim, que "Proof Theory" se traduza de maneira castiça >> como "Théorie de la Démonstration", "Teoría de la Demostración", >> "Teoria della Dimostrazione", e assim por diante (com o "theoria" >> herdado do grego). De maneira semelhante, imbuídos por uma >> preocupação mínima em não cometer graves atentados contra a nossa >> língua, deveríamos traduzir "Proof Theory" como "Teoria da >> Demonstração" ou, melhor ainda, como "Teoria das Demonstrações" (em >> analogia a "Set Theory" = "Teoria dos Conjuntos", "Model Theory" = >> "Teoria dos Modelos"). >> >> Cometem um desserviço ao português e de certa forma até mesmo uma >> leviandade no que diz respeito ao estabelecimento de uma terminologia >> científica coerente no campo da lusofonia, sob o ponto de vista aqui >> ilustrado, os "proof-theorists" que falam em "provas" e "Teoria da >> Prova" --- teoria esta cujo objeto principal de estudo é a noção >> formal de "derivação". :-) >> >> A coisa fica ainda mais esquisita, vale insistir, quando a turma das >> "provas" se empenha a tratar e estudar a própria noção / predicado de >> "provabilidade" --- neologismo que representaria, é de se supor, uma >> propriedade de proposições "prováveis" (?). É de desorientar qualquer >> um... Tudo ficaria mais simples e reto, claro, se a terminologia >> adequada envolvendo a "demonstrabilidade" de proposições >> "demonstráveis" fosse uniformemente empregada! >> >> Ou pelos menos é essa a minha opinião --- que me parece apropriada até >> prova em contrário. :-D >> Joao Marcos >> >> >> PS: A propósito, o emprego do peculiar termo "teorético" parece >> completamente _desnecessário_, em português, quando temos disponível o >> termo "teórico" para o mesmo fim. >> >> -- >> http://sequiturquodlibet.googlepages.com/ >> _______________________________________________ >> Logica-l mailing list >> [email protected] >> http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l >> > > > > -- > Valeria de Paiva > http://www.cs.bham.ac.uk/~vdp/ > http://valeriadepaiva.org/www/ > _______________________________________________ > Logica-l mailing list > [email protected] > http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l > _______________________________________________ Logica-l mailing list [email protected] http://www.dimap.ufrn.br/cgi-bin/mailman/listinfo/logica-l
