Não, ao contrário, o Jacques Cousteau fazia documentários muito sérios e
muito a propósito para o campo de estudo dele, o das ciências
oceanográficas (biologia, arqueologia marinhas, etc.). O trabalho dele
embora no campo do cinema científico tem também o valor de registro nas
ciências empíricas e aproxima-se do que as agências espaciais dos EUA e da
URSS fizeram quando fotografaram corpos celestes. Quando Cousteau começou a
produzir seus documentários, a vida submarina era tão pouco documentada e
fotografada que uma foto de peixes na zona abissal equivalia às fotos do
lado escuro da Lua tiradas pela sonda soviética Luna 3 em 1959, cerca de
uma década antes de Armstrong por os pés lá. Lembrando que o primeiro
trabalho de cinema científico de Cousteau é de 1946 e já não tinha nenhum
caráter de sci fi, mas sim de genuína documentação. É fácil discernir as
coisas.

Em 15 de maio de 2013 23:21, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:

> * * *
>
> Esta merece até uma epígrafe:
>
> "Inzisti una tradiçó morale braziliana chi é priciso adisgobri. Vamos
> apricurá."
> -- Juó Bananère
>
> * * *
>
> Daqui a pouco vocês vão falar mal também do Jacques Cousteau. :-)
> (pois ele não andou fazendo uma pilantragem qualquer durante a 2a
> Guerra Mundial?)
>
> Sem dúvida, no Brasil fizeram coisas bem melhores.
>
> E tenho dito.
> JM
>
>
> 2013/5/15 Tony Marmo <[email protected]>:
> > Mas, é óbvio que eu conferi, João Marcos. Eu vi o seriado e o livro,
> posso
> > criticar sim. O seriado Cosmo tem centenas de fans, como já era o caso
> nessa
> > época que as pessoas buscavam o livro, punham para gravar, e achavam o
> > máximo. Só que outros matemáticos e professores de ciência aqui mesmo no
> > Brasil fizeram coisas bem melhores. Aliás, você pode conferir, como eu
> > conferi, outra obra que é mais sci fi do que divulgação do mesmo autor:
> > "Dragões do Éden". Como o Sidney Sheldon e a Agatha Christie, depois de
> um
> > livro você já leu todos, ainda que o assunto mude. É que o Sagan tem
> classe
> > e não precisa dizer que é um "astronomeiro" para conseguir muito barulho
> por
> > nada.
> >
> > Em 15 de maio de 2013 22:35, Joao Marcos <[email protected]> escreveu:
> >
> >> E no entanto foi com o Cosmos que aprendi, na tenra adolescência,
> >> sobre a irracionalidade da raiz de 2 (e sobre hipercubos, sobre o
> >> espaço-tempo e a teoria da relatividade, sobre a Biblioteca de
> >> Alexandria... e até mesmo sobre computadores, quando por aqui
> >> praticamente ninguém ainda tinha um em casa).  Está tudo no livro, se
> >> você quiser conferir.
> >>
> >> Cada povo tem a BBC que merece. :-)
> >>
> >> JM
> >>
> >>
> >> 2013/5/15 Tony Marmo <[email protected]>:
> >> > Caro Walter,
> >> >
> >> > Você está correto ao diagnosticar o caso como algo que contribui mais
> >> > para
> >> > a ignorância das pessoas. Sem dúvida. Mas, não sei se o sujeito estava
> >> > de
> >> > brincadeira ou falando a sério. Por outro lado, você já viu o velho
> >> > documentário Cosmos de Carl Sagan? O Carl Sagan conhecia muito bem os
> >> > assuntos que abordou e, no entanto, se espremer o que se diz lá não
> sai
> >> > nada: é uma miscelânia só que mistura o canto das baleias com a
> história
> >> > do
> >> > traçado urbano de Nova Iorque, um dente de leão que vira uma
> super-navel
> >> > espacial que se move além da velocidade da luz e dos limites do tempo,
> >> > etc.
> >> > Cada povo faz sua sci fi com os recursos que tem.
>
> --
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