Não sei o que vocês entendem por prova:
1) Uma dedução formal?
2) Uma fundamentação da verdade de um enunciado?
3) ??

Quando Gauss fez medir os ângulos do triângulo formado por 3 picos, para
ver qual geometria era a verdadeira, tinha, naturalmente, um monte de
pressupostos físicos, de aplicação, etc. Por exemplo, que a figura formada
pelos 3 picos é um triângulo, que os raios de luz têm trajetória reta, que
os instrumentos óticos funcionam corretamente, etc. Mas se isso é
considerado uma prova, então qualquer aplicação de qualquer teoria
matemática que tiver sucesso, também seria uma prova. Teríamos "provas"
(nesse sentido) de enunciados contraditórios.

Se é dada uma prova formal de que num grupo o inverso é único: o que
significaria uma prova empírica desse teorema?

O problema da exatidão é um outro problema aparte. Por exemplo: como
podemos provar empiricamente que a relação entre o perímetro da
circunferência e o diâmetro é pi, sendo pi um irracional transcendente?
(Usando alguma definição analítica de pi e não que ele é essa relação.)
Mais divertido é o programa, bastante simples, que calcula aproximações de
pi usando função ramdômica e método Monte Carlo.

Carlos


2013/8/23 Famadoria <[email protected]>

> Tem provas empíricas: p e do teorema da curva de Jordan.
>
> Sent from my iPhone
>
> On 23/08/2013, at 10:26, Ricardo Pereira <[email protected]> wrote:
>
> > Oi, Marcelo e ALL!
> >
> > Sobre provas empíricas em matemática, apesar de estranho, me parece
> > uma analogia apropriada se considerarmos as "provas"
> > estatísticas/probabilísticas com que alguns trabalham atualmente.
> > Imagino casos onde eu esteja tentando construir uma prova sobre alguma
> > característica que teriam certos números, mas paralelamente fizesse um
> > computador sair testando na "força bruta" em busca de um
> > contra-exemplo que pouparia meu trabalho (mostrando-o impossível).
> > Estou falando baseado no que ouço de colegas que sabem mais matemática
> > que eu, então posso estar sendo infiel em relação ao que eles queriam
> > me dizer.
> >
> > Concordo com o Marcelo quanto a ser mais apropriado usar o termo
> > evidência, mas faço uma observação: dependendo das hipóteses
> > consideradas, uma evidência empírica pode, ao meu ver, ter força de
> > prova (como no caso negativo acima—imagino que o Marcelo esteja se
> > referindo aos casos negativos como probabilidade zero, mas talvez essa
> > minha observação ajude a alguém).
> >
> > Ex.:
> >
> > * O caso dos cisnes negros
> >
> > - Hipóteses iniciais
> >
> > H1: há somente cisnes brancos;
> > H2: há somente cisnes pretos;
> > H3: há cisnes de ambas as cores.
> >
> > A primeira observação de um cisne negro eliminaria definitivamente H1,
> > embora o acúmulo de cisnes pretos consecutivos seja capaz apenas de se
> > aproximar da certeza em relação a H2. Mesmo assim, após zilhões de
> > observações de cisnes pretos durante zilhões de anos em que
> > estivéssemos racionalmente justificados em agir considerando H2 como
> > verdadeira, a observação de um cisne branco eliminaria (com "força de
> > prova") H2 e estabeleceria definitivamente H3.
> >
> > Ou seja: a evidência afeta de maneira diferente qualitativa e
> > quantitativamente as hipóteses dependendo do que elas negam ou
> > afirmam.
> >
> > 2013/8/23 Marcelo Finger <[email protected]>:
> >> Olá.
> >>
> >> Medidas empíricas são evidências, não provas.
> >>
> >> "Evidência" aqui é entendido como um operador que transforma
> >> probabilidades a priori (a prioris) em probabilidades a posteriori (a
> >> posterioris).  Em tese, só um número infinito de evidências seria
> >> capaz de gerar algo com probabilidade 1, ou seja, certeza.  Em
> >> ciências, existe o conceito de "aceitável para a comunidade
> >> científca", resultante da acumulação de evidências, que é quando a
> >> probabilidade a posteriori se torna maior que um limite arbitrário.  E
> >> isso não é prova, é aceitação.
> >>
> >> []s
> >>
> >> Marcelo
> >>
> >>
> >> 2013/8/23 Jccac <[email protected]>:
> >>>
> >>>
> >>> Soa estranho uma prova empírica para matemática mas na sua opinião a
> possibilidade de tais estaria a priori eliminadas? Isso seria pq não
> importa o quanto a medida seja exaustiva, nunca seria possível medir
> empiricamente a precisão necessária para uma afirmação como Pitagoras, ou
> pq simplesmente cada medida - ainda que tenha a precisão necessária - é
> meramente particular e não atingiria assim nunca a generalidade dos
> teoremas? Ou outra coisa?
> >>>
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