A ênfase em números no Brasil pode ser grande demais, mas alguma ênfase é
necessária. Talvez pelo fato de a maioria dos nossos pesquisadores ser
servidor público, com estabilidade (só uma hipótese - não tenho prova
alguma).

Com relação à área de Filosofia/Lógica, já aconteceu um problema no
passado, não foi? E foi resolvido com "números" (mostrando a quantidade e
qualidade das publciações dos pesquisadores da sub-área de Lógica).

Acho que na Computação é bem diferente. Os pesquisadores 1A tem bons
"números" comparados aos sem bolsa.

Vale a pena ler este artigo:
http://www.ic.unicamp.br/~wainer/papers/scientometrics2013.pdf
Vejam em especial a p.14 e procurem o item philosophy.




2013/9/17 Vivek Nigam <[email protected]>

> Caro Enrique,
>
> Acho que o grande problema da cultura de pesquisa no Brasil é grande
> ênfase em números. A minha impressão depois de um pouco mais de um ano de
> volta ao Brasil é que os problemas que você cita vem do processo exagerado
> de avaliação de pesquisadores através de métodos objetivos mas ineficazes,
> e.g., Qualis. Os pesquisadores precisam publicar caso contrário não
> conseguem financiamento. A preocupação é tamanha com números que
> pesquisadores acabam não discutindo muito os problemas científicos que eles
> estão tratando (e suas soluções), mas ficam presos a comentários como:
>
> "Qual o Qualis desta revista/conferência?", "Eu consegui este ano XX
> publicações em Revistas A1.", "Ele é pesquisador PQ."...
>
> Esta impressão foi relatada também por especialistas em Ciência da
> Computação convidados pela Capes para avaliar os processos de como
> formentar e fazer pesquisa em Computação no Brasil. O relatório se encontra
> no link abaixo:
>
>
> http://www.capes.gov.br/images/stories/download/avaliacao/Relat%C3%B3rio_sem_acomp-2012_02_comp.pdf
>
> A minha opinião é que você não deve ficar impressionado com números nem
> deixá-los dominar a sua pesquisa. Apesar dos números Qualis, etc, serem
> importantes para conseguir financiamento, eles não devem guiar a nossa
> pesquisa. Boa pesquisa vai gerar bons artigos, que por sua vez vão te
> motivar a pesquisar novos problemas. Os números virão naturalmente.
>
> Abraços,
>
> Vivek
>
> 2013/9/16 Enrique Fynn <[email protected]>
>
>> Me graduei recentemente em ciencia da computação pela UFU
>> (universidade federal de uberlandia), acompanho a lista, nunca escrevo
>> pois não tenho nada a acrescentar. comecei o mestrado agora, também em
>> computação e quero sair, não aguento mais.
>>
>> Estou aqui por que o que me levou a fazer computação foi a lógica, no
>> ensino médio comecei a estudar com o livro do sr. César Mortari
>> (Introdução à lógica), aquilo abriu minha mente, aquilo era ciência,
>> fui adquirindo cada vez mais livros. Até que entrei na universidade.
>>
>> Quando entrei na universidade me preparei psicologicamente para
>> frequentar as bibliotecas, mergulhar no conhecimento, discutir a
>> lógica dos estóicos, lógicas informais, filosofia das lógicas, etc.
>>
>> Já no 2o período encontrei um professor que me orientou em um projeto
>> de pesquisa, logo implementei os algoritmos que me foram pedidos, uma
>> coisa tão especializada, que acredito que só eu, o orientador e três
>> ou quatro pessoas trabalhavam com isso, não me impediu de continuar,
>> eu fazia por que gostava (e por que não havia nada mais o que fazer
>> para ganhar os trocados da bolsa de IC).
>>
>> Agora percebo o quão errada as coisas que fiz foram, deixei, diante
>> dos meus olhos acontecer isto:
>> a) Esconder resultados para publicar em outros lugares.
>> b) Colocar nome no artigo de conjugue que não fez nada.
>> c) Publicar os mesmos resultados em diversas revistas diferentes,
>> mudando poucas palavras.
>>
>> Eu contribui para o retrocesso, para a corrupção de valores, o que eu
>> fiz está muito longe de ser ciência, é exatamente o contrário,
>> gostaria de voltar no tempo e fazer diferente. Mas agora eu vejo que
>> não só eu fiz isso, todos fazem isso (pelo menos na UFU/Faculdade de
>> Computação), todos professores que respeitava no início fazem isso.
>>
>> Eu nunca quis um título, tudo que eu queria era estudar o que eu
>> gostava de estudar e agora eu sinto que me violentaram, me estupraram
>> mentalmente, e tentam-me todo dia à corrupção, já cansei de ouvir "Faz
>> isso para conseguir logo seu título", isso é universidade?!
>> Quis sair do país, talvez o problema está aqui e lá fora se faça
>> ciência de verdade. Mas não, o que vejo é corrupção, em todos níveis.
>> Em todos os lugares.
>>
>> O modus operandi é:
>> Pegue um problema obscuro que ninguém sabe muito sobre e que não terá
>> nenhum impacto teórico ou aplicação:
>> a) Mude parâmetros heurísticos.
>> b) Teste em casos que você tem certeza que o problema vai se sair bem
>> c) Publique em n periódicos, mudando algumas frases
>>
>> Isso é ciência?
>>
>> Agora no mestrado... Comecei a pesquisa, logo me deu uma coceira na
>> garganta, uma sensação de déjà vu... Estava eu fazendo as mesmas
>> coisas do que na graduação? Sim. E vai ser assim no doutorado e quando
>> acabe o doutorado as minhas forças já vão ter se esgotado, vou abraçar
>> um tema. Ficar com ele até ficar velho e inoperante, mesmo que esse
>> tema seja ultrapassado, inútil e ridículo. Eu vou me odiar o resto da
>> vida. E este não é o caminho que eu quero seguir.
>>
>> O que fazer então? Eu não sei. Sinceramente, trabalhar em empresas é
>> frustrante, na universidade é frustrante... A vida me deixa sem
>> escolhas. =/
>>
>> Não posso acabar fazendo algo que eu lutei tanto para condenar,
>> abolir, e eu sou só um pequeno peixe na maré e no cardume de
>> corrupções, falta dinheiro para investir nos pequenos peixes, por que
>> o sistema todo fomenta a corrupção e as pessoas dispostas a
>> contribuírem são poucas e tem de muitas vezes mendigar aos grandes
>> tubarões que nada fazem e tudo comem.
>>
>> Peace;
>> Fynn.
>> --
>> "Even a stopped clock is right twice a day"
>>
>>
>> On 16 September 2013 20:49, Adolfo Neto <[email protected]>
>> wrote:
>> >
>> http://adonaisantanna.blogspot.com.br/2013/09/o-que-e-um-pesquisador-do-cnpq.html
>> >
>> > Adolfo Neto
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Adolfo Neto
Assistant Professor - Federal University of Technology, Paraná
Web: http://www.dainf.ct.utfpr.edu.br/~adolfo
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