> ... mathematicians, like all people, are extremely conservative.
> For example, they still write proofs essentially the same way they've been
> doing it for centuries.
> I believe I've demonstrated in
> "How to Write a Proof", American Mathematical Monthly, 102-7, 1995,
> pp.600-608
> that there's a better way.
> But they are just as reluctant to try it as they are to try anything new.


\section{0}
O artigo citado pelo Lamport é fantástico (sempre digo aos alunos de
Computação, baseado justamente no que aprendi com Lamport, que é tão
importante construir *demonstrações estruturadas* quanto ^programar de
forma estruturada^), mas o depoimento pré-internet dado por Lamport em
1993 já está muito ultrapassado.  (Aliás, a programação não
estruturada como um todo também certamente já morreu, da década de 90
para cá.)

Infelizmente aprendi a programar em BASIC quando criança (abusando de
"goto statements"!) e aprendi originalmente a escrever matemática
também de forma não-estruturada (nada parecido com escrever "à la
Fitch" nem muito menos usando árvores de derivação).  Felizmente,
trabalhar em Computação e em Lógica me ajudou a combater ambos estes
maus hábitos.  (Contudo, pode ser que os meus textos tenham ficado
mais cheios de parênteses pelo mesmo motivo, o que também é um mau
hábito!)


\section{1}
Desde 1995 os matemáticos têm experimentado **muitíssimo** com
variadas formas novas de escrever matemática.  Só para citar dois
experimentos recentes, liderados por Tim Gowers (medalhista Fields e
blogueiro de plantão), vale a pena conferir o projeto Polymath de
*produção matemática colaborativa*
  
http://gowers.wordpress.com/2009/01/27/is-massively-collaborative-mathematics-possible/
  http://en.wikipedia.org/wiki/Polymath_Project
e também vale a pena conferir seu experimento recente de *escrita
matemática mecanizada com output em linguagem natural*:
  http://arxiv.org/abs/1309.4501
  
http://gowers.wordpress.com/2013/03/25/an-experiment-concerning-mathematical-writing/
  
http://gowers.wordpress.com/2013/04/02/a-second-experiment-concerning-mathematical-writing/
  
http://gowers.wordpress.com/2013/04/14/answers-results-of-polls-and-a-brief-description-of-the-program/

Tem muita coisa acontecendo por aí!


\section{2}
O LaTeX é só um exemplo de linguagem para typesetting ("formatação de
texto", traduz a Wikipédia?) baseado na estruturação semântica do
conteúdo (como na Web) bem como na confiabilidade da matemática para o
"cálculo da beleza" (justamente para pararmos de continuar "worrying
too much about formatting and not enough about content", como fazem os
usuários dos editores de texto concorrentes).

Seguindo ao pé da letra a proposta do Lamport, a propósito, um
terceiro experimento recente do Gowers diz respeito à construção de um
wiki matemático para escrever "proof attempts" e ilustrar a
"proof-discovery tree" da Matemática, *de forma estruturada*, já desde
o momento inicial de sua investigação:
  http://gowers.wordpress.com/2013/10/24/what-i-did-in-my-summer-holidays/
  https://plus.google.com/+TimothyGowers0/posts/KmA2At49uso
  http://gowers.tiddlyspace.com/


\section{\ldots}
Muito mais radical, por outro lado, é o novo modelo de publicação
matemática que, mais uma vez, Tim Gowers (e Michael Nielsen)
propuseram em algum detalhe em 2011 (bem antes do boicote à Elsevier,
de 2012):
  
http://gowers.wordpress.com/2011/10/31/how-might-we-get-to-a-new-model-of-mathematical-publishing/
  http://michaelnielsen.org/blog/open-access-a-short-summary/
  http://gowers.wordpress.com/2011/11/03/a-more-modest-proposal/
ESTE modelo ninguém ainda teve coragem de tentar implementar...  Mas
pode ser que venham por aí ao menos os "epijournals" anunciados em
2013:
  http://gowers.wordpress.com/2013/01/16/why-ive-also-joined-the-good-guys/

Que pena que ainda nem todos os journals são open access!



\goodbye{JM}



\PS{000}
O livro "Mathematical Writing", de Knuth et al., continuará sendo
leitura útil e extremamente interessante por muito mais de 100 anos.
Há no mundo gente demais escrevendo sem saber escrever, e sem dar a
mínima para isso.  O resultado?  Literatura sofrível, papers chatos e
mal-ajambrados.

\PS{001}
No que diz respeito à *programação estruturada*, o próprio Knuth
propôs algo qualitativamente muito superior no sistema WEB/CWEB que
ele usa até hoje para fazer "literate programming" (introduzido em
1992, ver http://en.wikipedia.org/wiki/Literate_programming).
Infelizmente, os programadores, como todas as pessoas, são
extremamente conservadores, e não vieram a adotar amplamente a
tecnologia...

\PS{010}
Aqui o depoimento do próprio Knuth sobre a criação do LaTeX
  http://www.webofstories.com/play/donald.knuth/50
  http://www.webofstories.com/play/donald.knuth/51

\PS{011}
Obviamente, ninguém se lembra mais do antigo Scribe (ou do QWrite, ou
[coloque aqui o nome do seu processador de texto favorito na década de
80]).  Mas há quem diga que o emacs ainda estará vivo dentro de cem
anos!  ]:-b

\PS{100}
Esta é para divertir:
  "Word Processors Becoming Dinosaurs In The Office"
  March 29, 1987
  by Lamont Wood
http://articles.chicagotribune.com/1987-03-29/business/8701240548_1_ibm-pc-processors-word-processing-software

\PS{101}
http://en.wikipedia.org/wiki/Room_101

\PS{110}
\textbf{Long live mathematical typesetting!}

\PS{111}
E para as previsões de Asimov para 2014, feitas cinquenta anos antes...
  http://www.nytimes.com/books/97/03/23/lifetimes/asi-v-fair.html
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