(Quanto ao problema da medida, o grande problema da medida de Lebesgue, no que 
se refere ao Axioma da Escolha, é ela 
ser invariante por translações; se aceitamos medidas que não sejam invariantes 
por translações, aí podemos trabalhar em ZFC 
e considerar conjuntos nos quais todos os subconjuntos são mensuráveis, *porém* 
entram os tais cardinais inacessíveis na jogada... 
Então não existe "solução simples" para o problema da extensão da medida de 
Lebesgue) 


----- Mensagem original -----

De: "Valeria de Paiva" <[email protected]> 
Para: "Lista acadêmica brasileira dos profissionais e estudantes da área de 
LOGICA" <[email protected]> 
Cc: "Samuel" <[email protected]> 
Enviadas: Quinta-feira, 10 de maio de 2018 18:30:48 
Assunto: Re: [Logica-l] Re: O Axioma da Escolha não tem culpa de nada 
(Palestra) 

oi Samuel e Walter, 

tem uma grande distancia entre 
> o Axioma da Escolha não deve ser considerado o *único* culpado no que se 
> refere a situações completamente anti-intuitivas envolvendo partições ! 
e 
>o Axioma da Escolha não tem culpa *nenhuma*, quem tem é a noção de medida, que 
>é mal definida... 

nao tenho nada contra dizer que a nocao de medida esta' mal definida, mas 
enfim, isso resolve o problem? 

abracos 
Valeria 

2018-05-10 13:49 GMT-07:00 'Samuel Gomes' via LOGICA-L < [email protected] 
> : 



... Anotada a sugestão ! 

Abraço, 

[]s Samuel 

On Thursday, May 10, 2018 at 5:23:52 PM UTC-3, Samuel Gomes da Silva wrote: 
<blockquote>

Prezados, 

Amanhã (sexta 11/05, às 14h50, na sala 219 do PAF-I/Campus Ondina, Salvador), 
retomando as atividades do Seminário de Lógica da UFBA, 
apresentarei a palestra de título e resumo abaixo. 

Essa mesma palestra será apresentada no IME/USP em São Paulo na sexta-feira 
seguinte, dia 18/05, às 16hs, Sala 132 do Bloco A. 

Atés, 

[]s Samuel 

************************************************************ 

Título: Sobre partições impressionantes e anti-intuitivas (ou: o Axioma da 
Escolha não tem culpa de nada) 

Resumo: Uma das consequências mais anti-intuitivas do Axioma da Escolha (talvez 
a mais célebre delas) é o Paradoxo de Banach-Tarski, no qual demonstra-se que 
uma bola fechada ``sólida'' no espaço euclidiano R^3 pode ser decomposta em um 
número finito de subconjuntos os quais, quando rearranjados de uma certa forma, 
usando apenas movimentos rígidos, acabam produzindo duas bolas fechadas 
idênticas à original. Variações desse mesmo teorema podem ser enunciadas de 
maneira ainda mais impressionante ("podemos cortar uma laranja em finitos 
pedaços e usá-los para construir uma bola do tamanho do Sol, usando apenas 
movimentos rígidos"). Obviamente, os pedaços da laranja em questão seriam 
não-mensuráveis - assim, o Paradoxo do Banach-Tarski pode ser entendido como 
uma demonstração alternativa para o bastante conhecido fato de que o Axioma da 
Escolha produz, facilmente, subconjuntos não-mensuráveis em um espaço 
euclidiano. Devido aos referidos aspectos anti-intuitivos, o Paradoxo de 
Banach-Tarski é frequentemente usado em argumentos contra a aceitação do Axioma 
da Escolha. Nesta palestra, veremos que o aparente desejo desses pesquisadores 
contrários (o qual, aparentemente, seria desprezar o Axioma da Escolha para 
poder então considerar modelos nos quais todos os subconjuntos de um dado 
espaço euclidiano fossem Lebesgue-mensuráveis) também produz resultados *muito* 
anti-intuitivos no que se refere a decomposições de conjuntos - de modo que o 
Axioma da Escolha não deve ser considerado o único culpado no que se refere a 
situações completamente anti-intuitivas envolvendo partições ! Por exemplo, 
mostraremos no seminário que: se todos os subconjuntos da reta fossem 
Lebesgue-mensuráveis, então poderíamos decompor a reta em estritamente *mais* 
do que 2^{aleph_0} subconjuntos disjuntos e não-vazios (!!!). Por aparecer como 
uma espécie de denominador comum em uma série de construções, aproveitaremos a 
oportunidade para discutir o chamado Princípio da Partição - que é uma 
consequência imediata do Axioma da Escolha para a qual a pergunta natural no 
contexto (``Será que esse princípio é, na verdade, equivalente ao Axioma da 
Escolha ?'') constitui-se num dos mais antigos (e ainda em aberto) problemas 
desse tipo na literatura. 







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