Demorou pra começarmos as escrituras metarecicleiras multimidiáticas.

A sério, isso pode vir a ser a dimensão simbólica da qual eu sinto falta
na metareciclagem...

f

Em 01/09/05, Daniel Duende Carvalho<[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> Opa... então eu vou meter a minha colher mítica aqui (o que vcs esperariam
> do Duende, afinal?)...
>  
>  Uma das açoes mais importantes de se ter em mente quando se fala de
> "ruptura paradigmática" e mudança do modo de fazer é a recuperação do
> "sentimento de criador". No contexto em que vivemos, bombardeados pela
> influência da sociedade industrial mega-corporativa na nossa cultura (e em
> nossa mitologia), é natural pensar que somos muito pouco capazes de FAZER
> coisas, MODIFICÁ-LAS a nosso modo. É senso comum entre a maioria que a
> informação que vem de cima é mais forte e certa e que a indústria tem um
> poder de fazer que anula completamente o nosso.
>  
>  Isso vai contra o pensar da maioria de nós, ou ao menos do pensar do "nós"
> que eu conheço desta lista. Nós acreditamos que podemos FAZER coisas,
> acreditamos que podemos MODIFICÁ-LAS, acreditamos na nossa importância e nos
> imbuímos de responsabilidade pelo mundo em que vivemos. Reciclando
> tecnologia, agindo contra o movimento de afastamento entre a sociedade
> incluída e a excluída, recuperando o senso de protagonismo e de relevância
> das pessoas...
>  Bem entendido, este é o papel de um "herói cultural".
>  
>  Muitos autores transformam o "herói cultural", o elemento meio pessoa meio
> lenda que age dentro de uma cultura, modificando-a, em algo distante de
> nossa realidade. Por vezes dão a impressão de que isso é algo que existe e
> faz sentido apenas em culturas "primitivas" ou então articuladas, elaboradas
> desde sua base até as mais capilares manifestações, de um modo muito
> diferente da nossa. Acredito que isso não poderia estar mais longe da
> verdade. Mesmo a cultura industrial/informacional é revestida a seu modo em
> uma malha mítica. Dentro de seu conceito os shamans, os criadores e
> mantenedores e modificadores dos mitos não são mais as pessoas em geral e
> sim os "caciques midiáticos", comprometidos com seus próprios
> deuses-demônios de poder, influência e dinheiro (que são, sempre foram
> também, pessoas). Mesmo assim ainda há mitos, e ainda são os mitos que
> moldam nosso pensar sobre o mundo. Contra esta força verticalizada, esta
> dominação mítica, existem os nossos heróis culturais contemporâneos. Pessoas
> que investem-se do papel de lutar contra um inimigo ora físico ora
> metafórico (mas de qualquer forma revestido de importância mítica) em prol
> de seu povo, de seus ideais e de seu modo de vida. Vendo a coisa desta forma
> a metareciclagem ganha contornos míticos e seus participantes, colaboradores
> (guerreiros) são investidos de um papel de heróis culturais. Iniciativas
> como o metareciclagem são matéria de mito, como é matéria de mito a
> instituição da cultura do milho entre os povos mezoamericanos e a escrita
> entre os povos do oriente médio. Quando a briga é cultural, é de modo de
> fazer e pensar, é uma briga que envolve heróis culturais.
>  
>  Visto por este ângulo, o trabalho do metarec ganha mais uma dimensão, e é
> uma dimensão também muito bonita. É importante ter isso em mente quando se
> trabalha com mudança de paradigma. Se a iniciativa visa lidar com cultura,
> com modo de pensar, é importante se pensar miticamente. Quando se escreve a
> história do metareciclagem, tenham em mente que estão escrevendo uma lenda.
> Quando se estrutura a forma de pensar, fazer e multiplicar a ação
> metarecicleira, está se tecendo uma construção sensível e prática que se
> assemelha à iniciação dos shamans e guerreiros-sagrados de outrora. Algo que
> leva a pessoa além de sua vivência comum, apresenta a ela visões e dimensões
> que estão além daquilo que está em seus cotidianos, apresenta a ela
> conhecimentos novos, quase esotéricos, e tudo isso se transforma em um poder
> e uma percepção do próprio poder que é completamente nova para para a
> pessoa. E então ela é instada pelo grupo a colocar em prática este
> conhecimento...
>  
>  Estas idéias não estão prontas, e talvez possam soar para a maioria como
> uma grande viagem, mas é o modo como posso contribuir para tudo isso que
> está acontecendo. Sou um contista, um fabulista, um vivedor e escrevedor de
> histórias e meu universo é o universo do mito vivo. O pensamento mitológico,
> mesmo ainda tão vivo, é por vezes tido como antiquado, assim como as
> máquinas velhas. Se o metarec é um movimento de reciclar aquilo que parece
> não ser mais usável e descobrir para ele um uso maravilhoso, aí está algo
> para vocês reciclarem.
>  
>  O metarec é também uma causa cultural, busca mudar a cultura (e a percepção
> das pessoas sobre seu mundo). É uma coisa de heróis culturais e lendas, com
> seus próprios Prometeus roubando o fogo dos deuses e dando ao povo e seus
> próprios shamans caminhantes que levam de tribo em tribo o conhecimento
> desta pajelança...
>  
>  
>  Estão todos prontos para se reciclarem como heróis culturais?
>  
>  
>  
>  
>  p.s. a melhor vantagem de ser tido como meio maluco pelas pessoas é que
> você pode dizer o que pensa e ser desconsiderado por quem não entende e
> valorizado por quem entende.
> 
> 
> On 9/1/05, Hernani Dimantas <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > Dalton, não acho que queriamos fugir do que vem a ser inclusão digital.
> acho que enfrentamos o desafio com propostas diferentes daquelas dos
> governos e das ongs. a questão pode ser mais linguistica do que na real.
> > 
> > pensamos 1. num projeto de low tech; 2. low tech com foco nas pessoas... e
> principalmente aquelas que não tinham acesso; 3. ou se tinham era
> insuficiente para se engajar na revolução não televisionada. 
> > Cunhamos o termo tecnologia social pra dar uma resposta a nós mesmos
> daquilo que haviamos pensado.
> > 
> > E isso não dá para ser referenciado no castells. pois, ele apenas analisa
> e compila dados da revolução não tvsionada. Acho que o meta tem uma forte
> vertente hacker de ruptura paradigmatica em prol do conhecimento livre e tb
> tem tudo a ver com uma nova forma de colaboração... que começou na net e
> caiu nas ruas... acho esse ponto o mais importante. creio que esse é o
> diferencial
> > 
> > bjinhos
> > hdhd
> > 
> > 
> > 
> > On 9/1/05, Egidio Silva < [EMAIL PROTECTED]> wrote:
> > > 
> > > Opa quando eu terminei de escrever a mensagem o Filipe ja tinha editado.
> bom agora ja tá resolvido.
> > > t +
> > > 
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