Hoje eu respondi o questionário do Dpádua e fiquei matutando mais um
"cadin".
a dificuldade está em identificar esses irmaos, em chamar os caras
para as conversas, em ampliar a circulacao de papos e tals.
é isso que estamos a fazer o tempo inteiro, quando nos reunimos com
musicos da jordania, ou ativistas da grecia, ou o hdhd dentro do
governo do estado, ou qualquer coisa que puderes imaginar.
consiste em abrirmos espacos.
Além dessa dificuldade, também acho que ainda há pouca disposição para
compartilhar as coisas com pessoas mais simples, entende? Em refinar
metodologias de trabalho para que qualquer um efetivamente possa
aprender. Pensei nas dificuldades do Slave na Índia, tentando
contextualizar Metarec num idioma que não dominava. Penso no que a
Patrícia disse outro dia, sobre Metarec ser igual a ser barbeiro ou
manicure. Penso no Paulão, camarada do Movimento que participa comigo,
nego simples que está fazendo suas paradas em Linux, aprendendo sozinho,
por osmose... Fazendo oficina do Recicla na Casa das Rosas e
desmontando as máquinas no gincanão...
concordo com o que vc. diz sobre dedicar energia em pontos úteis em
focais. mas, quais sao eles? difícil determinar, pois eles nao podem
ser determinados, sao emergentes como toda a rede. de repente, temos um
planejamento claro e concreto, mas uma nova pessoa que chega na lista,
um thread forte, muda o ritmo, é um novo atrator na rede, que munda a
direçao do campo energético, entende. por isso a emergencia das acoes,
os rumos que caminham conforme ondas de sincronicidades. é assim que
sinto, pratico e vejo as coisas. por isso meus trabalhos hoje estao
focados nas metaforas da fisica quantica, do mundo da fisica e dos
princípios da incerteza que nos regem.
Concordo contigo que há um componente de incerteza aí. Mas tenho pensado
em como catalizar esses processos? Como proporcionar o início deles?
Como ir além do conforto de caminhar entre parceiros, se arriscando em
outras searas, menos conhecidas? O Dpádua lança a questão:
Imagine que você não tem computadores. Como você construiria uma
rede social (horizontal e aberta) de compartilhamento?
E na minha resposta veio isso:
Juntaria uma galera de um bairro periférico e veria os potenciais de
cada um. Quem trabalha com encanamento, quem entende de
eletricidade,quem é pedreiro, quem manja de pintura,etc...
Formaríamos grupos onde estes facilitadores se envolveriam numa
empreitada conjunta para construir ou reformar as casas de todos
aqueles que se interessarem em participar dos grupos.
É bacana ficar entre camaradas que estejam tocando uma atividade que a
gente curta estar junto. Mas como chegar num local novo e empregar toda
a sua capacidade para metareciclar tudo? Estou realmente pretendendo
extrapolar o modelo. Ir além dos computadores e da mídia, para avançar
numa idéia de compartilhamento de tecnologia que signifique abarcar todo
o uso das ferramentas possíveis. E da criação de novas ferramentas.
Eu conversava com um camarada que participou do Fórum, o Daniel, da
Fundação GTEC, e nós fomos amaciando esse ponto de vista de que
autonomia tecnológica requer compartilhamento, participação e
comprometimento. Não se usa a mesma lógica clientelista do atual
sistema. É preciso ter um papel ativo na produção de idéias tb.
Tõ surfando pelos links, conectando mais pontos...
A reflexão está bacana.
Abraço
Djair
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