Semiodiversidade é como biodiversidade.

Uma coisa é uma espécie sumir por ação do seu ambiente; outra, sumir como resultado da ação unilateral, predatória, estratégicamente planejada, dessa espécie que, para o bem e para o mal, redobrou os planos de imanência, fez meta-biologia com a linguagem e agora faz (fazemos, nós e máquinas, na ciborgagem) meta-linguagem com imagens técnicas, algoritmos e quejandos. Então, isso não é um problema técnico, é um desafio tecnológico, logo, político e cultural.

Por exemplo: uma das primeiras demandas que os povos autóctones brasileiros fizeram quando a RFB (Republiqueta Federatística Brazuqueira) quis montar escolas indígenas, foi ensinar matemática, leitura e escrita.

De que línguas? Do português e das línguas deles. Que até então nunca havia sido escritas, mas passaram a ser e agora não tem mais volta. (Ohh! Adeus a pureza das vírgens de lábios de mel.... mas não tem mais volta também o sarampo, a gripe, a pinga e a motosserra...)

Não é que a preocupação seja bobagem. O porre é essa mania de fazer profecia. É ocioso (ou onanista) ficar fazendo futurologia se a gente pode mexer com o futuro mesmo. (É issaquí, meterecs, não?)

Pode ser que as línguas minoritárias (ou mesmo as gerais, inventadas e semi-esquecidas, como o Esperanto ou o Latim sine flexione) encontrem na internet não seu túmulo, mas seu novo berço. A internet também permite que a gente aprenda e fale Krenak. Ou vire Krenak e saia da internet. Ou organize os dados como um cesto sofisticadamente trançado, que enrola-se conforma-se com um movimento inconsciente e habitual dos dedos.

Aliás, nossos espaços de dados (modelizados nessa experiência fantástica e imaginativa que é vivida por nós nos escritórios, quitinetes e atrás dos birôs) tem muito o que ganhar com outras espacialidades que outras culturas trazem: dos surdos-mudos e sua lindíssima língua de sinais, aos Innuit, espacializados no liso, onde a referência única é o movimento, não o lugar (porque no Ártico as geleiras estão indo embora... Aliás, meus pêsames FF, o Gasômetro vai submergir nessa...)

Ou então , vamos nos condoer.

Bzoux!

Daniel Pádua wrote:
Existe esse desejo conservador de manter todas as línguas
do mundo intactas... mas a linguagem existe pra mutar,
afinal reflete modos de vida. É como uma cantoria aplicada.
O português mesmo nasceu nas beiras do latim e aí vai.

Acho isso tudo uma chatice inútil. Mais importante que
controlar a mutação e a morte de línguas é manter a
lembrança dela como parte de uma crítica maior. Por exemplo:
dizem (eu não tenho condição de saber) que a língua portuguesa
falada é a mais expressiva das "línguas românticas", mas nós
só usamos uma parcela dessa "expressividade nativa".
Quer dizer, nós completamos a expressão fazendo remix
com outras formas de linguagems (incluindo não-verbais).
Isso tudo significa alguma coisa em termos políticos, econômicos, etc...

Uma hora estaremos todos falando um derivado
de uma porrada de línguas mundiais. E pronto.
Ou não.


dpadua
On 2/21/06, Fernando Henrique <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
On 2/21/06, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
nem li. mas se metade das línguas vão sumir,
outras, novas, vão surgir.

ou tu acha que aquilo que os magrelos falam
na Índia é realmente a língua inglesa?
 Ou aquela coisa que eu usava pra me comunicar com o s rickshaws  ehehhe
 Essa pesquisa é da Unesco, o ponto onde eu não concordo é que eles mapearam
que o número de  páginas em inglês subiu mesmo com uma participação maior de
paises de língua não inglesa. Eles acreditam que os novos internautas estão
escrevendo páginas em inglês ... acho que não, acredito que essa galera não
tá escrevendo nada.

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