máquina pode ser definida de variadas maneiras, mas adotamos a idéia de que máquina carrega inicialmente a intencao de uso de quem a pensou/inventou/construiu. desta forma é política e embute uma ideologia. bill_gates vê o computador como uma máquina de produtividade para empresas e que a riqueza traz desenvolvimento que, em tese, seria compartilhado por todos. linus torvalds viu o computador como uma máquina de compartilhar e desenvolver conhecimento, na forma de softwares (so) e liberou a sua criaćão para ser criticada/modificada/melhorada.
neste sentido e no do texto, uma máquina de engenho de cana não difere de uma máquina computadora, pois ambas criam uma classe dominante definida por uma relaćão econômica/política entre pessoas. A diferenciacao se faz pela propriedade e de como esta máquina será utilizada: para produzir escravos ou para produzir dados/informaćão/conhecimento compartilhado.
minha proposta nos fundamentos da metareciclagem é que desconstruamos o significado de senso comum não só sobre tecnologia, pois ela é resultado, produto de um trabalho coletivo ou individual; mas ainda de: ferramenta (que cria máquinas), máquinas (que além de produtos, produzem informacao/conhecimento/política/etc) , técnicas que são modos de se manipular/produzir sentidos e tecnologia que é o conjunto de determinadas técnicas para determinados fins.
vide: http://metareciclagem.org/wiki/index.php/Curso_Fundamentos_de_MetaReciclagem
há um autor que teoriza muito bem isto, Don Ihde, mas acho que não tem nenhum livro dele traduzido para o português. Vide mais a fundo:
http://scholar.lib.vt.edu/ejournals/SPT/v1_n1n2/ihde.html
Este texto, que é bem interesante do Simondon foi traduzido de onde?
Ainda sobre tecnologia e escola gosto muito deste autor, Paulo Cysneiros:
http://72.14.203.104/search?q=cache:UhlZfLMDnl4J:168.96.200.17/ar/libros/anped/MC16.PDF+cysneiros+ihde&hl=pt-BR&gl=br&ct=clnk&cd=6&client=firefox
abs
mbraz
Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
e um simondon...
como a metareciclagem se relaciona ao trabalho manual?
será que a gente inverte essa lógica?
From: Thiago Novaes
Date: May 1, 2006 10:53 PM
Subject: Re: re, re, re, re, re
Mas nos endereçamos aos alunos das escolas. Fundadas no século XIX
para instruir os alunos da burguesia, as escolas distribuíram uma
cultura cuja dominante é um simbolismo, sobre tudo verbal, deixando em
seguida um lugar mais largo para o pensamento matemático. Essa cultura
secundária não estava se não com uma aparência imprensada: de fato, o
lazer, como condição da cultura entendida e no sentido do século XIX,
é uma proibição que define um limite separando uma classe social de
outra: a proibição do contato direto da mão e a matéria significa de
fato não lazer, mas um recurso ao intermediário a serviço, servo ou
operário. O caracter desonroso do trabalho manual é a expressão de um
significismo social: manipular a matéria, é se aventar membro de uma
classe social dominada. O único gesto autorizado ao membro de uma
classe social dominante é dar ordem. Ele não deve ser efetuador é
executor. As línguas antigas, tais quais estavam sendo refinadas no
século XIX não eram desinteressadas: elas davam ao individuo de uma
classe social dominante a linguagem exotérica segundo a qual ele
poderia legislar e ferir e definir os valores segundo os quais as
relações interindividuais seriam julgadas. O latim era, por sua
formação, a língua de Virgílio, mas para uso, aquela do direito: isso
explica a preferência acordada ao latim sobre o grego, língua que ao
contrário está mais conforme a cultura que a civilização francesa
deveria procurar e mais rico para a formação do vocábulo
desinteressado (de ciência pura).
Mas a realidade social que presidiu a criação das escolas não é
mais aquela de hoje. O simbolismo verbal não basta mais. Sem dúvida,
os alunos das escolas não se tornam geralmente operário ou artesãos:
Eles não têm necessidade de um aprendizado. Os Engenheiro ou
administradores devem conhecer a máquina, porque ele deve assumir e
pensar a relação social que há em relação ao homem e a natureza. Essa
relação, o operário vê, mas o administrador não ele não a pensaria
como uma matéria abstrata se ele não a tivesse existencialmente a
vivido durante o seu período onde esse ser se forma, isto é durante a
infância ou adolescência. Mais tarde, tornada adulta, abordando a
máquina no laboratório somente, ele não teria aquela relação abstrata,
sendo alimentador de um pensamento alienado.
SIMONDON, 1953
trad livre
novaes
--
FelipeFonseca
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൬βռăʒ
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