continuando, todo racismo é prática. por isso não existe nada pior do que o racismo que o negro inflige a si mesmo via a ação do Estado. sendo a ação afirmativa e as medidas compensatórias nada mais do que RACISMO de Estado.
pois acredito que, assim como a mulher e a criança, o negro é intolerável.
a mulher desestabiliza pelo sexo, a criança pelo mau comportamento e imprevisibilidade — zero de conduta — e o negro desestabiliza e causa mal estar pela mera existência. atiçando, ambos, a reação do politicamente correto sedento por estabilidade e segurança.
sob a égide do Estado a VIDA é masculina, adulta e branca. o negro é o diferente. o Outro. o Intolerável que sequer pode desejar ser o Mesmo. o negro não pode ser branco por isso sua presença gera mal estar, e por isso mesmo deve se fazer presente. insurrecto. detestável. incomodo. não desejar ser o Mesmo ou ocupar o espaço do Mesmo. branco. melhor, 10% dele, através das concessões feitas pelas carolas da assistência social que estipulam o espaço a ser preenchido.
aos
outros, 90%, restam as migalhas pelas quais devem lutar sob os pés da elite
negra daí advinda. e claro, uma série de produtos especiais — xampus/cremes hidratantes. tudo desenvolvido especialmente para os negros — não podendo esquecer o fato de
que agora também são 10% em elenco de novelas, filmes e comerciais. motoristas
e empregadas domésticas. mas isso não é suficiente. as passadeiras querem ser
retratadas como elite e clamam por mais 10%...
negro é mais e menos do que o NEGRO unidade abstrata. AFRO-BRASILEIRO ou AFRODESCENTENTE. O negro, assim como a criança e a mulher, é um mundo de fragmentos nunca totalizáveis. mais e menos que mera identidade cultural. sequer mais um entre os tais cinqüenta mil manos. sequer esse ser nem preto nem branco — mestiço? pardo? — da nação de mulatos. democracia racial a qual, no momento que lhe convém, decide que preto é preto e branco é branco; e são os pretos que queimam no inferno. intoleráveis. encarcerados. aqui já não mais 10% mas 90%.
as freirinhas ao estipular o espaço que o Outro — preto — deve ocupar dentro da universidade determinam o destino dos que estão fora.
dentro. as salas da assistência social e de projetos para os pretinhos. aqui, não mais mestiços ou pardos. isso deve ficar bem claro e os pretinhos que fiquem em seu devido lugar. 10%.
fora. a inserção no sistema policial-judiciário ou a segregação nos grandes campos de concentração a céu aberto em que se transformaram as periferias. em que impera a esperança de um dia tornarem-se elite como os outros 10%. custe o que custar. geralmente a vida.
atualmente apenas uma pequena parte das pessoas se mostra voluntariamente como racista. e isso se torna cada dia menos necessário, pois ao clamar por medidas de ação afirmativa e medidas compensatórias os negros, que identificam como problema o BRANCO — raça/unidade abstrata — e não o racismo enquanto prática, toma perante a prática racista uma posição meramente reativa — ressentida. racista. portanto, cabe aos negros que estão de fora, tanto da cadeia quanto das políticas de compensação agora em marcha, inventarem sociabilidades que não sejam atravessadas por práticas racistas.
é isso.
abraços.
márcio.
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