Stalker,

Deixe ver se entendi esse termo, Serendipidade = Serendipity, aquele
pudor que quem entrega tem de assumir as próprias conclusões ? (Seguindo
Eco, "Chifres, Cascos, Canelas" em "O signo de três" dele e do Sebeok...)
Deixe ver se entendi esse termo, Serendipidade = Serendipity, aquele
pudor que quem entrega tem de assumir as próprias conclusões ? (Seguindo
Eco, "Chifres, Cascos, Canelas" em "O signo de três" dele e do Sebeok...)
Alienação total, passividade máxima.
Sei não. Isso é meio frankfurtiano demais... acho que todo geek ou
semi-geek que bater o olho nisso, vai sacar que não passa de mais um
hitparede. Oferece muito pouca análise. Cê não tá sendo meio negligente
com relação a capacidade interpretativa do público? Como é que vamos
saber que sentido as pessoas atribuem a informação e o que fazem com ele?

Eu utilizo serendipidade no sentido de fazer descobertas de coisas e
ideias por acidente ou sageza e não pela procura deliberada delas
(http://en.wikipedia.org/wiki/Serendipity). Essa ideia do The Swarm
visaria em princípio a tal serendipidade, a descoberta de sites e
endereços interessantes. Mas, na verdade, aquilo revela-se mais um
espectáculo, uma performance em que somos atordoados por imagens
thumbs dos mesmos sites de sempre que vêm contra nós a alta
velocidade. E mesmo quando calhamos com um site eventualmente
interessante a informação que nos é dada dele é muito escassa. Está
tudo feito para induzir a uma passividade voyeuristica.

Isso me faz
lembrar muito a história do Até ao Fim do Mundo do Win Wenders em que
os personagens passam a vida a ver as imagens dos seus sonhos em ecrãs
tipo PSP.
Mas pense também no Sob o Céu de Lisboa (sua Ulix Bona!)... não vamos
cair fácil na armadilha do discurso catastrofista.

Nem no tecno-narcisismo ou no sublime tecnológico. Agora com a Web
2.0, está muito na moda falar em emergência, redes sociais
descentralizadas, swarming, rizoma e isso tudo. Mas temos que ter
consciência que sem a participação consciente e face-a-face das
pessoas inseridas nos seus meios locais tudo se passa entre dados,
fios e máquinas (ainda) sem qualquer capacidade de inteligência, por
mais que os tecno-profetas digam o contrário. O que quer dizer que se
deixarmos o software social tomar conta dos rastos que deixamos sobre
nós na Web, quem vai acabar por ficar com esses dados é o Estado, as
empresas ou os nossos vizinhos. E aí estaremos voluntariamente mas
inconscientemente cedendo a nossa identidade.

Um blog muito bom para compreender o lado menos eufórico da Web 2.0 é
o Swarming Media (http://www.swarmingmedia.com). Vejam também "Whose
rhizome is it anyway?" de Joanne Richardson
(http://mokk.bme.hu/centre/conferences/reactivism/FP/fpJR).

Abraços Atlânticos,

Miguel
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