escrevi isso (e um pouco mais) sobre o meta... pode te interessar
-- hdhd MetaReciclagem O Metareciclagem foi concebido num modelo colaborativo sob o conceito do projeto Metá:Fora. Este conceito tem como foco o desenvolvimento de tecnologia voltada para a potencialização de redes sociais, criando alternativas para interconectar e integrar comunidades geograficamente dispersas. A informação é dinâmica. Tudo acontece seguindo alguns traços. Como uma pintura que ganha força nas nuances e nos tons das tintas que são sobrepostas. Uma construção em que a base fica estampada no acabamento. (...) Esse conhecimento está impregnado nos mutirões. No efeito puxadinho colaborativo. É só "chegar" para ajudar o ser humano ser mais feliz. Uma mobilização que vai além da boa ação. É cotidiana e colaborativa. (...) Desde a criação de blogs, sites colaborativos, listas de discussão, salas de bate-papo inter-telecentros e tantas outras formas de conectar pessoas e promover o debate entre elas. Afinal de contas, é a conversação e seu potencial catalisador de novas ações o que efetivamente interessa nesse tipo de experiência. As formas de conversação ainda são muito precárias. Embora as ferramentas de conversação estejam disponíveis na rede, os projetos de inclusão digital ainda não se deram conta do comportamento e necessidades das pessoas na rede. Embora isso seja apenas uma questão de tempo para que grupos organizados possam se apropriar do espaço informacional. As mais variadas experiências pedagógicas modernas sempre levantam um tema de importância fundamental às suas metodologias de ensino: a experimentação e o aprendizado pelo erro com base nas necessidades latentes daquele que participa e constrói o processo educacional ao qual está inserido. Dessa forma, ter acesso aos recursos tecnológicos inerentes ao aprendizado de uma nova ferramenta no local onde a mesma participa do cotidiano de uma determinada tarefa é pedagogicamente um avanço e uma forma de efetivamente descentralizar o acesso e a experimentação desse novo processo técnico. (...) A Metareciclagem David Weinberger e Doc Searls dizem que: Quando olhamos para um poste, vemos redes com fios. E vemos esses fios como parte de sistemas: o sistema telefônico, o sistema de energia elétrica, o sistema de TV a cabo. Mas a Internet é diferente. Não é fiação. Não é um sistema. E não é uma fonte de programação. A Internet é um modo que permite a todas coisas que se chamam redes coexistir e trabalhar em conjunto. É uma Inter-net (inter-rede), literalmente. O que faz a "Net" ser "Inter" é o fato de que ela é apenas um protocolo - o protocolo Internet (IP - "Internet Protocol"), ou um acordo sobre como fazer coisas funcionarem em conjunto. Este protocolo não especifica o que as pessoas podem fazer com a rede, o que podem construir na sua periferia, o que podem dizer, ou quem pode dizer. O protocolo simplesmente diz: se você quer trocar bits com outros, é assim que se faz. Se você quer conectar um computador - ou um celular ou uma geladeira - à Internet, você tem que aceitar o acordo que é a Internet. [WEINBERGER & SEARLS, 2003] Esse acordo não apenas instala o controle. Galloway, em Protocolo, coloca: Protocolo é fundamentalmente a tecnologia de inclusão, e a abertura é a chave para essa inclusão. [GALLOWAY; 2004:147] A cultura hacker percebe a imaturidade desses protocolos e propõe uma nova ética e bom senso e, assim, forja um novo modelo. Esses argumentos e idéias nos levam a pensar na internet como um espaço de agenciamento, mas que torna possíveis saltos acentuados tanto da ética como da ação direta na microfísica do poder. Nessa espuma informacional emergem novas formas de interação. Listas de discussão, blogs, flogs, Orkuts, mensagens instantâneas, ou qualquer outra ferramenta que conecte grupos. Esses grupos formam focos de movimentos sociais. Quanto mais engajado for o projeto, mais intensa será a ação coletiva. Esse fuzuê informacional torna possível a catalisação do agenciamento coletivo. O efeito é rizomático. A informação cola no agenciamento. E vice-versa. Numa multidão hiperconectada o conhecimento livre tende a se expandir. A prática do conhecimento livre traz a reboque uma série de novos paradigmas que dialogam em tempo real com os enunciados que até agora deram sustentação filosófica à humanidade. Estamos presenciando mudanças drásticas nos debates sobre propriedade intelectual, liberdade de expressão, nas práticas de comunicação. Estamos apenas no início de uma revolução não televisionada. Neste contexto, a metareciclagem é uma conversação em rede focada no trabalho imaterial, um tipo de interconexão que acontece em tempo real, uma conversação engajada com uma expectativa existencial otimista em relação às possibilidades de mudanças e de revoluções. A metareciclagem privilegia o diálogo. Uma relação que só é possível quando há uma compreensão inequívoca do que é Linkania [ESTRAVIZ; 2001]. 3.2 - Operação Pirata Um projeto colaborativo se faz com esforço coletivo. Uma operação voluntária. Não é possível estabelecer vínculos entre essa ação caótica com os métodos de administração tradicional. Toda vez que tentamos administrar caímos na armadilha do velho mundo. Uma administração voltada para o negócio. E não para os projetos. Uma sociedade pirata, então, não era uma sociedade igual às outras: As condições ideais incluíam proximidade com rotas marinhas conhecidas, nativos (e nativas) amistosos, isolamento e grande distância de toda autoridade e realidade de potência européia, um agradável clima tropical e talvez um posto comercial ou taverna onde pudessem gastar o butim. Estavam preparados para aceitar liderança temporária em situação de combate, mas em terra preferiam a liberdade absoluta mesmo se ao preço da violência. Na busca pelo butim, estavam dispostos a viver ou morrer pela democracia radical como princípio organizador. Mas no desfrute do butim, insistiam na anarquia. [WILSON, 2001:173] Desta forma, penso num navio como uma célula motivada para alcançar um objetivo. No caso, pirata era a pilhagem de outros navios. Homens se reuniam para esse fim. Carregavam comida e estratégias (muitas bandeiras diferentes para ludibriar os oponentes) para o mar. Mas o mais importante era a capacidade de tomada de decisão autônoma e a informação. O navio pirata era independente. Contava apenas com suas próprias armas. Estamos começando a viver numa sociedade em rede. O terror, os partidos políticos e a pirataria sempre se valeram melhor da rede do que a sociedade concebida sob a égide da cultura de massa. E estamos começando a perceber que para viver em rede temos que perceber seus meandros. Projetos independentes e colaborativos como o MetaReciclagem só podem se desenvolver se pensarmos de forma pirata. Células orientadas a projetos. Autonomia de gestão. Muita informação fluindo entre as partes e, principalmente, a convicção de que cada célula representa o todo. E assim termos a certeza da construção de um projeto comum e rizomático. Cada membro do grupo necessita contribuir como base para os outros. Richard Barbrook diz que no fim do século 20 o anarcocomunismo não está mais confinado entre em os intelectuais de vanguarda. O que antes fôra revolucionário agora é banal. Ele diz que: "as pessoas participam dessa hi-tech gift economy, ou seja, uma economia na qual os bens estão disponíveis tão abundantemente que fluem livremente. Uma economia que, de certa forma, rege a prática do conhecimento livre. Para muitas pessoas a 'gift economy' é simplesmente o melhor método de colaboração no espaço cibernético. Nessa economia mista da Rede, o anarcocomunismo se tornou uma realidade do cotidiano." [BARBROOK,1998] Colaboração é a palavra do século XXI. Linus Torvalds causou um alvoroço enorme ao liberar o código numa lista de debates. 'Release early and release often' (libere cedo e libere sempre) passou a redesenhar um modelo de produção. Colaboração como capital social. Colaboração para fazer qualquer coisa que o desejo provoque. Colaboração como condição de sobrevivência. A entrada da internet como ferramenta de catalisação de redes modifica as estruturas burguesas e, por incrível que possa parecer, essa ferramenta fez um estrago nas idiossincrasias dos poderosos. A internet é maquínica, pois recria no âmago da sociedade um poder nômade que se recria a cada instante, catalisado pelos nós das redes. É uma reviravolta nos dogmas ocidentais. On 6/9/06, thays melo <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Ontém eu perguntei ao Dalton qual o significado da palavra MetaReciclagem, mais especificamente o de Meta. Ele me deixou uma indagação para que eu refletisse sobre a mesma. Comecei, então, a pensar sobre qual o significado da palavra: Meta é um prefixo de origem grega que quer dizer "mudança"; somada à palavra Reciclagem : atualização de conhecimentos; reaproveitamento... Começo a concluir que MetaReciclagem também é transformação, reciclagem das idéias, concepções; Meta da metamorfose; de mudar a visão em relação ao que está a nossa volta, para conseguirmos enxergar além dos padrões e das imposições de uma sociedade formada por grandes grupos detensores de poder. MetaReciclagem, mudança, liberdade de ir muito além! Eu gostaria que vocês dividissem comigo esse sentido! _______________________________________________ Metarec mailing list [email protected] http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec
-- hernani dimantas http://comunix.org _______________________________________________ Metarec mailing list [email protected] http://www.colab.info/cgi-bin/mailman/listinfo/metarec
