Condizer:
# paradigma: dizer (irregular)
Formas Nominais:
   infinitivo: condizer
   gerúndio: condizendo
   particípio: condito
Presente do Indicativo
   eu condigo
   tu condizes
   ele condiz
   nós condizemos
   vós condizeis
   eles condizem
Imperfeito do Indicativo
   eu condizia
   tu condizias
   ele condizia
   nós condizíamos
   vós condizíeis
   eles condiziam
Perfeito do Indicativo
   eu condisse
   tu condisseste
   ele condisse
   nós condissemos
   vós condissestes
   eles condisseram
Mais-que-perfeito do Indicativo
   eu condissera
   tu condisseras
   ele condissera
   nós condisséramos
   vós condisséreis
   eles condisseram
Futuro do Pretérito do Indicativo
   eu condiria
   tu condirias
   ele condiria
   nós condiríamos
   vós condiríeis
   eles condiriam
Futuro do Presente do Indicativo
   eu condirei
   tu condirás
   ele condirá
   nós condiremos
   vós condireis
   eles condirão
Presente do Subjuntivo
   que eu condiga
   que tu condigas
   que ele condiga
   que nós condigamos
   que vós condigais
   que eles condigam
Imperfeito do Subjuntivo
   se eu condissesse
   se tu condissesses
   se ele condissesse
   se nós condisséssemos
   se vós condissésseis
   se eles condissessem
Futuro do Subjuntivo
   quando eu condisser
   quando tu condisseres
   quando ele condisser
   quando nós condissermos
   quando vós condisserdes
   quando eles condisserem
Imperativo Afirmativo
   condize tu
   condiga ele
   condigamos nós
   condizei vós
   condigam eles
Imperativo Negativo
   não condigas tu
   não condiga ele
   não condigamos nós
   não condigais vós
   não condigam eles
Infinitivo Pessoal
   por condizer eu
   por condizeres tu
   por condizer ele
   por condizermos nós
   por condizerdes vós
   por condizerem eles
 
[]'s :) 
 
Edney Souza - São Paulo - http://www.interney.net/
msn: [EMAIL PROTECTED] | icq: 4597042 | y!: edney_s | gtalk/aim/skype: interney
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 14, 2006 8:36 PM
Subject: Re: [MetaReciclagem] Terra em Transe

realmente, ficou muito bonito. Deu ateh vontade de ver todas as conjugacoes deste verbo :D

condigamos todos, amem!

mbraz

Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
argh. câncer da sociedade.

abaixo os arianos. dê-lhe aquarianos.

mas pati, "condiga" é lindo. acho que nunca
vi nem o bicarato flexionando assim o verbo.

f

On 6/14/06, patricia <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
 
Pessoas,
 
Não resisto.
 
Foi a melhor coisa que vi sobre o Brasil na Copa e o melhor texto sobre a "revitalização" do Centro, essa reciclagem para um mundo limpinho que o Andrea Matarazzo quer fazer. Talvez isso condiga mais com a lista do Integração Sem Posse (coletivo que faz/pensa/cria arte política). Mas não resisto, mesmo. Preciso compartilhar com vocês, porque me comoveu.
 
pati
 
 
No Anhangabaú, os sem-pátria, os sem-sofá, os sem-amigos e os sem-amores pararam para ver (ou tentar ver) a estréia da seleção de Parreira na Alemanha

XICO SÁ
COLUNISTA DA FOLHA

Amigo torcedor, amigo secador, o vale do Anhangabaú, centrão de SP, se transformou ontem no jardim dos caminhos onde se bifurcam todas as misérias, todas as solidões dos sem-amores ou dos sem-amigos, os sem-sofá, todos os delírios dos cheira-colas e dos meninos do crack, todos os patriotismos dos sem-pátria e sem-patrões, todas as alegrias clandestinas dos sem-teto, todas as frustrações e bolas perdidas do lumpesinato, o Brasil em transe, o país que não consegue chegar nunca em casa a tempo de uma estréia da Copa, ali estavam todos os olhares daqueles que acostumamos chamar, cá entre nós, de perdedores.
O mendigo maneta, de camisa azul-escuro, boné cinza e cobertor do tipo Paraíba, não estava nem aí para o jogo. Do seu canto, não se via o telão gigante. Os seus quatro amigos, aos 10min de partida, tomaram novos goles de pinga e se misturaram à massa. Fácil acompanhá-los: além dos tombos, eram os poucos não vestidos com algo verde-amarelo. Mais um bando de brasileiros cinzentos de São Paulo. Mas cobravam cachê por entrevista. Esqueci as regras do jornalismo e morri com um trocado para mais uma garrafa da branquinha que levava aquela massa ao delírio.
"José dos Santos Lino, anota aí", liberou o primeiro dos mendigos, um sem-coisa-alguma mas também homem com olhar ainda altivo. O cheira-cola atrapalhou o diálogo. Falava como um Guimarães Rosa urbanóide, nonada, não dava para entender quase uma palavra. O travesti, todo borrado de maquiagem, traduziu tudo: "Bando de filho-da-puta perdido, deixa o tiozim [referindo-se a este cronista] em paz".
E o jogo? Ah, algumas famílias, na decência e na estica, apesar de poucos cobres a cada fim de mês, se portavam com civilidade nunca vista. Eram famílias que se apertam em quitinetes ali no centro e famílias que chegaram de longe enganadas pela propaganda oficial do telão. "Não estou vendo nada deste canto", protestava o pai, Alberto Santana de Araújo, 35, um raro entrevistado ali naquele transe bêbado que não teve trabalho para pronunciar o próprio batismo. A mulher, Ivone, 28, mais agoniada ainda. Os meninos, Jonas, 10, Robson, 9, emitiam aqueles grunhidos infantis de revolta.
Uma família pobre daquelas que ainda têm direito a banho, a uma roupinha em conta no mercadão do Brás, um zelo de mãe e um pai que teima, na marra, em não deixar a casa cair por mais que tudo desabe. Araújo é garçom numa lanchonete ali dos arredores do vale. Ivone faz faxina também na área. Estão no time dos que teimam, na várzea da vida, para não cair de divisão social, a terceirona da existência.
Jogo que é bom, quem fosse baixinho, como a família decente, só via as cabeçadas nos escanteios dos altos croatas. Por isso que os homens-gabirus correram para o alto do viaduto do Chá, de onde viam a miragem da pátria em chuteiras.
Para os perdidos das ruas ou os loucos solitários do centrão, tudo era festa, o que quer que fizesse o milionário escrete canarinho. Do telão para o chão dos sem-estrelas tanto fazia. "Num ganho nada com isso", berrava um homem-sanduíche existencialista, logo após o gol do Brasil. Não que os perdedores na vida fossem secadores. Ao contrário. A grande massa, noves fora os delirantes bêbados e cheira-colas, vestia o manto do patriotismo verde-amarelo.
Ao fim do jogo, numa terra de gente alegre, havia uma torcida não de tudo triste, mas com um leve olhar de vira-lata -como os cães que acompanhavam os mendigos-, o corpo coçando com as pulgas da desconfiança.
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