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Condizer:
# paradigma: dizer (irregular) Formas
Nominais: infinitivo: condizer gerúndio:
condizendo particípio: condito Presente do
Indicativo eu condigo tu
condizes ele condiz nós
condizemos vós condizeis eles
condizem Imperfeito do Indicativo eu condizia
tu condizias ele condizia nós
condizíamos vós condizíeis eles
condiziam Perfeito do Indicativo eu condisse
tu condisseste ele condisse nós
condissemos vós condissestes eles
condisseram Mais-que-perfeito do Indicativo eu
condissera tu condisseras ele
condissera nós condisséramos vós
condisséreis eles condisseram Futuro do Pretérito do
Indicativo eu condiria tu
condirias ele condiria nós
condiríamos vós condiríeis eles
condiriam Futuro do Presente do Indicativo eu
condirei tu condirás ele condirá
nós condiremos vós condireis eles
condirão Presente do Subjuntivo que eu
condiga que tu condigas que ele
condiga que nós condigamos que vós
condigais que eles condigam Imperfeito do
Subjuntivo se eu condissesse se tu
condissesses se ele condissesse se nós
condisséssemos se vós condissésseis se eles
condissessem Futuro do Subjuntivo quando eu
condisser quando tu condisseres quando ele
condisser quando nós condissermos quando vós
condisserdes quando eles condisserem Imperativo
Afirmativo condize tu condiga
ele condigamos nós condizei vós
condigam eles Imperativo Negativo não condigas
tu não condiga ele não condigamos
nós não condigais vós não condigam
eles Infinitivo Pessoal por condizer eu por
condizeres tu por condizer ele por condizermos
nós por condizerdes vós por condizerem
eles
[]'s :)
----- Original Message -----
Sent: Wednesday, June 14, 2006 8:36
PM
Subject: Re: [MetaReciclagem] Terra em
Transe
realmente, ficou muito bonito. Deu ateh
vontade de ver todas as conjugacoes deste verbo :D
condigamos todos,
amem!
mbraz
Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]>
escreveu:
argh.
câncer da sociedade.
abaixo os arianos. dê-lhe aquarianos.
mas
pati, "condiga" é lindo. acho que nunca vi nem o bicarato flexionando
assim o verbo.
f
On 6/14/06, patricia <[EMAIL PROTECTED]>
wrote:
Pessoas,
Não resisto.
Foi a melhor coisa que vi sobre o Brasil na
Copa e o melhor texto sobre a "revitalização" do Centro, essa reciclagem
para um mundo limpinho que o Andrea Matarazzo quer fazer. Talvez isso
condiga mais com a lista do Integração Sem Posse (coletivo que
faz/pensa/cria arte política). Mas não resisto, mesmo. Preciso
compartilhar com vocês, porque me comoveu.
pati
No Anhangabaú, os sem-pátria, os
sem-sofá, os sem-amigos e os sem-amores pararam para
ver (ou tentar
ver) a estréia da seleção de
Parreira na Alemanha
XICO SÁ COLUNISTA DA
FOLHA
Amigo torcedor, amigo secador, o
vale do Anhangabaú, centrão de SP, se transformou ontem no jardim dos
caminhos onde se bifurcam todas as misérias, todas as solidões dos
sem-amores ou dos sem-amigos, os sem-sofá, todos os delírios dos
cheira-colas e dos meninos do crack, todos os patriotismos dos sem-pátria
e sem-patrões, todas as alegrias clandestinas dos sem-teto, todas as
frustrações e bolas perdidas do lumpesinato, o Brasil em transe, o país
que não consegue chegar nunca em casa a tempo de uma estréia da Copa, ali
estavam todos os olhares daqueles que acostumamos chamar, cá entre nós, de
perdedores. O mendigo maneta, de camisa azul-escuro, boné cinza e
cobertor do tipo Paraíba, não estava nem aí para o jogo. Do seu canto, não
se via o telão gigante. Os seus quatro amigos, aos 10min de partida,
tomaram novos goles de pinga e se misturaram à massa. Fácil acompanhá-los:
além dos tombos, eram os poucos não vestidos com algo verde-amarelo. Mais
um bando de brasileiros cinzentos de São Paulo. Mas cobravam cachê por
entrevista. Esqueci as regras do jornalismo e morri com um trocado para
mais uma garrafa da branquinha que levava aquela massa ao
delírio. "José dos Santos Lino, anota aí", liberou o primeiro dos
mendigos, um sem-coisa-alguma mas também homem com olhar ainda altivo. O
cheira-cola atrapalhou o diálogo. Falava como um Guimarães Rosa urbanóide,
nonada, não dava para entender quase uma palavra. O travesti, todo borrado
de maquiagem, traduziu tudo: "Bando de filho-da-puta perdido, deixa o
tiozim [referindo-se a este cronista] em paz". E o jogo? Ah, algumas
famílias, na decência e na estica, apesar de poucos cobres a cada fim de
mês, se portavam com civilidade nunca vista. Eram famílias que se apertam
em quitinetes ali no centro e famílias que chegaram de longe enganadas
pela propaganda oficial do telão. "Não estou vendo nada deste canto",
protestava o pai, Alberto Santana de Araújo, 35, um raro entrevistado ali
naquele transe bêbado que não teve trabalho para pronunciar o próprio
batismo. A mulher, Ivone, 28, mais agoniada ainda. Os meninos, Jonas, 10,
Robson, 9, emitiam aqueles grunhidos infantis de revolta. Uma família
pobre daquelas que ainda têm direito a banho, a uma roupinha em conta no
mercadão do Brás, um zelo de mãe e um pai que teima, na marra, em não
deixar a casa cair por mais que tudo desabe. Araújo é garçom numa
lanchonete ali dos arredores do vale. Ivone faz faxina também na área.
Estão no time dos que teimam, na várzea da vida, para não cair de divisão
social, a terceirona da existência. Jogo que é bom, quem fosse
baixinho, como a família decente, só via as cabeçadas nos escanteios dos
altos croatas. Por isso que os homens-gabirus correram para o alto do
viaduto do Chá, de onde viam a miragem da pátria em chuteiras. Para os
perdidos das ruas ou os loucos solitários do centrão, tudo era festa, o
que quer que fizesse o milionário escrete canarinho. Do telão para o chão
dos sem-estrelas tanto fazia. "Num ganho nada com isso", berrava um
homem-sanduíche existencialista, logo após o gol do Brasil. Não que os
perdedores na vida fossem secadores. Ao contrário. A grande massa, noves
fora os delirantes bêbados e cheira-colas, vestia o manto do patriotismo
verde-amarelo. Ao fim do jogo, numa terra de gente alegre, havia uma
torcida não de tudo triste, mas com um leve olhar de vira-lata -como os
cães que acompanhavam os mendigos-, o corpo coçando com as pulgas da
desconfiança.
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