aproveitando de levada os temas que estao rolando de sacolas e meio-ambiente, direito, voto, politica e tecnologia; segue um textim para ler no banherim... :)

Reforcando a minha visao muito pessoal da metareciclagem, de que nao ha' realmente desapropriacao da tecnologia, pois nao se busca direito de posse, mas tao somente significacao dela pelo uso. Segue o trem:

Andrew Feenberg, Teoria Critica da Tecnologia:

(...)

Os sistemas tecnológicos impõem manipulações técnicas sobre seres humanos. Alguns
manipulam, outros são manipulados. Essas duas posições correspondem às posições estratégicas e táticas de De Certeau. O mundo aparece bem diferente a partir dessas duas posições. A posição estratégica privilegia as considerações de controle e eficiência e procura recursos, precisamente o que Heidegger critica na tecnologia. Minha principal objeção a Heidegger é que ele mesmo adota sem pensar a posição estratégica sobre a tecnologia a fim de condená-la. Ele a vê exclusivamente como um sistema de controle e menospreza seu papel nas vidas daqueles que estão subordinados a ela.
 
A posição tática desses subordinados é muito mais rica. Trata-se do mundo de vida cotidiana de
uma sociedade moderna na qual os dispositivos formam um ambiente quase total. Nesse ambiente, os indivíduos identificam e perseguem significados. O poder está apenas tangencialmente em risco na maioria das interações e quando se torna uma questão, a resistência é temporária e limitada em seu objetivo devido à posição dos indivíduos dentro do sistema. No entanto, na medida que as massas de indivíduos inscrevem-se em sistemas técnicos, as resistências inevitavelmente se levantam e podem pesar no design futuro e na configuração dos sistemas e de seus produtos. Vejamos o exemplo da poluição do ar. Enquanto os responsáveis por ela puderam escapar das conseqüências de suas ações à saúde em bairros arborizados, deixando que os pobres habitantes urbanos respirassem o ar sujo, houve pouco apoio para soluções técnicas ao problema. Os controles antipoluição eram vistos como custosos e improdutivos para os detentores do poder de implementá-los. Com o tempo um processo político democrático incendiou-se pela expansão do problema acompanhada de protestos pelas vítimas e seus advogados legítimos deram corpo aos interesses das vítimas.

 Somente então foi possível constituir uma temática social que incluía tanto os ricos quanto os pobres para fazer as necessárias reformas. Essa temática finalmente forçou um novo design do automóvel e de outras fontes de poluição que levassem a saúde humana em consideração. Eis um exemplo de política do design holístico que acabará por nos conduzir a um sistema tecnológico mais holístico.

Uma compreensão adequada da substância de nossa vida cotidiana não pode ignorar a tecnologia.
Como configuramos e projetamos cidades, sistemas de transporte, meios de comunicação de massa,
produção agrícola e industrial é tudo matéria política. E estamos fazendo cada vez mais escolhas de saúde e conhecimento nos designs tecnológicos nos quais a medicina e a educação crescentemente acreditam. Além disso, os tipos de coisas que parecem plausíveis de proporcomo avanços ou alternativos são em grande medida condicionados pelos fracassos das tecnologias existentes e pelas possibilidades que sugerem. A antiga alegação de que a tecnologia era política evidencia-se agora.

(...)


൬βռăʒ


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