Stalker,

só uma observação: você caiu na armadilha
(possivelmente sem querer) de misturar copyleft
e propriedade intelectual com direito autoral.

Uma coisa é uma coisa, outra coisa é outra
coisa...

Abs,

Bicarato

On 8/24/06, Stalker <[EMAIL PROTECTED]> wrote:
Isso não tá no link de referências, que o MBraz mandou, mas para nós é
importante: o Boaventura é um dos mais ativos defensores do copyleft
como antídoto para a barbárie tecnoburocrática.

O que é legal é que seu público é de ciências sociais, filosofia etc..
Para nós, copyleft já se tornou uma bandeira normal... mas fora do mundo
geek/nerd/tech, pouquíssima gente percebe a "viragem" que os novos
direitos autorais representam... aliás, talvez os g/n/t também não
saquem para além das querelas de sua província. (vide o e-mail sustança
que a Eiabel mandou em 21ago 22h04min)

Brigado MBraz!

Marcelo Braz wrote:
> Para quem ainda nao conhece a importancia do pensamento e das propostas
deste sociologo, vejam estas duas referencias:
>
> 1- http://www.ufmg.br/online/arquivos/001509.shtml
>
> 2- Carta a Frank (a um amigo cientista judeu israelense, que o convidou
para participar de um evento na Universidade de Telavive. Boaventura recusou
e explica):
> http://www.ces.fe.uc.pt/opiniao/bss/160.php
>
> Escrevo-te esta carta com o coração apertado. Deixo a análise fria para a
razão cínica que domina o comentário político ocidental. És um dos
intelectuais judeus israelitas – como te costumas classificar para não
esquecer que um quinto dos cidadãos de Israel são árabes – mais
progressistas que conheço. Aceitei com gosto o convite que me fizeste para
participar no Congresso que estás a organizar na Universidade de Telavive.
Sensibilizou-me sobretudo o entusiasmo com que acolheste a minha sugestão de
realizarmos algumas sessões do Congresso em Ramalah. Escrevo-te hoje para te
dizer que, em consciência, não poderei participar no congresso. Defendo,
como sabes, que Israel tem direito a existir como país livre e democrático,
o mesmo direito que defendo para o povo palestiniano. "Esqueço" com alguma
má consciência que a Resolução 181 da ONU, de 1947, decidiu a partilha da
Palestina entre um Estado judaico (55% do território) e um Estado
palestiniano (44%) e uma zona internacional
>  (os lugares santos: Jerusalém e Belém) para que os europeus expiassem o
crime hediondo que tinham cometido contra o povo judaico. "Esqueço" também
que, logo em 1948, a parcela do Estado árabe diminuiu quando 700.000
palestinianos foram expulsos das suas terras e casas (levando consigo as
chaves que muitos ainda conservam) e continuou a diminuir nas décadas
seguintes, não sendo hoje mais de 20% do território.
>  Ao longo dos anos tenho vindo a acumular dúvidas de que Israel aceite, de
facto, a solução dos dois Estados: a proliferação dos colonatos, a
construção de infra-estruturas (estradas, redes de água e de electricidade),
retalhando o território palestiniano para servir os colonatos, os check
points e, finalmente, a construção do Muro de Sharon a partir de 2002
(desenhado para roubar mais território aos palestinianos, os privar do
acesso à água e, de facto, os meter num vasto campo de concentração). As
dúvidas estão agora dissipadas depois dos mais recentes ataques na faixa de
Gaza e da invasão do Líbano. E agora tudo faz sentido. A invasão e
destruição do Líbano em 1982 ocorreu no momento em que Arafat dava sinais de
querer iniciar negociações, tal como a de agora ocorre pouco depois do Hamas
e da Fatah terem acordado em propor negociações. Tal como então, foram
forjados os pretextos para a guerra. Para além de haver milhares de
palestinianos raptados por Israel (incluindo
>  ministros de um governo democraticamente eleito), quantas vezes no
passado se negociou a troca de prisioneiros?
>  Meu Caro Frank, o teu país não quer a paz, quer a guerra porque não quer
dois Estados. Quer a destruição do povo palestiniano ou, o que é o mesmo,
quer reduzi-lo a grupos dispersos de servos politicamente desarticulados,
vagueando como apátridas desenraizados em quadrículos de terreno bem
vigiados. Para isso dá-se ao luxo de destruir, pela segunda vez, um país
inteiro e cometer impunemente crimes de guerra contra populações civis.
Depois do Líbano, seguir-se-á a Síria e o Irão. E depois, fatalmente,
virar-se-á o feitiço contra o feiticeiro e será a vez do teu Israel. Por
agora, o teu país é o novo Estado pária, exímio em terrorismo de Estado,
apoiado por um imenso lobby comunicacional – que sufocantemente domina os
jornais do meu país – com a bênção dos neoconservadores de Washington e a
vergonhosa passividade a União Europeia. Sei que partilhas muito do que
penso e espero que compreendas que a minha solidariedade para com a tua luta
passa pelo boicote ao teu país. Não é
>  uma decisão fácil. Mas crê-me que, ao pisar a terra de Israel, sentiria o
sangue das crianças de Gaza e do Líbano (um terço das vítimas) enlamear os
meus passos e embargar-me a voz.
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