Regis bailux wrote:
Pessoal,
Tomando um vinho com um amigo o Ricardo Viana em porto alegre ele me
apresntou este texto de sua autoria e depois de ler algumas vezes e
continuar sem entender nada decidi compartilhar com a lista isto que
considero texto criptografic(-:


Um pequeno exercício de hérésie
Ou, como da raiz de menos um ( P-1) chegar a Um e menos um
Álgebra moderna, não entendo nada.

Ricardo Vianna Martins

No Seminário RSI, Lacan refere-se à heresia, ao mesmo tempo em que joga com a homofonia: R-S-I e "hérésie" (cuja pronúncia corresponderia a "erresi") – heresia, em francês.
Lacanianos adoram trocadilhos. Mas, diferentes dos semeióticos, acham q trocadilhos ocorrem só na linguagem. Os semióticos acham q os trocadilhos estão no mundo "natural" e tecnológico também.
São as iniciais de Real, Simbólico e Imaginário, os
três elos que compõem o nó borromeu ou cadeia borromeana, que representa a
estrutura do sujeito.
São os três estratos da lanterna da sua alma: o real é a lâmpada, o simbolico é a pele da lanterna e o imaginário é a luz e sombra que ela projeta no ambiente: a gente passa a vida vendo essa luz indireta e acha que é o mundo... besteira. Besteira maior achar que vai-se encontrar alguma lâmpada sem o resto da lanterna.

(Nó de borromeu é aquele nó que era a logomarca do Unibanco: parecem três aneis, mas é um anel só... para dizer que nossos maiores segredos são bem visíveis para os outros... só nós mesmos que não vemos. Lygia Clark: "o dentro é o fora".)
Como sabemos, este "nó" se sustenta por três aros
livres, e tem no centro o lugar do desejo, chamado de objeto a.
Na semeiótica, "objeto dinâmico": é aquela coisa q vc vai passar a vida querendo, que vc acha cada vez q é uma coisa (amor, $, glória), mas sempre tá noutro lugar. É o princípio da metonímia, que é o princípio da invenção e do aprendizado: você acha que vai agarrar a-quilo, mas vai produzindo isso, isso e mais isso.
Em "Las estructuras clínicas a partir de Lacan"  sobre a "Clínica das
estruturas ou a clínica do objeto a", mais especificamente sobre o
Significante da falta no Outro onde numa clínica que superasse a ordenação
pelo pai, lemos que "(...) a clínica do Édipo, a uma clínica mais além do
pai, mais além do Édipo, que a clínica do objeto a, não corresponderia em
substituir um significante por um objeto" (p. 62), mas, de forma neurótica,
outro significante teria de vir no lugar que seria o significante
Nome-do-Pai. Este seria, como propõe Lacan, o significante da falta no outro
[].
Diz que por mais que queiramos ser livres, vamos sempre inventar umas regrinhas para isso (para ter o que quebrar)
Assim, conforme Eidelsztein, "... este significante que falta pode, contudo
ser escrito na forma de raiz quadrada de menos um (P-1)".
Aí, fudeu. Acho um saco esses lacanianos usarem álgebra para discutir lógica. Mata todo o delírio da pesquisa em lógica!

O que é P-1?
É o que se corresponde como resposta quando se tenta transformar a incógnita
em uma equação tal como:

X2 +1 = 0

Não há nenhuma anomalia nesta última fórmula: é uma fórmula perfeitamente
ajustada às leis matemáticas. Salvo que, para que o resultado seja correto
temos que estabelecer que:

X2 = -1

O problema que se coloca é que nenhum número elevado ao quadrado pode dar
como resultado -1. Aí radica toda questão. (EIDELSZTEIN, 2001. P. 62/3)


   Eidelsztein, neste capítulo indica que "X = P-1 , não é um número, que
possa ser a resposta de tal equação. Trata-se mais de um "programa de
procedimentos". Prosseguindo nestes procedimentos, ele coloca os dois termo
da equação ao quadrado:
X2 = -1  ou
X2 +1 = 0
Até aqui, acompanhamos Eidelsztein.

A partir daí, nos ocorreu que, mesmo que nenhum número elevado ao quadrado
possa dar como resultado -1, poderíamos levar esta fórmula mais adiante e
tentar extrair dela algo mais.
Se experimentamos, mais uma vez, colocar ao quadrado os dois termos ao
quadrado, ou seja, (X2 = -1) 2, chegamos a:
X4 =1
Se tirarmos a raiz quatro (4P)  dos dois termos da equação obtemos:
4Px4 = 4P1
onde:
X= 1 ou X = – 1
E ainda X= P-1 , como vimos acima.
Curioso é que neste programa de procedimentos a partir de um número
imaginário (P-1) chegamos aos três elementos, os elos que compõem o nó:
Real: P-1 , o impossível, que não cessa de não se inscrever;
Imaginário: +1 , o Um do sentido;
Simbólico: -1, da dívida simbólica com o pai.
Contudo, só a partir de raiz de menos 1 (P-1) que podemos percorrer este
caminho, pelo menos algebricamente!

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