FF disse:

no mais, conversei há pouco com o paulo trezentos,
do caixamagica.pt, uma distro portuguesa. a questão
dele é como mostrar que software livre não é mera
questão de gastar menos. o que eu comentei é
justamente essa visão ampla, de que software livre
é cultura, e que cultura livre é um container muito
mais interessante pro linux do que as ciências da
computação.

Falando aqui deste lado, acompanhei o processo de criação da Caixa
Mágica desde o início e até entrevistei várias vezes o Paulo Trezentos
mas fiquei um bocado desiludido com o percurso que o projecto tomou
desde então: por cursos de iniciação ao Linux cobram mais de 400 euros
(http://www.caixamagica.pt/pag/c_tecn00.php#curso5) e chegam mesmo a
pedir 98 euros por uma versão desktop
(https://www2.caixamagica.pt/pag/b_aqui00.php).

Na verdade, acho que estão mais interessados em ganhar uns euros junto
das empresas e da administração pública do que nas potencialidades da
cultura livre. Mas isso é geral por aqui junto da Comunidade Linux.
Muito poucos estão conscientes da importância do software livre
enquanto meta-ideia ou canivete suiço para outras possibilidades
simbólicas, estéticas, culturais. O que vigora é a noção utilitarista
de open-source: software mais barato, eficiente, robusto e produtivo.

mas sei lá. portugal tá fraco. tem poucxs terroristas.

Fica meio lame dizer, mas Portugal é o Limbo ou Purgatório da
Europa... Ficamos empenados no século XX e em termos como eficiência,
produtividade e competitividade que não nos deixam ver o que está para
além: criatividade, cultura livre e colaboração. Para fazer uma
referência à apresentação do Felipe aqui em Lx
(http://blogs.metareciclagem.org/fff/wp-content/uploads/2006/09/Shift_ff.pdf).
não existe classe criativa em PT. E isso é mau, mesmo em termos
económicos, como diz o sociológo Richard Florida
(http://www.creativeclass.org).

até desisti de contra-invadir Lisboa. queria pegar
de volta o nosso ouro, mas antes de virar euro ele
já foi pesado pela rainha da Inglaterra e tá lá
ornando praças de londinium.

Uma parte ainda está no Banco de Portugal, à espera que o dinheiro dos
subsídios cedidos pela Europa se derreta de todo em quintas e carros
de luxo ;-)

Abraços Atlânticos,

Miguel Caetano
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