Esse livro, Cyrano, do Thomas Moore, é a uma espécie de romance filosófico
(De optimo reipublicae statu deque nova insula Utopia, 1516), que relata as
condições de vida em uma ilha desconhecida. Nessa ilha, chamada por Moore de
Utopia, a propriedade privada e a intolerância religiosa teriam sido
abolidas. Por isso, talvez, tal termo passou a designar, não apenas qualquer
tentativa análoga, como também qualquer ideal político, social ou religioso,
cuja realização seja difícil ou impossível.
Mas, considerando a utopia como algo destinado a realizar-se, ao contrário
da ideologia que não é passível de realização, sua primeira função de
favorecer uma visão crítica da realidade é, antes de mais nada, uma forma de
ação, uma vez que provoca o movimento das pessoas, em busca do
desenvolvimento de uma sociedade mais justa; uma realidade que visa
"desmascarar a falsidade da ideologia estabelecida". esse seria o fundamento
da renovação social. seria um "Princípio da Esperança" que anima o mundo.
No entanto, sua função não para por aí. A caracterização de utopia como mera
ilusão e de utópicos como sujeitos distantes da realidade, sonhadores e
alucinados, reforça uma tendência explícita da ideologia dominante na
sociedade de naturalizar a realidade existente como a única possível e
deslegitimar processos sociais com potencial de transformação. "O presente
pertence aos pragmáticos. O futuro é dos utopistas"!
Mas, diga lá, méerrrmão:
- "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta
dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que
eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso:
para que eu não deixe de caminhar".
É Du(c)AR(alh)Do o Galeano, né não?
porém, a utópica aqui nada mais é do que uma héretica e rebelde, hehehe.
besos
lelex
Em 17/11/06, [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
A eiabel tava falando da idéia de Utopia, né.
Bom, professor meu aí gastou salivas e horas-aula pra tentar convencer
de que a interpretação fossilizada de utopia é uma farsa. Gerada em
meios liberais, na época que o thomas more (morris?) inventou o troço.
Utopia é, mais ou menos, "não-lugar".
O subtítulo do livro continha algum paradoxo interno a respeito de um
tratado que não é tratado, político, sobre esse lugar-nenhum.
O cara que viajou pra lá, que me esqueci o nome, tem como nome uma
palavra grega que significaria algo como "contador de lorotas".
Hitlodonte, sei lá, alguma coisa assim.
O livro é separado em duas partes.
Na primeira há uma longa conversa entre Thomas, um amigo que lhe
apresentou o viajante, e o próprio viajante. Eles discutem a respeito
de várias coisas e nunca sai um conclusão final, nem dá para saber
qual ponto de vista o autor do livro estaria realmente defendendo. Uma
dessas discussões é a respeito do papel do pensador na Política
maiúscula, ou seja, como conselheiros de reis e essas porras todas.
O viajante xinga e desce o farrapo na tchurma, nego é teimoso, cego,
tomado pelo próprio poder, essas coisas. E a galera em volta é só um
bando de mesquinho interesseiro. Tô fora. Thomas defende que ele devia
relativizar um pouco e convencer-se de que seu papel na corte como
conselheiro era essencial, e que se apesar de ser claramente
impossível convencer o nojento grupelho de suas sábias, racionais e
bem-pesadas idéias, ao menos ele podia adotar uma "estratégia
oblíqua". Tipo, aconselhar os caras de esguela. rere
A estratégia apresentada é essa. Você fala coisas que aparentemente
são outras coisas e que vão, tortamente, pela beirada, por baixo, pela
saída ao invés da entrada, enfim, de algum jeito imperceptível acabam
entrando na cabeça da galera e fazendo algum efeito pra melhorar o que
tava horrível. Se não dá pra ser perfeito, ao menos faça sua parte pra
não se tornar catastrófico. Seria esse o papel do sábio diante dos
governos.
Tem um exemplo no primeiro livro. Em algum texto Platão conta de sua
visita a um imperador na casadocarái, ele fica morando lá uns tempos e
aconselhando o cara, explicando as tiuría dele, quase é morto de tanto
falar asneira, sai fora e depois fica sabendo que o tal imperador
transformou suas idéias num livro e numa doutrina pro próprio império.
Obviamente, distorcendo tudo até gritar. Os três conversantes do
primeiro livro concordam no horror dessa possibilidade, ter suas
idéias transformadas em doutrina por um tirano...
E aí estão as dicas para ler o segundo livro. :)
_______________________________________________
Lista de discussão da MetaReciclagem
Envie mensagens para [email protected]
http://lista.metareciclagem.org