eu não tenho qualificação para dar aula em universidades, Cyrano, o único título que tenho é o de eleitor, ah! tem também o de campeão na libertadores da américa, hehehe, e de campeão moral no futebol brasileiro. :))
e, isso saiu da boca do galeano, numa fala dele, acho que no 3º FSM...ou, talvez, de algum artigo que ele escreveu e eu recebi... vou dar uma verificada... agora, tem uma história que o galeano conta no livro dele "De Pernas Para o Ar". Diz que um argentino escreveu num muro de Buenos Aires... eu não me lembro mais a frase... mas é algo assim: "se vc é rico, devora um pobre por semana, que a médio prazo nós acabamos com a pobreza". Enfim, esse argentino expressou sua fórmula, sua utopia, para acabar com a pobreza, já que desejava uma sociedade equilibrada, sem desigualdades, etc... agora, as soluções democráticas, ideológicas, são mais complexas. Nós temos um conjunto de vacas sagradas fantástico, que são todas da santa burocracia. É evidente que nós precisamos de uma mudança nas várias peças do jogo, nas várias engrenagens. Agora, saca essa, primo. teu profi te revelou um caminho para uma descoberta encantadora. o cara não é de todo mau. pode ser atrapalhado das idéias... mas é meio assim que nem a gente... brincar com idéias... Por enquanto, vamo-nos. Daqui a pouco (ou depois), voltamos. Acho que não cometo nenhuma heresia se disser que Rorty é um filófoso americano de atualidade. Ele chama a atenção nos seus estudos sobre linguagem, sobre a teoria do conhecimento, para o fato de que o ser humano contemporâneo, o homem e a mulher, não pensam mais por representações e proposições, mas pensam por imagens e metáforas. Eu acho que isso está um pouco ligado ao que diz um outro cientista social, um outro pensador alemão, Hans Magnus Enzensberger, no sentido de que todo mundo é um pouco analfabeto. Ele faz a classificação em analfabeto primário e analfabeto secundário e ele chama a atenção para o fato de que o saber se desenvolveu de tal forma, nos últimos séculos, que é impossível a uma pessoa acompanhá-lo. Aristóteles sabia tudo, mas aristóteles, se existisse hoje, não saberia tudo. Então, diz Hans magnus Enzch..ger, que nós somos muito sábios em algumas coisas e analfabetos secundários em outras. Esse é o grande problema porque, de repente, os sujeitos tiram um curso de medicina e acham que sabem outras coisas que não a medicina, sem sequer se preparar para esse saber. ao tempo, tem outros que não reconhecem que nem todos, veja bem, NEM TODOS os bons intelectuais que estão lutando contra o APOCALIPSE, estão dentro ou vinculados lateralmente à academia. Bacharel não pode ser intelectual e intelectual não pode ter apenas segundo grau. Nada adianta ter título de eleitor... e, apavorada com a idéia de velocidade como um valor intrinsecamente positivo, esse argumento de que "acadêmico" é merda só serviu pra refrear a resistência no interior das Universidades. Tem uma cultura do "simples" que vai na onda e não pensa nada, simulacro de sinônimo de pobre, que é FASCISTA E POPULISTA. Agradar a todos, todavia, é impossível. Eu fico apavorada com a idéia, por exemplo, de velocidade na emissão de mensagens, como uma valor herdeiro da postura libertária, do lado bom do anarquismo, da postura revolucionária. Quem pensa que anarquismo tem a ver, historicamente, com desordem e caos é a direita clássica! Para o movimento anarquista ter a importância que teve na guerra civil espanhola e nos movimentos operários do início do século XX, para ficar só no século XX, ele só poderia ter sido muito, muito organizado e atento. Quando a tradição revolucionária fala em destruir algo, ou desmanchar uma estrutura, sempre se refere a colocar outra no lugar! daí, que é de se desconfiar, mesmo, de professores universitários, titulados, hehehe, que fazem isso de atirar textos e deixar tudo cair numa mistureba, sem que se contruam diálogos bem refletidos e pensados, é, simplesmente, esquizofrênico, para dizer o menos. é pedra. ÁGUA MOLE EM PEDRA DURA TANTO BATE QUE FORMA UMA ESCULTURA. Agora pensar - gente! - não acaba nunca, uma defesa natural, uma maneira de temperar com um pouco de descontração uma discussão que não tem razão de ser áspera, severa, jurídica, desagradável. A "Passionária", uma velha comunista do comitê central do PC espanhol, nos tempos da guerra civil, chamava todo o comitê de estúpidos e burros, volta e meia. acho que é por aí, Cyrano, esse é o caminho das pedras... e as pedras no caminho? elas ficarão, eu passarinho! ( -gracias, tio Mario.) Na vida pessoal eu adoro, de paixão, o meio papel. Nós, dos livros, vamos derrubar os pós-modernos e neo-nazistas da internet. Esta história de "simulacro do real" e etc... se não for bem lida dá merda. O real existe e muito contundente. A mídia não substitue o real embora o emporcalhe de acontecimentos bizarros e barrocos. Se não fosse trágico, não seria cômico. Nós estamos na selva, na predação sem lei. A grande aventura, agora, é pensar, refletir e estudar soluções para a falta de um bom destino que vivem os humanos. Sobre o que pode ser uma nova sociedade totalmente diferente e na qual a gente não gostaria de viver; Sobre se é o fim do Homo Sapiens Sapiens, com seria o novo homem. Sobre se há uma virilidade a ser preservada, sem a característica de ataque, mas com a característica de invasão, por exemplo. ...báh! ultrapassei... lele Em 18/11/06, [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
Cê num quer vir dar aula na UFMG não? Se saiu muito melhor que meu professor! Sabe de qual livro do Galeano saiu isso? Tõ afim de conhecê-lo mas não sei por onde começar... :) cyrano eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]> disse: > Esse livro, Cyrano, do Thomas Moore, é a uma espécie de romance filosófico > (De optimo reipublicae statu deque nova insula Utopia, 1516), que relata as > condições de vida em uma ilha desconhecida. Nessa ilha, chamada por Moore de > Utopia, a propriedade privada e a intolerância religiosa teriam sido > abolidas. Por isso, talvez, tal termo passou a designar, não apenas qualquer > tentativa análoga, como também qualquer ideal político, social ou religioso, > cuja realização seja difícil ou impossível. > > Mas, considerando a utopia como algo destinado a realizar-se, ao contrário > da ideologia que não é passível de realização, sua primeira função de > favorecer uma visão crítica da realidade é, antes de mais nada, uma forma de > ação, uma vez que provoca o movimento das pessoas, em busca do > desenvolvimento de uma sociedade mais justa; uma realidade que visa > "desmascarar a falsidade da ideologia estabelecida". esse seria o fundamento > da renovação social. seria um "Princípio da Esperança" que anima o mundo. > > No entanto, sua função não para por aí. A caracterização de utopia como mera > ilusão e de utópicos como sujeitos distantes da realidade, sonhadores e > alucinados, reforça uma tendência explícita da ideologia dominante na > sociedade de naturalizar a realidade existente como a única possível e > deslegitimar processos sociais com potencial de transformação. "O presente > pertence aos pragmáticos. O futuro é dos utopistas"! > > Mas, diga lá, méerrrmão: > > - "A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta > dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que > eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: > para que eu não deixe de caminhar". > É Du(c)AR(alh)Do o Galeano, né não? > > porém, a utópica aqui nada mais é do que uma héretica e rebelde, hehehe. > > besos > lelex > > > > > > Em 17/11/06, [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]> escreveu: >> >> A eiabel tava falando da idéia de Utopia, né. >> >> Bom, professor meu aí gastou salivas e horas-aula pra tentar convencer >> de que a interpretação fossilizada de utopia é uma farsa. Gerada em >> meios liberais, na época que o thomas more (morris?) inventou o troço. >> >> Utopia é, mais ou menos, "não-lugar". >> >> O subtítulo do livro continha algum paradoxo interno a respeito de um >> tratado que não é tratado, político, sobre esse lugar-nenhum. >> >> O cara que viajou pra lá, que me esqueci o nome, tem como nome uma >> palavra grega que significaria algo como "contador de lorotas". >> Hitlodonte, sei lá, alguma coisa assim. >> >> O livro é separado em duas partes. >> >> Na primeira há uma longa conversa entre Thomas, um amigo que lhe >> apresentou o viajante, e o próprio viajante. Eles discutem a respeito >> de várias coisas e nunca sai um conclusão final, nem dá para saber >> qual ponto de vista o autor do livro estaria realmente defendendo. Uma >> dessas discussões é a respeito do papel do pensador na Política >> maiúscula, ou seja, como conselheiros de reis e essas porras todas. >> >> O viajante xinga e desce o farrapo na tchurma, nego é teimoso, cego, >> tomado pelo próprio poder, essas coisas. E a galera em volta é só um >> bando de mesquinho interesseiro. Tô fora. Thomas defende que ele devia >> relativizar um pouco e convencer-se de que seu papel na corte como >> conselheiro era essencial, e que se apesar de ser claramente >> impossível convencer o nojento grupelho de suas sábias, racionais e >> bem-pesadas idéias, ao menos ele podia adotar uma "estratégia >> oblíqua". Tipo, aconselhar os caras de esguela. rere >> >> A estratégia apresentada é essa. Você fala coisas que aparentemente >> são outras coisas e que vão, tortamente, pela beirada, por baixo, pela >> saída ao invés da entrada, enfim, de algum jeito imperceptível acabam >> entrando na cabeça da galera e fazendo algum efeito pra melhorar o que >> tava horrível. Se não dá pra ser perfeito, ao menos faça sua parte pra >> não se tornar catastrófico. Seria esse o papel do sábio diante dos >> governos. >> >> Tem um exemplo no primeiro livro. Em algum texto Platão conta de sua >> visita a um imperador na casadocarái, ele fica morando lá uns tempos e >> aconselhando o cara, explicando as tiuría dele, quase é morto de tanto >> falar asneira, sai fora e depois fica sabendo que o tal imperador >> transformou suas idéias num livro e numa doutrina pro próprio império. >> Obviamente, distorcendo tudo até gritar. Os três conversantes do >> primeiro livro concordam no horror dessa possibilidade, ter suas >> idéias transformadas em doutrina por um tirano... >> >> E aí estão as dicas para ler o segundo livro. :) >> _______________________________________________ >> Lista de discussão da MetaReciclagem >> Envie mensagens para [email protected] >> http://lista.metareciclagem.org >> _______________________________________________ Lista de discussão da MetaReciclagem Envie mensagens para [email protected] http://lista.metareciclagem.org
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