Gurizadinha,
na boa, quem paga imposto, quem tem que compar material escolar, quem sabe
pra onde vai mesmo todo o dinheiro público, não acha otário não. Tá certo
que o autor da carta ainda vive sob efeito de que o Estado é pai, patrão,
talvez ele seja correligionário de Getulio Vragas, mas faz sentido tal
desabafo... eu sei como faz falta toda grana que a gente é obrigado entregar
pro bando de jagunços pré-modernos que estão no poder...

Vivemos sob uma chuva ininterrupta de imagens; os meios de comunicaçao
todo-poderosos não fazem outra coisa senão transformar o mundo em imagens,
multiplicando-o numa fantasmagoria de jogos de espelhos - imagens que em
grande parte são destituídas da necessidade interna que deveria caracterizar
toda imagem, • como forma e como significado, com força de impor-se à
atenção, como riqueza de significados possíveis.

Grande parte dessa nuvem de imagens se dissolve imediatamente como os sonhos
que não deixam traços na memória; o que não se dissolve é uma sensação de
estranheza e mal-estar. Mas talvez a inconsistência não esteja somente/na
linguagem e nas Imagens: está no próprio mundo. O vírus ataca a vida das
pessoas e a história das nações, torna todas as histórias informes,
fortuitas, confusas, sem princípio nem fim. Meu mal-estar advém da perda de
forma que constato na vida, à qual procuro opor a única defesa que consigo
imaginar: uma idéia da literatura. (Ítalo Calvino)

Assim como o mundo da grande mídia ganhou vida própria e desligada do real
de nossas vidas, parece que as instituições também tem um sentido que escapa
às necessidades das pessoas concretas. O maior sofrimento parece advir da
falta de sentido de algum esforço. Muitas pessoas encontram no álcool, ou em
outro tipo de droga legal ou ilegal, uma solução anestesiante para diminuir
o seu sentimento de impotência diante dos graves problemas de nossa atual
civilização. Talvez eu seja uma delas e talvez seja esse o meu único destino
possível. Se, no entanto, escolher se defender dos grandes e silenciosos
absurdos; se  tentar, como Ítalo Calvino, uma forma de se opor, então começo
pela atitude mais simples.

Flaubert dizia que o bom Deus está no detalhe.

Você trabalha 8 horas, digamos que durma mais 8 horas e gaste 5 horas em
deslocamento, higiene e alimentação. Sobram três pequenas horas nas quais
você pode arrancar do mundo alguma autonomia para a sua atitude.

Vivemos em uma civilização agonizante. Como diz Leonardo Boff, por toda
parte apontam sintomas que sinalizam grandes devastações no planeta Terra e
na humanidade. O projeto de crescimento material ilimitado, mundialmente
integrado, sacrifica 2/3 da humanidade, extenua recursos da Terra e
compromete o futuro das gerações vindouras. A irracional idade dos
procedimentos em seu local de trabalho está ligada e inclusa dentro dessa
crise civilizacional. Um budista lhe diria que o que você vive não é real.
Foi tudo inventado pelo homem e por ele pode ser modificado.

Imagine que nós vamos conseguir sair dessa, que vamos construir novas formas
de convivência que garantam o respeito e a preservação de tudo o que existe
e vive. Talvez essa cura do mundo se realize durante os próximos 3 séculos.
Ela vai aparecer como realidade predominante somente para os descendentes de
nossos netos. Mas essa cura não acontecerá se não for esboçada hoje. Se
houver uma chance da vida vencer esta guerra e esta chance for usada, a
eternidade estará garantida e estará posta em um futuro um pouco distante.

Se você achar uma maneira de usar as 3 pequenas horas que lhe sobram de seu
martírio moderno, no sentido de dar a elas algum significado vital, estará
tecendo um pequeno fio entre você e a eternidade. Neste caso, você verá que
3 horas por dia, para subverter a tendência de morte e impor a "Veracidade
da Vida. são 3 longas horas. em sonhos profundos... nos dias de hoje, a
gente paga imposto até prá dormir, sonhar, pensar...cada produto consumido
está ali embutido IMPOSTO... um dia todo mundo paga imposto.

besos
lelex

Em 13/04/07, glerm soares <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:



Em 13/04/07, Cyrano . <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> Que papo de otário.




poizé... o cara não ta pedindo nada mais do que morar na China.

" não tenho mais nada a oferecer além do meu trabalho"

que tipo de "trabalho"? qualquer um contanto que o governo (no caso que
ele almeja) ou o mercado (no caso que ele lamenta) me sustentem?

e os 27,5% (ou os 72,5) ele gastaria em que? pra que serve esse capital
acumulado num mundo conformista que ele ta sugerindo?

essa carta só teria o mínimo de sentido se ele falasse sobre o tal
"trabalho".

haha e ainda pede que  governo pague "-Lazer"

imagine eu dando nota fiscal de festa pros burocrata


"Materias Escolares" é aqui, só chegar freguesia.





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