"Quanto à máquina de guerra [nômade] em si mesma, parece efetivamente
irredutível ao aparelho de Estado, exterior a sua soberania, anterior a seu
direito: ela vem de outra parte"
Deleuze e Guattari

Existem instâncias legitimadoras do discurso, e é natural que existam, que
autorizam os discursos segundo seus critérios. É natural também a
necessidade de se erigirem fronteiras, apensar do discurso
desterritorializado. As interfaces são intermédios mais porosos, mais moles
e menos violentos que as fronteiras, mas as fronteiras continuam em voga, e
surgindo até de onde se espera uma interface.

O discurso legitimado pode enrijecer as interfaces e dificultar adoção de
uma  multiplicidade de táticas como estratégia na disputa contra-hegemônica.
Mas é legítimo que este seja reclamado. Respeitar a diversidade é uma
necessidade moderna, e a diversidade implica a identidade, construída na
diferença e no processo de individuação.

A civilização tentou banir o paradoxo através da ciência, uma luta inglória,
cuja vitória de Pirro aconteceu com o teorema de Gödel e com a lógica
para-consistente. Mas essa luta deixou um rastro moral, de incluir no rol
dos pecados a contradição. E até hoje coramos e assoviamos quando agimos de
uma maneira diversa do discurso proferido, pois em nossas redes cognitivas a
contradição é pecado.

Parece que Nitxe acertou quando disse que o cristianismo é um platonismo
para as massas. E ainda continuamos alimentando os sonhos de novos messias
cada vez mais rebeldes, como a realidade parece nos exigir. Os novos messias
digitais podem lançar mão das cercas como interface de seu rebanho com o
resto do mundo. Ou podem optar pelo cultivo de belos jardins, tão belos que
niguém ousará pisar em tais obras de arte.

Para os Orixás, reciprocidade é um triplo movimento: dar, receber e
retribuir. Por hoje damos o que temos, recebemos tudo de bom grado e nos
esforçamos para retribuir. Como a fé move montanhas, cultivo uma crença na
cultura colaborativa, e estou disposto a doar ao multirão proposto meu
esforço.

O coletivo se faz na diferença, no respeito à diversidade. E para cultivar a
diversidade é preciso entender a necessidade da formação de identidades, que
em algum momento podem optar, ou não, por excluir as diferencas. Para fazer
isso e manter o sono a noite é só excluir a contradição do rol dos pecados.
Ou excluir o perdão do rol das virtudes, tanto faz.

Como diz o Dito: Nas mãos de quem oferece flores sempre resta um pouco do
perfume...

Relendo, discordo de tudo que escrevi... vou para o inferno e já volto!

Abraços,

Edgard


Em 01/03/08, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> 2008/2/26 eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]>:
>
> > mas, ainda acho que deveria ter uma certidão de nascimento, é prá isso
> que
> > servem instrumentyos e ferramentas jurídicas, prá não deixar a gente de
> bobo
> > na história.
>
>
> voltando no assunto depois de uns dias... acho interessante pensar
> em ações que ajudem a manter o legado que foi construído de
> maneira coletiva... tem dois tipos básicos de equívocos que eu
> vejo aparecendo por aí. o primeiro é oportunista, e quem leva ele
> adiante são os navegadores de hype, aquelas pessoas que têm
> uma compreensão rasa e acham que já viram tudo, e a partir daí
> passam a se utilizar, no nosso caso, do nome 'metareciclagem'
> pra vender seus próprios peixes, sem nenhum esforço de compartilhar
> e socializar o que fazem. digo no nosso caso, porque esse tipo
> oportunista de apropriação  (ó como essa expressão muda de lado)
> também acontece na vizinhança: "tv livre" sem liberdade, "rádio livre"
> sem contextualização, a onda toda de governos usando argumentos
> financeiros pra usar software livre (economia de grana com licenças,
> ao invés de investir em desenvolvimento), e por aí vai. o segundo
> tipo de equívoco me incomoda menos: pessoas que ouviram falar
> de metareciclagem, por um amigo, blog, e-mail, ou até na TV, olhe
> só... e entenderam um pedaço. já vi fazendo isso pessoas que têm
> uma grande curiosidade por mergulhar dentro dos funcionamentos
> tecnológicos e simbólicos das máquinas de letras e números, como
> diz a Wan. pessoas que viram um pedaço e gostaram, e que podem
> ir mais fundo com isso.
>
> a meu ver, em nenhum dos dois casos 'meios formais' pra deixar
> claro o que é a MetaReciclagem servem de alguma coisa. digo,
> o procedimento da GPL, de registrar para manter público, é um
> ato simbólico interessante - se mais pessoas acharem válido, a
> gente pode pensar em alguma maneira coletiva de gerenciar isso,
> apesar de eu preferir o caos. mas de qualquer forma, acho que
> é necessário fazer mais. se ainda tem gente que acredita que
> metareciclagem é mais do que desmontar computadores e
> instalar linux, o que falta é mais gente usar esse nome pra
> taguear suas coisas. e mais gente propor coisas com esse
> nome. eu tô começando a criar a minha resposta pra essa
> questão, com o mutirão da gambiarra - acho que um esforço
> coletivo de documentação da MetaReciclagem, depois de 5
> anos em ação, é uma parte desse esclarecimento em duas
> frentes: que metareciclagem é mais do que instalar linux em
> computador velho; e que metareciclagem é uma rede, uma
> criação coletiva, que se desenvolveu num processo divertido
> e gostoso, que não se pode associar ao nome do primeiro
> navegador de hype que aparecer.
>
> a quem quiser ajudar, tô preparando a feijuca pra começar
> o mutirão. tragam suas bebidas.
>
>
> --
>
> FelipeFonseca
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