No livro "O que é Filosofia", Deleuze e Guatarri dizem, sobre os
conceitos, algo mais ou menos (bem mais ou menos) assim:

Os conceitos são agenciamentos de idéias que podem produzir acontecimentos.

ctrl+c, ctrl+v: https://sistemas.usp.br/fenixweb/fexDisciplina?sgldis=5945116
"Partindo da concepção deleuze-guattariana, comentada por Gallo
(2005), do conceito como "agenciamento", dispositivo ou ferramenta,
criado, inventado a partir de condições dadas e que só opera no âmbito
destas condições. Donde se deduz que o conceito não indica ou aponta
uma suposta verdade, mas, ao contrário, produz o pensamento sobre uma
dada realidade, produz novos conceitos e, sobretudo, produz
"acontecimentos", na medida em que recorta o "acontecimento" e o torna
possível. E diante da recomendação, pelos autores, de que importa
menos ao conceito ser compreendido, do que ser ou não operativo para o
nosso pensamento, nos fazer pensar, em lugar de paralisar o
pensamento; de que importa a afinidade com um certo conceito que se
produz pelo fato dele ser capaz de "agenciar" certas possibilidades"

Os conceitos que agenciam, e são agenciadas por, metafóras e poesias
não explicam nada, mas tornam os acontecimentos bem possíveis. O
registro dos agenciamentos acontece na rede cognitiva, e a forma de
constituição do agenciamento parece importar tanto, ou mais que, o seu
conteúdo.

Se há resistência para a constituição do conceito, esta resistência já
gravita em torno do agenciamento deste próprio conceito, já é parte
inseparável deste. Se há colaboração para a construção do conceito,
ela já gravita na núvem conceitual que está sendo construída.

Algumas idéias e práticas atraem outras, e a rede conceitual vai se
formando pela ação dos seus nós, que seguem atraindo e repelindo. Os
agenciamentos acontecem a despeito, e para além, dos agentes de sua
núvem.

Muitas vezes estes agenciamentos acontecem de maneira maquínica. Se,
cada vez mais imersos na indústria cultural, somos máquinas
desejantes, nossos desejos se agenciam como máquinas conceituais
nômades.

Como uma máquina de guerra poética nômade, uma zôna autônoma
temporária, seus conceitos e agentes vão ficando pelo tempo, enquanto
novos aderem e se descolam, em uma eterna reciclagem rumo ao retorno
do que nunca partiu.

Evoé,

Edgard

Em 03/03/08, eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> em sua época, nietzsche chamou a atenção pelo fato de ter matado deus. Pouco 
> depois pelo fato de terem suas idéias sido apropriadas pelo III reich. Atual, 
> o filósofo agora é lido essencialmente no que foi sempre: um ser que valoriza 
> o devir. Fragmentadas as suas páginas, interpreta-se Nietzsche tantas vezes 
> qtas forem possíveis. Culpa dele próprio por ter configurado essa babelesca 
> fórmula de ser do ser.
>
> mas, que tem que ter um registro de que metareciclagem não saiu da cartola de 
> qualquer magico junto com os coelhos, isso eu ainda acho que deveria.
>
> de boa, prá mim é muito claro que metareciclagem surgiu a partir do metafora, 
> acho que é pegar os metaforas e mais os bem seguintes que surgiram e 
> registrar a criança, de uma maneira que fique bem claro que os demais, que 
> v~em depois, não jogaram a cria fora junto com a agua do banho...
>
> besos
>
> tentando concluir um artigo sobre direito que acho que nem vai mais ser 
> aceito, hehehehe
>
> lelex
>
>
> Em 03/03/08, Edgard Piccino <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
>
> > "Quanto à máquina de guerra [nômade] em si mesma, parece efetivamente 
> > irredutível ao aparelho de Estado, exterior a sua soberania, anterior a seu 
> > direito: ela vem de outra parte"
> >  Deleuze e Guattari
> >
> > Existem instâncias legitimadoras do discurso, e é natural que existam, que 
> > autorizam os discursos segundo seus critérios. É natural também a 
> > necessidade de se erigirem fronteiras, apensar do discurso 
> > desterritorializado. As interfaces são intermédios mais porosos, mais moles 
> > e menos violentos que as fronteiras, mas as fronteiras continuam em voga, e 
> > surgindo até de onde se espera uma interface.
> >
> > O discurso legitimado pode enrijecer as interfaces e dificultar adoção de 
> > uma  multiplicidade de táticas como estratégia na disputa 
> > contra-hegemônica. Mas é legítimo que este seja reclamado. Respeitar a 
> > diversidade é uma necessidade moderna, e a diversidade implica a 
> > identidade, construída na diferença e no processo de individuação.
> >
> > A civilização tentou banir o paradoxo através da ciência, uma luta 
> > inglória, cuja vitória de Pirro aconteceu com o teorema de Gödel e com a 
> > lógica para-consistente. Mas essa luta deixou um rastro moral, de incluir 
> > no rol dos pecados a contradição. E até hoje coramos e assoviamos quando 
> > agimos de uma maneira diversa do discurso proferido, pois em nossas redes 
> > cognitivas a contradição é pecado.
> >
> > Parece que Nitxe acertou quando disse que o cristianismo é um platonismo 
> > para as massas. E ainda continuamos alimentando os sonhos de novos messias 
> > cada vez mais rebeldes, como a realidade parece nos exigir. Os novos 
> > messias digitais podem lançar mão das cercas como interface de seu rebanho 
> > com o resto do mundo. Ou podem optar pelo cultivo de belos jardins, tão 
> > belos que niguém ousará pisar em tais obras de arte.
> >
> > Para os Orixás, reciprocidade é um triplo movimento: dar, receber e 
> > retribuir. Por hoje damos o que temos, recebemos tudo de bom grado e nos 
> > esforçamos para retribuir. Como a fé move montanhas, cultivo uma crença na  
> > cultura colaborativa, e estou disposto a doar ao multirão proposto meu 
> > esforço.
> >
> > O coletivo se faz na diferença, no respeito à diversidade. E para cultivar 
> > a diversidade é preciso entender a necessidade da formação de identidades, 
> > que em algum momento podem optar, ou não, por excluir as diferencas. Para 
> > fazer isso e manter o sono a noite é só excluir a contradição do rol dos 
> > pecados. Ou excluir o perdão do rol das virtudes, tanto faz.
> >
> > Como diz o Dito: Nas mãos de quem oferece flores sempre resta um pouco do 
> > perfume...
> >
> > Relendo, discordo de tudo que escrevi... vou para o inferno e já volto!
> >
> > Abraços,
> >
> > Edgard
> >
> >
> >
> > Em 01/03/08, Felipe Fonseca <[EMAIL PROTECTED]> escreveu:
> > >
> > > 2008/2/26 eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]>:
> > >
> > > > mas, ainda acho que deveria ter uma certidão de nascimento, é prá isso 
> > > > que
> > > > servem instrumentyos e ferramentas jurídicas, prá não deixar a gente de 
> > > > bobo
> > > > na história.
> > >
> > >
> > > voltando no assunto depois de uns dias... acho interessante pensar
> > >  em ações que ajudem a manter o legado que foi construído de
> > > maneira coletiva... tem dois tipos básicos de equívocos que eu
> > > vejo aparecendo por aí. o primeiro é oportunista, e quem leva ele
> > > adiante são os navegadores de hype, aquelas pessoas que têm
> > >  uma compreensão rasa e acham que já viram tudo, e a partir daí
> > > passam a se utilizar, no nosso caso, do nome 'metareciclagem'
> > > pra vender seus próprios peixes, sem nenhum esforço de compartilhar
> > > e socializar o que fazem. digo no nosso caso, porque esse tipo
> > >  oportunista de apropriação  (ó como essa expressão muda de lado)
> > > também acontece na vizinhança: "tv livre" sem liberdade, "rádio livre"
> > > sem contextualização, a onda toda de governos usando argumentos
> > >  financeiros pra usar software livre (economia de grana com licenças,
> > > ao invés de investir em desenvolvimento), e por aí vai. o segundo
> > > tipo de equívoco me incomoda menos: pessoas que ouviram falar
> > > de metareciclagem, por um amigo, blog, e-mail, ou até na TV, olhe
> > >  só... e entenderam um pedaço. já vi fazendo isso pessoas que têm
> > > uma grande curiosidade por mergulhar dentro dos funcionamentos
> > > tecnológicos e simbólicos das máquinas de letras e números, como
> > > diz a Wan. pessoas que viram um pedaço e gostaram, e que podem
> > >  ir mais fundo com isso.
> > >
> > > a meu ver, em nenhum dos dois casos 'meios formais' pra deixar
> > > claro o que é a MetaReciclagem servem de alguma coisa. digo,
> > > o procedimento da GPL, de registrar para manter público, é um
> > >  ato simbólico interessante - se mais pessoas acharem válido, a
> > > gente pode pensar em alguma maneira coletiva de gerenciar isso,
> > > apesar de eu preferir o caos. mas de qualquer forma, acho que
> > > é necessário fazer mais. se ainda tem gente que acredita que
> > >  metareciclagem é mais do que desmontar computadores e
> > > instalar linux, o que falta é mais gente usar esse nome pra
> > > taguear suas coisas. e mais gente propor coisas com esse
> > > nome. eu tô começando a criar a minha resposta pra essa
> > >  questão, com o mutirão da gambiarra - acho que um esforço
> > > coletivo de documentação da MetaReciclagem, depois de 5
> > > anos em ação, é uma parte desse esclarecimento em duas
> > > frentes: que metareciclagem é mais do que instalar linux em
> > >  computador velho; e que metareciclagem é uma rede, uma
> > > criação coletiva, que se desenvolveu num processo divertido
> > > e gostoso, que não se pode associar ao nome do primeiro
> > > navegador de hype que aparecer.
> > >
> > > a quem quiser ajudar, tô preparando a feijuca pra começar
> > >  o mutirão. tragam suas bebidas.
> > >
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