po galera, to encaminhando essa mensagem por que é foda o barulho...
como se nao bastasse ter arrancado de nossas terras, trabalho forçado,
tronco, estupro, destruicao de nossa cultura.. mais de 500 anos depois
ainda somos perseguidos e nao compartilhamos das riquezas dos pais..
nem ao menos casa digna, educacao, comida e saude.

"somos não-violentos com aqueles que são não-violentos conosco; 
deixamos de ser não violentos quando um dos nossos é violentado". 
Malcoml X

banto = contemporaneo homem preto


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Uma amiga baiana me contou, na quarta-feira passada, que o terreiro de
candomblé *Oyá Onipó Neto*, um dos mais antigos de Salvador, foi *destruído
por agentes da 
prefeitura*<http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=844491>ligados
à Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do
Município (Sucom). O argumento foi que o terreiro ocupava um trecho ilegal
da avenida Jorge Amado. A ialorixá *Rosalice do Amor Divino*, conhecida como
*Mãe Rosa* (*foto*), tentou argumentar mostrando o documento de posse da
terra - que lhe pertence há 28 anos! Ela tinha a prova de que estava dentro
da lei. Não adiantou: os tratores começaram a demolir a casa cinco minutos
após chegarem ao local. E sem apresentar ordem judicial para isso.
.
*Mãe Rosa* já havia denunciado atos de *intolerância
religiosa*<http://www.atarde.com.br/cidades/noticia.jsf?id=842507>por
parte de seu vizinho, Silvio Roberto Ferreira Bastos, não por acaso
engenheiro da Sucom. Segundo ela, o sujeito - que seria ligado à Igreja
Universal do Reino de Deus - vinha manifestando o desejo de derrubar seu
imóvel há alguns meses. "Ele me via na rua e me chamava de lixo, cuspia em
mim... Mas só discutimos uma vez, pois não gosto de briga", disse aos
prantos a ialorixá, desconsolada, diante do que sobrou de sua casa de santo.

.
A ação da Prefeitura teve início por volta das 8h30, quando filhos de santo
ainda estavam dentro da casa, realizando trabalhos espirituais. Os
funcionários do Sucom não permitiram que eles retirassem seus pertences e os
objetos de culto. Quartinhas, louças, assentamentos de orixás foram
destruídos como nada fossem, como nada significassem. Estilhaçados como
fossem meros fetiches, simples ornamentos que podem ser comprados novamente,
na primeira esquina. A ação da Prefeitura foi de extrema violência, além de
ser inconstitucional.
.
A demolição do *Oyá Onipó Neto* fere não apenas o direito à liberdade
religiosa, mas ataca um dos maiores patrimônios culturais da Bahia.
Representantes de entidades de direitos humanos e do movimento negro foram
chamados às pressas, mas não puderam evitar o pior. Depois que mais da
metade da casa havia sido destruída, veio a ordem direta do prefeito para
suspender a demolição. "Houve falha na Sucom e ela será apurada", foi o que
disse apenas o prefeito João Henrique Carneiro (que é evangélico), sem dar
maiores explicações.
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O triste episódio, porém, não diz somente do preconceito contra as religiões
afro-brasileiras, mas também à sanha da especulação imobiliária. Conheço
várias casas de candomblé e umbanda que passam pela mesma situação em
Campinas: elas chegam primeiro, ajudam a povoar e dar identidade ao bairro;
então a cidade cresce e as casas de santo ficam isoladas, espremidas entre
prédios residenciais e comerciais. Os novos moradores começam a reclamar do
som dos atabaques e os empreendedores têm a solução: fechar os terreiros e
construir novos prédios em seu lugar. Com a *Oyá Onipó* foi assim: quando
ela foi fundada em 1980, o trecho do Imbuí era um descampado. A casa de
santo era o ponto de referência do bairro. Hoje o Imbuí virou bairro nobre e
a casa de Mãe Rosa está ao lado de um shopping center. Segundo a ialorixá, o
empreendimento manifestou o desejo de ampliar suas estruturas até 2009. E o
terreiro estaria na área pretendida.
.
A pergunta é: quais as chances de um caso como este acontecer com uma igreja
cristã? Uma igrejinha católica, por menor que seja, seria demolida de
maneira tão rápida e arbitrária? Um templo da Universal, que muitas vezes
ocupa ilegalmente o solo, seria destruído sem ordem judicial? Então, por que
coisas assim continuam a acontecer, freqüentemente, com as religiões
afro-brasileiras? Um dos problemas é que a maioria das pessoas ainda não
consegue enxergar o candomblé como uma religião tão digna e complexa quanto
as outras. Além dos cômodos, todo o material utilizado nos quartos para
obrigação religiosa foi destruído. No chão, blocos e concreto misturavam-se
com *ibás*.
.
O *ibá*, no candomblé, é a representação material do orixá e reúne sobre um
conjunto de louças os otás (pedras onde são "fixados o orixás"). Chamado de
*assentamento*, o ibá contém as insígnias principais dos orixás, como
moedas, búzios, além de pratos e colheres de pau utilizados para oferecer
alimentos às entidades. Seriam os elementos que compõe a sacristia do templo
e que possuem grande simbologia para o povo de santo. São, portanto, objetos
sagrados, que sequer podem ser vistos por pessoas que não são iniciadas no
culto. A Prefeitura de Salvador, porém, destruiu 38 ibás. Jogados, partidos
ao chão, como se fossem brinquedos. Alguns ibás pertenciam a filhos de santo
em período de obrigação, o que torna a coisa ainda mais grave.
.
O problema, meus amigos, é que o candomblé ainda não é tratado como
religião. A maioria ainda ignora tratar-se de uma religião milenar (suas
raízes têm mais de 5 mil anos), com liturgia própria, fundamentos,
mitologia, segredos invioláveis. O candomblé é visto, via de regra, como
seita, magia negra, fetiche tribal, manifestação exótica. Esta visão míope,
medíocre, tacanha, vil e criminosa, legitima de certa forma atitudes como
esta que aconteceu contra o terreiro de *Mãe Rosa*.
.
A igreja do bispo Edir Macedo, que está *processando uma
jornalista*<http://www.direitoacomunicacao.org.br/novo/content.php?option=com_content&task=view&id=2639>da
*Folha de S. Paulo* - pela mesma ter classificado a Igreja Universal como
"seita" em uma reportagem - também define o candomblé como "seita" em suas
publicações. *Basta ler qualquer
panfleto*<http://www2.correioweb.com.br/cw/2001-11-05/mat_19429.htm>,
jornal ou acessar o site da Universal. O candomblé não é somente chamado de
"seita", mas seus zeladores e zeladoras, pais e mães de santo, são tratados
como representantes do demo na Terra. Quem não se lembra, por exemplo, do
livro *Orixás, Caboclos e Guias - Deuses ou
Demônios?*<http://www.bispomacedo.com.br/livros2.jsp?codigo=3550>,
escrito e publicado pelo próprio Edir Macedo? Num dos trechos do livro, ele
escreve: "Se o povo brasileiro tivesse os olhos bem abertos contra a
feitiçaria, a bruxaria e a magia, oficializadas pela umbanda, candomblé,
kardecismo e outros nomes, certamente seríamos um país bem mais desenvolvido".

.
Pensando nisso, lembrei de um caso lamentável, que vi certa vez num
documentário. Mostrava a penetração das igrejas neo-pentecostais na África;
salvo engano, da própria Universal do Reino de Deus, cada vez mais
globalizada. O filme mostrava a destruição de um assentamento de *Olokun* em
Benin. O assentamento tinha *500 anos* (eu disse QUINHENTOS anos!!!) e havia
sobrevivido aos portugueses, aos ingleses e aos muçulmanos. Sobreviveu cinco
séculos ao imperialismo. Mas não sobreviveu aos evangélicos. Olokun foi
levado para a igreja por sua própria zeladora, que se convertera e estava
"arrependida". Na igreja, diante das câmeras de TV, o lindo assentamento de
Olokun foi triunfalmente destruído. Como se nada fosse, como se nada
significasse. Como se fosse apenas um fetiche de 500 anos que se compra em
qualquer esquina.
.
*..................*
.
*Eu já havia publicado o texto quando me chegou outra denúncia de
intolerância religiosa praticada por evangélicos. Dessa vez foi uma invasão
à um terreiro, seguida de agressão. A notícia pode ser* *lida
aqui*<http://www.camacarinoticias.com.br/leitura.php?id=28543.71-8884-1877>.

.
*Também recomendo a leitura do artigo Crescendo entre Orixás, que fala de
crianças adeptas do candomblé que sentem orgulho de sua religião, mas sofrem
preconceito na escola.* *Leia
aqui*<http://www.fazendomedia.com/novas/educacao090206.htm>.

.
*Essa é pra quem tem orkut*. *Fotos da demolição da
casa*<http://www.orkut.com/Album.aspx?uid=11612523171617469734&aid=1204282307>.
*E da tempestade que caiu logo depois sobre Salvador e deixou o bairro de
Imbuí debaixo d´água. *
*.*
*Aliás, sobre a inesperada tempestade, que até agora fez registrar 189
ocorrências e nove desabamentos em Salvador, registrou a imprensa baiana: "*
*Segundo informações da meteorologia, uma frente fria, estacionada há cerca
de três dias no litoral baiano, vem provocando o temporal. Somente entre as
9 horas de ontem e 9 horas desta sexta-feira foram registrados 130,8
milímetros de chuva na capital, sendo que o normal para todo o mês de
fevereiro é de 121,2 milímetros". A nota na íntegra pode ser **lida
aqui*<http://www.salvador.ba.gov.br/index.php?option=com_content&task=view&id=8438&Itemid=42>
* sob o título* *Prefeito sobrevoa a cidade para avaliar efeitos da chuva**.
*
.
*E não vai ficar por isso mesmo. Pessoas do Brasil inteiro estão escrevendo
mensagens de repúdio à atitude criminosa. Eu já escrevi a minha. Para quem
quiser manifestar sua indignação, o link para a página da Prefeitura de
Salvador é* *este* <http://www.pms.ba.gov.br/index.php>.
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