maravilha...

2008/8/14 eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]>

> é importante lembrar que os arrozeiros aqui no sul desviam água da lagoa
> para irrigação da lavoura... maior pau com ibama por conta de multas
> aplicadas, processo penal, sem esquecer que em raposa do sol os índios e
> caboclos estã sendo expulsos, ou dizimados à pedido dos arrozeiros...arroz,
> prato típico de japonês... tradiconal combinação brasileira  com feijão...
> símbolo de fartura do ritual chinês em casamentos também ocidentais... e a
> gente tratando da tecnologia sob ótica de equipos, softwares, mídias
> livres... comunicação livre? informação livre? conhecimento livre?
> apropriação de conhecimentos??? desplastificar o planeta... arroz
> sintético... soja plástica... tudo visualmente encantador...
> para tornar mais interessante a conversa... metareciclando o papo... vamos
> por metáforas... porque acho que tem chegado a hora dessa gente bronzeada
> mostrar seu valor...
>   GRANDE SERTÃO: VEREDAS - GUIMARÃES ROSA
>
> "Tivesse medo? O medo da confusão das coisas, no mover desses futuros, que
> tudo é desordem. E, enquanto houver no mundo um vivente medroso, um menino
> tremor, todos perigam - o contagioso. Mas ninguém tem a licença de fazer
> medo nos outros, ninguém tenha. O maior direito que é meu - o que quero e
> sobrequero -: é que ninguém tem o direito de fazer medo em mim."
> Grande Sertão: veredas
> Guimarães Rosa
>
> Riobaldo, protagonista do romance Grande Sertão: Veredas, percebe que o
> medo é contagioso e reconhece o seu direito de não lhe fazerem medo. Munido
> de tal certeza, embrenha-se por entre as veredas mortas em busca de um pacto
> com o diabo. Procura uma encruzilhada sombria e permanece a espera do
> tinhoso.
> "O que tinha por mim - só a invenção da coragem."
> A noite passa dentro do personagem. Os espectros das veredas sombreiam seu
> corpo e incorporam as expectativas e visagens do jagunço. Os primeiros raios
> do amanhecer iluminam a obscuridade de Riobaldo. O pacto com o diabo é um
> pacto com ele próprio. O personagem é fortalecido com a apropriação do medo.
> O agente do perigo é ele e não a projeção no mundo do "coisa ruim" que
> aprendeu desde criança a temer e respeitar.
> "Posso me esconder de mim?" O questionamento abre a chaga do verdadeiro
> mistério. Riobaldo deixa-se abater pela febre na claridade.
> "Viver é muito perigoso", "viver é um descuido prosseguido", mas o jagunço,
> com tiro certeiro, afirma que "viver é etcétera". A infinidade de veredas
> que podemos perfilar na oração de nossas ações. As possibilidades podem
> estar sob as sombras dos nossos receios.
> O homem e suas projeções, ações e omissões num mundo indiferente. Os
> conflitos humanos construindo e destruindo as teias de vivências. É
> necessário viver o paradoxo. Ser heroicamente autor de nossas covardias...
> Será? E a coragem de criar, de retalhar o medo na intimidade e desafiar o
> mundo como Riobaldo desafia ao lançar-se num pacto com o representante do
> Mal?
> A coragem de construir alicerces para nossa incompletude. Assumir o risco
> pelo dano que podemos nos causar... "Viver é etcétera..." Riobaldo reacendeu
> a coragem na conquista de um novo espaço no mundo.
> O mundo é indiferente, o mal é apenas uma projeção... O ser é o cerne de
> seu temor, o vir a ser e o não ser... os grandes interditos... O direito
> está em ser o único perigo real.
> "Medo agarra a gente é pelo enraizado." Estar preso às raízes pode
> impossibilitar um olhar mais amplo para as conquistas dos novos horizontes.
> Presos às limitações dos sentidos, resta-nos permanecer na situação,
> culpando o medo e o remorso por nossa inação.
> Na vida devemos valorizar nossas origens nas raízes que nos prendem aos
> solos, mas devemos construir nossas antenas para poder compartilhar as
> inovações do mundo e enfrentá-las com segurança.
> "Só temos que temer o próprio medo." Edgar Morin, com outras palavras,
> afirma o direito declarado por Riobaldo e elabora o mistério "Todo mistério
> do mundo está no nosso espírito. Todas as estruturas do nosso espírito são
> projetadas ao exterior, sobre o mundo."
> A realidade se perde, pois só pode ser concebida se o sentimento for
> iniciado no homem e nele terminar com a atitude de um pacto em que o medo
> passa a compor para um objetivo... Contudo, quando o homem perde a noção da
> extensão de si e dos seus atos, os sentimentos são projetados para o outro,
> o medo surge como a impotência de ser para si, como a negação de ser para o
> outro.
> Guimarães Rosa desvenda os sertões, abre veredas de lucidez e sensibilidade
> por intermédio do jagunço Teobaldo. Quantas são as passagens que poderiam
> ser objetos de ensaios! Quantas exclamações salientam a pluralidade do
> homem! Quantos sertões existem a serem desbravados!
> O final do romance umedece todas as sensações. A morte de Diadorim, o
> menino da travessia do São Francisco que cresceu, cruzou os sertões em vida
> de vingança e morreu em combate num corpo feminino, é toda a poesia.  Neste
> momento a prosa de Guimarães Rosa é imagem, som e pensamento - as veredas,
> os versos a construir o poema-sertão.
> O leitor, seduzido, vivencia a emoção sem poder decifrar a simbologia de
> tantas metáforas, envolve-se de forma plena sem ter a real percepção de suas
> emoções. O encontro de Teobaldo e Diadorim se dá na impossibilidade. O
> mistério se apaga nos finos lábios que, calados, se tornam sertão.
> O ser humano na travessia, muitas vezes teme ousar por novas veredas,
> amedronta-se diante de novas abordagens - a incapacidade aniquila o paradoxo
> e estagna o homem na limitação do perigo aparente.
> Guimarães Rosa ousou. Criou uma nova linguagem e inovou no desenvolvimento
> do enredo, retratando áridas vidas que compõem os sertões do mundo, sem
> temer a crítica. O grande desafio estava em transformar em literatura a sua
> percepção do mundo e dos semelhantes.
> Ninguém teve o direito de lhe fazer sentir medo. Nós, leitores, admiramos
> sua coragem criativa e sua grande obra e devemos nos preencher das metáforas
> do caminho para assumir o pacto com nossa ambigüidade.
> Conscientes de que o medo se instaura na ausência da força de uma
> realização. Concretizemos nossos ideais para estabilizarmo-nos diante da
> confusão das coisas num futuro incerto dentro da perspectivas dos caminhos
> que se descobrem nos primeiros passos.
>
> Helena Sut http://www.helenasut.net/index.php
>
> 2008/8/13 Mateus Daitx <[EMAIL PROTECTED]>
>
>> Pois é, de novo os interesses comerciais atropelam os da nação. E seguindo
>> na linha da Soja Transgênia, deve ter produtividade menor (menos toneladas
>> por hectare de terra cultivada), só ajudando latifundiário preguiçoso a
>> despejar mais herbicida na planta sem matar ela (e matando tudo em volta), e
>> ficar coçando o saco por mais tempo. Lembrando que na Soja as variedades não
>> transgênicas produzem de 10-20% mais por hectare, mas que necessitam de mais
>> cuidado (ou seja, dão mais trabalho = mais empregos) do que as modificadas
>> por empresas.  pra quem quiser fugir do Arroz transgênico, fica aqui a
>> sugestão:
>>
>> http://www.volkmann.com.br/
>> E nas bancas da reforma agrária espalhadas pelo país os produtos costumam
>> ser livres de transgênicos e pesticidas também.
>> Sds,
>> Mateus (sim, tô vivo...)
>>
>>
>> 2008/8/11 eiabel lelex <[EMAIL PROTECTED]>
>>
>>>  matéria do jornal correio do povo de hoje, 11/08, informa sobre a
>>> apreensão de arroz pirata no RS... do mesmo modo que a soja trangenica
>>> entrou no BNrasil e que o governo legalizou o crime de contrabando... mesmo
>>> povo que diz que sem terra é rato... quer dizer, latifundário de são
>>> gabriel, por exemplo... bem, segue nota abaixo
>>>
>>> abraços entristecidos
>>>
>>> lele
>>>
>>>
>>> Governo apreende arroz 'pirata' no RS
>>> O Ministério da Agricultura (Mapa) deflagrou ação contra a pirataria de
>>> sementes no Rio Grande do Sul. A apreensão de 180 mil quilos de sementes de
>>> arroz da variedade Puitá no varejo de São Gabriel e Uruguaiana reforçou
>>> suspeitas de que a cultivar esteja sendo contrabandeada da Argentina.
>>> Segundo o superintendente do Mapa/RS, Francisco Signor, a variedade não
>>> tinha autorização para uso no Brasil e o caso foi repassado à Polícia
>>> Federal. O episódio lembra a chegada da soja transgênica ao Estado, quando o
>>> contrabando disseminou a variedade nos campos. Apesar de ter sido liberadada
>>> para uso recentemente pelo Mapa, a Basf - que detém os direitos de
>>> utilização - ainda não disponibilizou o grão legal ao produtor.
>>>
>>> "A Puitá já foi experimentada na safra passada", informou o presidente da
>>> Associação dos Produtores e Comerciantes de Sementes e Mudas do RS
>>> (Apassul), Narciso Barinson Neto. A confirmação do Mapa deve gerar nova
>>> polêmica sobre a cobrança de royalties. A variedade de arroz mutagênico (que
>>> sofre variações com base em cruzamentos ou processos químicos) se destaca
>>> pela resistência ao herbicida que combate o arroz vermelho, uma das
>>> principais invasoras da lavoura orizícola.
>>>
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>>> "Se você não concordar, não posso me desculpar..."
>>>
>>> pela sinistra "laotra", sempre!
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