Materia publicada no Correio Braziliense desse
domingo.


Fran�a usa empresas brasileiras para entrar no mercado
latino-americano de armas  
 

Pedro Paulo Rezende  
Da equipe do Correio  

 
A Fran�a quer usar o Brasil como ponte para conquistar
o mercado de armas latino-americano. Al�m de uma
controvertida associa��o da Marcel Dassault com a
Embraer, brasileiros e franceses est�o trabalhando no
projeto de um barco invis�vel.Para tratar desses
assuntos, uma comitiva da Direction General de
l�Armements (DGA), holding que coordena as ind�strias
militares da Fran�a, iniciou na sexta-feira uma visita
de quatro dias ao Brasil.

  O grupo, chefiado pelo ex-embaixador da Fran�a no
Brasil, Jean-Bernard Ouvrier, visitou o ministro da
Defesa do Brasil, �lcio �lvares. No encontro, tentou
empurrar um velho navio constru�do em 1960, o
porta-avi�es Foch, pela bagatela de US$ 50 milh�es -
uma proposta feita pela primeira vez ao ex-ministro
Mauro Rodrigues em 1995.

  Recebeu alguns sinais positivos, mas ouviu das
autoridades navais navais brasileiras que a prioridade
� obter tecnologia para construir reatores compactos
para submarinos, campo em que a Direction des
Constructions Navales (DCN), empresa ligada � DGA, j�
mostrou excel�ncia.

  A DCN � uma holding que concentra os estaleiros
militares franceses. Ela est� colaborando com a
Empresa de Engenharia e Projetos Navais (Engepron) -
ligada ao Minist�rio da Defesa brasileiro - no projeto
de uma revolucion�ria fragata antia�rea de
caracter�sticas furtivas, desenvolvida a partir da
Classe La Fayette.

  

SOFISTICA��O

  Os detalhes do projeto, voltado para o mercado
latino-americano, ainda n�o est�o prontos, mas o barco
( que se for completado ser� a maior embarca��o de
combate constru�da no pa�s) ter� cerca de 150 metros
de comprimento e deslocar� perto de 5 mil toneladas.

  Seus sistemas de armas incluir�o m�sseis antia�reos
de defesa de �rea, capazes de atingir avi�es e m�sseis
de cruzeiro a 50 quil�metros de dist�ncia, m�sseis
mar-mar de nova gera��o, desenvolvidos a partir do
Exocet franc�s, helic�pteros e m�sseis anti-submarinos
e canh�es de 40mm e 115mm.

  A classe La Fayette � um dos maiores sucessos
comerciais da ind�stria naval francesa, que
recentemente vendeu seis desses barcos para Taiwan e
quatro para a Ar�bia Saudita. A Marinha Nacional da
Fran�a recebeu este ano a sexta e �ltima unidade do
grupo.

  S�o navios com 115 metros de comprimento e
deslocamento de 4 mil toneladas. As linhas do projeto
procuram evitar as chamadas armadilhas para radar,
sali�ncias e reentr�ncias que emitem ecos eletr�nicos.
Os barcos salva vidas, por exemplo, est�o abrigados
por tr�s de cortinas pl�sticas especiais, que absorvem
impulsos el�tricos.

  Os motores diesel, colocados sobre suspens�es
especiais antivibra��o, funcionam como geradores para
o sistema principal de propuls�o, formado por motores
el�tricos. Com isso, as La Fayette conseguem operar em
completo sil�ncio, uma caracter�stica extremamente
bem-vinda em situa��o de combate em �guas infestadas
de submarinos.

  

SUBMARINO

  Outra �rea de associa��o visaria a constru��o do
submarino nuclear brasileiro um projeto iniciado em
1982, no governo do general Jo�o Figueiredo. O
prot�tipo de um reator de 12 megawatts j� est� em
funcionamento, no campus do Instituto de Pesquisas
Nucleares da Universidade de S�o Paulo, em S�o Paulo,
mas fracassaram todos os esfor�os para torn�-lo mais
compacto. Com isso, surgiu um impasse: ele � mais
largo que o casco do submarino projetado, com
tecnologia alem�, para abrig�-lo.

  Para solucionar esse problema, o extinto Minist�rio
da Marinha come�ou v�rias gest�es junto a fabricantes
internacionais durante a gest�o do ministro Mauro
C�sar Rodrigues, em 1995. Foram feitos contatos com
empresas brit�nicas, francesas, ucranianas e russas,
mas a associa��o com a DCN parece que deu um ponto
final � busca de um s�cio.

  Gra�as a um desenho revolucion�rio do sistema de
propuls�o, os franceses conseguiram construir os
menores submarinos nucleares em opera��o - os das
classes Rubis e Amethyste - que deslocam apenas 2.400
toneladas (um submarino nuclear de ataque americano
tem tr�s vezes esse tamanho).

  O projeto do submarino nuclear brasileiro, gra�as ao
tamanho do reator, j� estava com 4 mil toneladas
previstas quando foi desacelerado por quest�es
or�ament�rias em 1995. Com um sistema de propuls�o
menor, esse peso seria reduzido para cerca de 3 mil
toneladas.

  O Minist�rio da Marinha j� aplicou US$ 700 milh�es
no projeto do barco e do reator e US$ 600 milh�es para
o dom�nio do ciclo do combust�vel. A esse valor, devem
ser somados US$ 1 bilh�o, para completar o barco
propriamente dito e construir sua base de apoio.

  � bom lembrar que a propuls�o nuclear n�o � um fim
por si pr�pria e um submarino � um sistema de armas
complexo, que n�o poderia existir sem toda uma gama de
equipamentos modernos.

  Fran�a, Su�cia, It�lia, Alemanha e Gr� Bretanha
ofereceram sociedade ao Brasil para desenvolver e
fabricar sistemas modernos de armas submarinas,
inclusive torpedos guiados e m�sseis antinavio, mas a
conversa esbarrou na cr�nica falta de verbas para as
for�as militares brasileiras.
 
 


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Minas, um barco duro de matar  
 

 
  O Minas Gerais poderia ser comparado ao ator Bruce
Willis na s�rie Duro de Matar. Quando seu fim parece
pr�ximo, algu�m d� um jeito de ressuscit�-lo para mais
uns anos de opera��o. Nau-capit�nea da Armada, o
navio, constru�do pela Gr�-Bretanha em 1944, j� passou
por seis reformas completas. Na �ltima, recebeu
catapultas retiradas do seu irm�o g�meo 25 de Mayo,
que serviu na Marinha Argentina por mais de duas
d�cadas at� ser aposentado durante o governo Menem.

  O problema est� em que n�o � mais poss�vel
remend�-lo. Suas m�quinas n�o conseguem lev�-lo a mais
de 18 n�s, cerca de 34 quil�metros por hora, o que �
insuficiente para lan�ar os avi�es A-4K Skyhawks que o
Brasil comprou recentemente do Kuweit. Isso causa um
grande embara�o para as autoridades navais que
lutaram, durante mais de 30 anos, para reativar sua
for�a de avi�es, numa disputa cont�nua com a
Aeron�utica. Os pilotos navais treinados para pousar e
decolar os Skyhawks em porta-avi�es est�o perdendo
suas habilita��es rec�m adq�iridas, ao custo de US$
100 mil cada.

  A maioria dos almirantes acredita que a melhor op��o
para a Avia��o Naval � a constru��o de um novo navio.
A DCN j� apresentou para o Minist�rio da Marinha,
durante a gest�o do ministro Mauro Rodrigues, duas
propostas, usando as instala��es do falecido Estaleiro
Verolme, de Angra dos Reis. A primeira seria uma
vers�o do Charles de Gaulle movida por turbinas a g�s
e motores diesel-el�tricos, deslocando 38 mil
toneladas, capaz de levar at� 40 avi�es e
helic�pteros. Custaria a bagatela de US$ 800 milh�es.

  A segunda, mais palat�vel, poderia ser constru�da ao
m�dico pre�o de US$ 450 milh�es, deslocaria 25 mil
toneladas e levaria entre 20 e 30 aeronaves. Mas h�
alternativas mais baratas da Espanha, It�lia,
Gr�-Bretanha, R�ssia e Ucr�nia.

  O Foch, tecnicamente, ainda � uma boa op��o. Foi
vistoriado h� tr�s anos e est� bem conservado e com
manuten��o superior. Desloca 32 mil toneladas e leva
40 avi�es e helic�pteros de combate. Sua baixa na
Marinha Nacional da Fran�a coincidir� com o fim
previsto do Minas.

  Pela proposta da DGA, o Foch seria entregue daqui a
cinco anos, prazo que as autoridades francesas
acreditam necess�rio para colocar em funcionamento
todos os sistemas do Charles de Gaulle, um
porta-avi�es nuclear que levou mais de dez anos para
ser completado e vem apresentando sucessivos problemas
operacionais.

  O navio precisaria passar por uma ampla reforma
antes de atender as necessidades brasileiras. Suas
catapultas a vapor n�o s�o adequadas ao lan�amento de
avi�es de fabrica��o estadunidense, como os A-4. Al�m
disso, o barco seria entregue sem os sistemas de
armas. As solu��es para esses problemas seriam
relativamente simples: transferir as catapultas e os
sistemas do Minas Gerais a um pre�o estimado entre US$
12 milh�es e US$ 20 milh�es.

  Mas h� outras dificuldades. A Marinha brasileira n�o
tem nenhuma instala��o capaz de repar�-lo. O dique
seco Rio de Janeiro, o maior dispon�vel, precisaria
ser aumentado em vinte metros, uma obra cara, que
envolveria toda a infra-estrura do Arsenal de Marinha.
Seriam mais US$ 10 milh�es. A grande quest�o � se
valeria a pena investir esse dinheiro num barco com
mais de 40 anos de vida.

  Segundo fontes do mercado de armas, o comandante da
Marinha, almirante Carlos Chagastelles, teria uma
forte raz�o para fechar o neg�cio: a DGA estaria
insistindo na compra do Foch para liberar um
financiamento de US$ 520 milh�es do banco franc�s
Paribas. A proposta est� sob exame da Comiss�o de
Rela��es Exteriores e Defesa Nacional do Senado e
serviria para o reequipamento do Corpo de Fuzileiros
Navais e a repotencializa��o dos helic�pteros Super
Puma. (PPR)
 




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Pedro M. Calmon
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