Já que a conversa recaiu sobre o diretor Akira Kurosawa, vale citar um dos últimos filmes dele, "Sonhos", que contou com a produção de Steven Spielberg e George Lucas num tempo em que eles ainda tinham o que mostrar.
        O filme é uma arte, nem preciso dizer mais nada. Visualmente impecável, conta ainda com uma ponta de Martin Sorcese no papel do pintor Van Gogh (vixe, não sei escrever!) . Mas o que me leva a citá-lo, enfim, é a história de um dos contos sonhados e filmados pelo diretor no filme.
        Um capitão, voltando para casa após combater, percorre um túnel longo e escuro; ao sair, ouve passos de homens marchando em sua direção, vindos do buraco negro no túnel em que acabou de passar. Os homens surgem, marchando, todos pálidos. O capitão percebe que trata-se de uma coluna de soldados, seus soldados, todos mortos em combate sob seu comando.
        Começa então um diálogo extremamente tenso e desesperado, em que o capitão trêmulo assume a culpa pela morte de todos, tenta convencê-los de que estão realmente mortos e que devem seguir para o eterno descanso. Ao final, o capitão ordena a seus homens que dêem meia-volta em direção ao túnel, ordem que eles obedecem como se fosse a última.
        Falando assim não parece grande coisa, mas quem não viu tem de ver para chegar à mesma conclusão: Kurosawa era um gênio mesmo. É incrivel sua sensibilidade para contar histórias como esta, até para sonhar o cara era único. Eu recomendo este e outros filmes dele para todos, mas se alguém aqui da lista for assistir "Sonhos" esqueça o que eu contei, senão meio que perde a magia.

        Leonardo H. N.
 

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