On Thu, Mar 04, 2004 at 11:06:02AM -0300, [EMAIL PROTECTED] wrote:
>   Isso que vc citou � o famoso teorema da incompletude de 
> G�del que afirma que existem proposi��es e problemas 
> indecid�veis na matem�tica (que n�o podem ser 
> provadas nem negadas). 
>      Exemplo de uma tal proposi��o: 
> 
> Teorema X: O teorema X n�o pode ser demonstrado. 
> Quest�o: Demonstre o teorema X. 
> 
>   A quest�o acima � indecid�vel. A metamatem�tica lida 
> com quest�es do tipo acima.

Desculpe, mas acho que esta sua explica��o do que � uma
quest�o indecid�vel confunde mais do que esclarece.

Uma proposi��o � indecid�vel quando nem ela nem a sua nega��o
seguem dos axiomas da teoria (que podem ser dados explicita
ou implicitamente). Mas uma proposi��o � algo claro, sem
autorefer�ncias expl�citas, como no seu exemplo.

A hip�tese do cont�nuo diz que se X � um subconjunto infinito
de R ent�o ou existe uma bije��o entre X e N ou entre X e R.
Ela � um exemplo de proposi��o indecid�vel em ZFC:
isto significa que com os axiomas de ZFC n�o � poss�vel
nem demonstrar nem refutar a hip�tese do cont�nuo.

Outro exemplo � dado por m�quinas de Turing. Uma m�quina
de Turing � uma esp�cie de computador idealizado que vai
fazendo um monte de opera��es e que pode parar em tempo finito ou n�o.
O problema da parada consiste em reconhecer (de forma algor�tmica)
quais m�quinas de Turing param e quais n�o (n�o se exige
uma *demonstra��o* de que o algoritmo funciona, s� o pr�prio
algoritmo) e Turing demonstrou que n�o existe um tal algoritmo.
O que isto prova � que *qualquer* que seja o nosso conjunto
de axiomas, desde que ele seja recursivamente enumer�vel
(isto �, desde que exista um algoritmo que cospe todos os axiomas
e *apenas* os axiomas), sempre existir�o m�quinas de Turing x
para as quais a proposi��o "a m�quina de Turing x para em tempo finito"
� indecid�vel. Veja ali�s 
http://www.research.att.com/~njas/sequences/Seis.html
para ver como s�o pequenas e simples as m�quinas de Turing
para as quais ningu�m sabe se elas param ou n�o.

O que voc� parece ter em mente � o exemplo original de G�del
de uma proposi��o indecid�vel em PA (aritm�tica de Peano).
O exemplo de G�del � uma frase G, bem expl�cita e bem complicada,
que fala de n�meros naturais: ela n�o fala de proposi��es
serem verdadeiras ou falsas, demonstr�veis ou refut�veis.
� s� usando o processo de encodificar a l�gica de primeira ordem
na aritm�tica de Peano, criado tamb�m por G�del, que vemos que
G pode ser traduzida como "G n�o � demonstr�vel em PA".
Assim vemos que G � verdadeira mas n�o � demonstr�vel em PA.

Existem outros exemplos de frases sobre n�meros naturais que s�o
sabidamente verdadeiras e sabidamente n�o demonstr�veis em PA:
a demonstra��o de que a frase � verdadeira � feita em outra teoria,
claro, por exemplo em ZFC. Tem um exemplo de uma vers�o forte
do teorema de Ramsey (sobre o qual falamos muito recentemente)
que � assim: a coisa est� descrita com detalhes no �ltimo
artigo do Handbook of Mathematical Logic.

[]s, N.
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Instru��es para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
http://www.mat.puc-rio.br/~nicolau/olimp/obm-l.html
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