Acho que o grande problema da matem�tica � que, �s vezes, nos prendemos
muito �s teorias e defini��es, esquecendo �s vezes das utilidades pr�ticas
ou dos motivos pelos quais estamos estudando determinado t�pico.

Eu, particularmente na minha modesta opini�o, sempre encarei o conjunto N
como fun��o b�sica para a contagem. Por exemplo, no dia a dia, a pergunta
"Quantas pedras existem nesta caixa", um leigo, sem ao menos saber, utiliza
o conjunto N como resposta. Um conjunto de vari�veis discretas, "palp�vel".

"Nesta caixa existem 2 pedras"
"Nesta caixa existem 10 pedras"
Ou ent�o, perfeitamente poss�vel... "Nesta caixa n�o existe nenhuma pedra"

Mesmo relacionando � "hist�ria da pedrinha com carneirinhos", ou seja, uma
pedrinha para cada carneirinho, o zero ERA utilizado, mesmo que n�o se
entendesse na �poca. Uma pedrinha para cada carneirinho... Quando as
pedrinhas acabavam, quantos carneirinho existiam?

Enfim, se for para votar, concordo com o Nicolau.


-----Original Message-----
From: Nicolau C. Saldanha [mailto:[EMAIL PROTECTED]
Sent: Tuesday, September 14, 2004 10:00 AM
To: [EMAIL PROTECTED]
Subject: [obm-l] 0 � natural? (era: Quest�o_4)


On Mon, Sep 13, 2004 at 09:32:43PM -0300, Douglas Drumond wrote:
> N�o quero botar lenha na fogueira, mas dois racioc�nios que nos
> levam a excluir o 0 dos naturais:

Acho que o tema � leg�timo, mas eternamente inconclusivo,
poder�amos falar sobre ele por tempo indeterminado.
Ali�s h� v�rias mensagens relacionadas nos arquivos.
Vou comentar os seus dois itens trocando a ordem:

> - agora um mais matem�tico: nos axiomas de Peano, define-se o 1 (o um
> existe). Para obter um sucessor de um n�merio natural, adiciona-se 1 a
> ele. Ent�o, se o 1 est� definido, podemos adicionar 1 ao 1 p/ obter 2
> e assim por diante. Agora se os naturais come�am do 0, para obter o
> sucessor de 0, adiciona-se 1. Mas o 1 n�o foi definido (nesse caso,
> assumimos o 0 como in�cio e n�o definimos o 1), ent�o n�o podemos
> adicionar 1 a ningu�m.

De fato Peano � um dos maiores respons�veis pela confus�o de
0 ser ou n�o natural: em ocasi�es diferentes ele usou as duas
conven��es diferentes! 

A sua forma de descrever a constru��o de Peano n�o � a usual.
Normalmente, a fun��o sucessor � considerada mais b�sica do que a soma
ent�o o seu racioc�nio n�o se aplica. Acho um pouco artificial
supor que no in�cio a soma j� existe mas os n�meros ainda n�o.

A constru��o dos naturais em teoria dos conjuntos, por outro lado,
come�a com 0 = {} e continua com 1 = {{}}, 2 = {{},{{}}}, ...

> - vc aprende a contar a partir do 1, a hist�ria da pedrinha com
> carneirinhos come�a do um (n�o havia a pedra zero), logo o
> modo natural de contar come�a do um. Esse n�o � um racioc�nio
> matem�tico, mas ajuda a memorizar que devemos iniciar a partir do 1.

Por outro lado, nada impede de chamarmos os tr�s porquinhos de P0, P1 e P2.

O que eu acho que voc� deve estar dizendo � que de fato na hist�ria
o n�mero 0 aparece muito depois de 1, 2, 3. � fato, mas tamb�m � fato
que 1 aparece depois de 2 e 3, e n�o antes. Mesmo em Euclides o n�mero 1
recebe um tratamento especial que para n�s parece desnecess�rio.

Finalmente, n�o se trata de "memorizar" nada. Estamos, espero,
discutindo uma das duas quest�es abaixo:

(a) Existe uma conven��o razoavelmente ampla quanto a se N = {0, 1, 2,...}
ou se N = {1, 2, 3, ...}?

Acho que a resposta � claramente N�O.

Em particular, ao redigir uma prova acho que nunca devemos dizer "naturais"
sem especificar qual das duas defini��es temos em mente. O melhor mesmo
� falar de inteiros positivos ou inteiros n�o negativos.

Em algumas �reas, por outro lado, os matem�ticos parecem ter chegado
a um certo consenso. Em livros de teoria dos conjuntos, por exemplo,
acho que � bem universal que 0 � natural.

(b) Qual dos dois conjuntos {0, 1, 2, ...} ou {1, 2, 3, ...} merece ganhar
o nome de N, o conjunto dos naturais?

Aqui os argumentos s�o inconclusivos e pessoas diferentes t�m opini�es
diferentes. Os dois conjuntos s�o claramente importantes. Se for para
votar, eu voto em N = {0, 1, 2, ...}.

[]s, N.
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Instru��es para entrar na lista, sair da lista e usar a lista em
http://www.mat.puc-rio.br/~nicolau/olimp/obm-l.html
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