Não sei exatamente como isso vai funcionar.
Mas a ideia é que todos expressem suas opiniões de forma fundamentada e/ou
comentem a dos demais.
Com sorte, formaremos um consenso e poderemos tentar fazer algo em
conjunto, desde escrever e tentar publicar um artigo até coisas mais
ambiciosas.

Decidi começar com o tópico "cálculo em 1 variável" (ou, na versão mais
teórica, "análise na reta") porque tenho algumas idéias a respeito e porque
este é um curso pelo qual todos os cientistas e engenheiros precisam passar
e, segundo eu apurei, os índices de reprovação, mesmo em universidades de
ponta, são alarmantes.

Por exemplo, "na UFF (Universidade federal Fluminense), no período de 1996
a 2000, a variação do índice de não-aprovação se encontrava na faixa de 45%
a 95%, sendo que, para o Curso de Matemática, essa não foi inferior a 65%,
ou seja, nesse período não se aprovou mais que 45% em uma turma de Cálculo,
no curso de Matemática. "
Fonte: http://www.nilsonjosemachado.net/lca19.pdf

Quantos bons engenheiros e cientistas (e até economistas) o Brasil deixou
de formar simplesmente porque a pessoa não conseguiu passar em Cálculo I e
acabou desistindo do curso?

Mas entendo que o ensino de matemática tem deficiências em todos os níveis,
do 1o ano Fundamental até o último ano da faculdade, muitas das quais
acabam por impactar o desempenho dos alunos em Cálculo I.

Assim, qualquer um que tiver experiências pra contar e idéias sobre como
melhorar o ensino de matemática, em qualquer nível, é mais do que bem vindo
para partilhá-las com os demais e alimentar o debate.

[]s,
Claudio.











2018-07-12 8:25 GMT-03:00 João Lucas Lopes Gambarra <[email protected]>:

> Também tenho interesse em participar
>
> Att,
> João Lucas
>
> Em qui, 12 de jul de 2018 06:36, Marcelo de Moura Costa <
> [email protected]> escreveu:
>
>> Também tenho interesse em participar.
>>
>> Em qua, 11 de jul de 2018 12:38, Claudio Buffara <
>> [email protected]> escreveu:
>>
>>> Prezados colegas da lista:
>>>
>>> Entendo que o tema pode ser off-topic pois não trata especificamente de
>>> problemas olímpicos, mas aqui vai de qualquer forma...
>>>
>>> Algum de vocês se interessa pelo ensino de matemática (escolar ou
>>> universitário)?
>>>
>>> Pergunto porque há anos tenho pensado na melhor forma de ensinar
>>> matemática (principalmente em termos de composição do currículo e de
>>> apresentação dos tópicos nos livros didáticos), estou convencido de que não
>>> estamos fazendo certo, nem na escola e nem na universidade, e gostaria de
>>> ter gente interessada pra debater idéias e, quem sabe, elaborar algum
>>> projeto mais concreto.
>>>
>>> Em linhas gerais, discordo da ordem em que os assuntos são abordados, na
>>> maioria dos livros.
>>> O foco é muito mais na ordem lógica (seguindo o rigor do método
>>> axiomático, mesmo em livros pra ensino médio) sem nenhuma preocupação:
>>> - com a motivação para os resultados que são apresentados (e, nos
>>> ensinos fundamental e médio, quase nunca demonstrados);
>>> - com tornar estes resultados intuitivos para o estudante.
>>>
>>> Também acho que certos assuntos deveriam ser incluídos e outros
>>> excluídos do currículo, mas este, pra mim, é um problema menor. Pois,
>>> qualquer que seja o tópico, se for bem ensinado e incentivar o aluno a
>>> pensar, já tá valendo.
>>>
>>> A meu ver, seria ideal se cada tópico do currículo de matemática fosse
>>> apresentado seguindo a sequência:
>>> identificação de padrões ("patterns") ==> formulação de conjecturas ==>
>>> demonstração destas conjecturas.
>>> Pois esta é a maneira como a matemática é criada.
>>> Mas acho que muito poucos professores estão capacitados pra ensinar
>>> matemática deste jeito.
>>>
>>> Em particular, no Ensino Médio, a ênfase nos últimos anos tem sido na
>>> tal contextualização, que pode ser vista em todo o seu esplendor nas provas
>>> do Enem.
>>> O resultado disso me parece ser um retrocesso na formação matemática dos
>>> alunos e também a disseminação da mentalidade de que a única matemática que
>>> deve ser estudada é aquela que é usada no dia-a-dia dos cidadãos comuns.
>>>
>>> E, na universidade, a coisa não é muito melhor, mesmo num assunto que só
>>> é visto na graduação em matemática. a análise real.
>>> Vejam só:
>>> Os livros tratam da topologia da reta antes de conceitos tais como
>>> compacidade e conexidade se mostrarem realmente necessários (o que, de
>>> fato, só ocorre em dimensão > 1; na reta, quase tudo pode ser demonstrado
>>> com base em sequências e no método da bisseção, que são coisas bastante
>>> intuitivas, mas que quase nunca são usadas).
>>>
>>> Limites e continuidade podem ser introduzidos também com base em
>>> sequências, interpretando-se os epsilons como margens de erro em
>>> aproximação.
>>>
>>> Aliás, a noção de que análise nada mais é do que uma teoria de
>>> aproximações quase nunca é mencionada.
>>> Por exemplo, foi só estudando a análise do R^n é que eu me dei conta de
>>> que a derivada é uma aproximação de uma função arbitrária por uma função
>>> afim.
>>> Antes disso, eu só sabia que "derivada = inclinação da reta tangente".
>>>
>>> Os livros também mencionam critérios de convergência de séries
>>> (Dirichlet, Abel, etc.) que vêm do nada (pois foram inventados para o
>>> estudo de séries de Fourier, que estes liros não abordam).
>>>
>>> E o principal resultado sobre convergência de séries de potências
>>> decorre quase trivialmente do estudo das PGs infinitas (assunto de Ensino
>>> Médio). Mas qual livro deixa isso explícito?
>>>
>>> E, pra terminar, poucos têm uma figura para ilustrar o teorema
>>> fundamental do cálculo que, com uma figura bem feita, fica bem intuitivo.
>>> No entanto, a análise na reta em geral é apresentada com um caráter
>>> aritmético/algébrico, mas quase nunca geométrico.
>>>
>>> Obrigado pela atenção.
>>>
>>> []s,
>>> Claudio.
>>>
>>> --
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>>> acredita-se estar livre de perigo.
>>
>>
>> --
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