Não disse pra recusar dinheiro de governo. Disse que temos que pensar num
modelo independente da grana do governo. Essa pode ser até um bom começo,
mas ficar mamando é coisa que eu, definitivamente, acho pior do que ser
capitalista.


yaso

∞ yaso.com.br <http://yaso.com.br>
∞ <http://yaso.eu>yaso.eu
∞ w3c.br <http://w3c.br>
∞ ingraxa.eu

** just reset and dive again**


2014-04-07 13:39 GMT-03:00 Gisele S. Craveiro <[email protected]>:

> Oi Yaso,
>
> Até onde eu sei, nenhuma organização ou coletivo que trabalha com dados
> abertos no Brasil tem recusado dinheiro do governo (vindo direta ou
> indiretamente).
> Por que a OKF BR deveria ser a primeira ? ou única?
>
> Abs
> Gisele
> Em 07/04/2014 11:35, "Yasodara Cordova" <[email protected]>
> escreveu:
>
>> Nesse ponto
>>
>> "Acho que vale sempre a gente tentar novas soluções pra essa questão, mas
>> a real é que eu mesmo continuo achando que *Sim, isso é bom.* E que o
>> principal resultado de um hackday/thon/tona/tão é transformação da cultura
>> e criação de conhecimento empírico sobre os processos políticos e os dados,
>> e que essa dimensão do 'aplicativo cidadão útil para a sociedade' é um
>> resultado possível e desejável mas não necessariamente o termometro de um
>> evento bem sucedido."
>>
>> Vou concordar com o Markun
>>
>> Gosto de lembrar que hackatons, em uma época distante, eram quando
>> pessoas levavam seus gabinetes pra casa uns dos outros pra "hackear". Nao
>> acho que o governo precise de hackatons para abrir dados ou para gerar
>> plataformas de abertura de dados. Os hackatons têm funcionado como uma bela
>> ferramenta de convencimento, mostrando para gestores que desenvolvimento de
>> software com dados pode ser muito mais ágil e barato do que o que eles
>> estão acostumados.
>>
>> Existe um trabalho que precisa ser feito: a modernização dos meios de
>> contratação do governo brasileiro. Tirando raras exceções, nosso modelo
>> licitatório é feito para a contratação de elefantes brancos caríssimos.
>> Isso alimenta um ecossistema antigo (esse sim existe!) que retroalimenta a
>> "indústria" de desenvolvimento de softwares para gestão governamental no
>> Brasil. É podre. Note-se que a maioria dos departamentos de TI ainda é
>> subordinada aos departamentos de financeiro, ou os diretores do financeiro
>> e da TI são mui amigos...
>>
>> Ouvi de um gestor público uma vez em um encontro sobre dados abertos:
>>
>> "tenho uma boa verba separada para a abertura de dados. Os hackatons me
>> mostraram que é possível, agora vou parar de brincar e conversar com meus
>> fornecedores"
>>
>>
>> Existe uma galera do TCU conversando sobre desenvolvimento ágil vs
>> modelos de contratação, etc etc.
>>
>> Achei ótimo que alguém ai em cima na thread citou Muhammad Yunus,
>> micropagamentos e essa coisa toda porque é praticamente impossível hoje o
>> governo realizar micropagamentos. Todo mundo aqui sabe que na esplanada o
>> que mais rola é gente trabalhando como "consultor técnico", pagando uma
>> baba pra UNESCO interemediar pagamento, pra poder meter a mão em código e
>> resolver pepino que grandes empresas deixaram. O problema é bem mais
>> embaixo.
>>
>> ps.: não acho que a OKFN deva se sustentar com editais e verba de
>> governo.
>> Isso me parece meio fora do eixo....
>>
>>
>> Yaso
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>>
>> ∞ yaso.com.br <http://yaso.com.br>
>> ∞ <http://yaso.eu>yaso.eu
>> ∞ w3c.br <http://w3c.br>
>> ∞ ingraxa.eu
>>
>> ** just reset and dive again**
>>
>>
>> 2014-04-06 15:13 GMT-03:00 José Police Neto <[email protected]>:
>>
>>> Muuuuito bacana!
>>> Em 06/04/2014 15:04, "Álvaro Justen [Turicas]" <[email protected]>
>>> escreveu:
>>>
>>>  2014-04-06 12:56 GMT-03:00 Everton Zanella Alvarenga <[email protected]>:
>>>> > Oi Álvaro e todos,
>>>>
>>>> Tom, obrigado pela resposta detalhada! Minhas respostas seguem
>>>> entre-linhas.
>>>>
>>>> > sobre a OKBr, somos uma organização em construção, portanto
>>>> levantamentos
>>>> > como os seus são importantes. Até mesmo antes de fundarmos a
>>>> associação, eu
>>>> > já pensei em formas de financiamento como o que propõe, mas espero
>>>> que com a
>>>> > associação formalizada, facilitará conseguirmos algo nesse sentido,
>>>> > principalmente se conseguirmos virar formalmente uma organização da
>>>> > sociedade civil de interesse público (OSCIP). Uma organizaçào da
>>>> sociedade
>>>> > civil já somos, agora precisamos mostrar que há um interesse público
>>>> - pelos
>>>> > nossos objetivos <http://br.okfn.org/estatuto>, há, mas precisamos
>>>> mostrar
>>>> > mais isso na prática. O formato da associação foi pensado junto ao
>>>> instituto
>>>> > Pro Bono com esse objetivo, o se tornar-se uma OSCIP.
>>>>
>>>> Legal! Não sabia que era esse o objetivo. Acredito que sendo OSCIP
>>>> seja bem mais fácil conseguir patrocínios de empresas de lucro real.
>>>>
>>>>
>>>> > Sobre financiamento dos aplicativos com dinheiro público, acho
>>>> bastante
>>>> > pertinente a proposta. Quando organizamos a hackatona na Câmara
>>>> Municipal de
>>>> > São Paulo (CMSP), uma das coisas que eu sugeri ao então presidente da
>>>> câmara
>>>> > José Police Neto, que apoiou o evento, junto com o Eduardo Miyashiro,
>>>> então
>>>> > coordenador de TI da CMSP, foi o de providenciarmos hosting para os
>>>> > aplicativos durante e após a competição.
>>>> >
>>>> > Eu e o Eduardo procuramos alguns financiadores, mas a única coisa que
>>>> > conseguimos foi o prêmio de R$ 10000 do banco Itaú e alguns brindes -
>>>> na
>>>> > realidade, quem conseguiu foi o Police. Eu preferia prêmios não
>>>> monetários,
>>>> > como hospedagem e suporte para manter os aplicativos, assim como uma
>>>> viagem
>>>> > para participarem da Open Knowledge Festival naquele ano. Mas para uma
>>>> > primeira parceria com um órgão público de uma iniciativa da sociedade
>>>> civil
>>>> > organizada, acho que estava de bom tamanho o prêmio. Tanto que ano
>>>> passado
>>>> > um dos vencedores, o Felipe Bergamo, participou ano passado da OKCon,
>>>> em
>>>> > Genebra, também financiado pelo banco Itaú (@Gui, acho que merece
>>>> pensarmos
>>>> > num post sobre isso ou adicionar essa info no que estamos pensando ; )
>>>>
>>>> Muito bom. :-) Será que o Itaú teria algum tipo de interesse em
>>>> colaborar frequentamente? Mensalmente, trimestralmente...
>>>> Uma outra possibilidade, é com associações. Já fiz parte da diretoria
>>>> da Associação Python Brasil[http://associacao.python.org.br/] e nela
>>>> as fontes de lucro são 3, basicamente:
>>>>
>>>> - Valor da associação pago anualmente pelos associados - no nosso
>>>> caso, temos apenas para pessoas físicas, mas acho que seria legal ter
>>>> para pessoa jurídica também;
>>>> - Lucro (se houvesse) da conferência nacional anual da linguagem, a
>>>> PythonBrasil[http://www.pythonbrasil.org.br/];
>>>> - Doações de empresas ou indivíduos.
>>>>
>>>> > Após voltar da conferência em Genebra, o Police Neto me chamou para
>>>> uma
>>>> > conversa para pensarmos em formas de termos um Portal de Dados Abertos
>>>> > mantido pela sociedade civil. Ele mencionou uma lei criada por ele em
>>>> 2008
>>>> > que criava um fundo a partir do ISS das empresas de TI. Tenho que
>>>> voltar a
>>>> > ver isso. Chamei o pessoal da CGM SP para uma conversa, mostrou-se
>>>> > interesse, mas no final ninguém deu continuidade (paras essas coisas
>>>> darem
>>>> > certo, é sempre preciso alguém que fique em cima ;). Vou tentar
>>>> retormar em
>>>> > breve e posso criar um e-mail com detalhes sobre esse fundo para
>>>> > compartilhar aqui.
>>>>
>>>> Opa, nessa entra um projeto pessoal que estou desenvolvendo:
>>>> http://brasil.io/ :-)
>>>> Ainda está bem no começo, mas vários já se interessaram. Farei uma
>>>> apresentação sobre ele no FISL desse ano, onde teremos a primeira
>>>> versão lançada.
>>>> Talvez possamos unir esforços nesse sentido...
>>>>
>>>> > Sobre participarmos de editais, acho ótimo. Talvez podemos colocar
>>>> todos que
>>>> > podem ser de nosso interesse num pad e quando alguém descobrir um
>>>> atualiza e
>>>> > manda aqui para a lista? Como pretendemos funcionar como uma
>>>> organização
>>>> > plataforma, precisamos escrever isso melhor em nossa página para que
>>>> outras
>>>> > pessoas possam propor projetos que queria fazer via OKFBr.
>>>>
>>>> Infelizmente, para a maioria dos editais, é necessário ter professores
>>>> doutores ligados a instituições de pesquisa assinando as propostas aos
>>>> editais. Mas talvez dê para conseguir também editais que não tenham
>>>> essa necessidade (ou encontrar possíveis professores-parceiros em
>>>> universidades).
>>>>
>>>>
>>>> > E espero podermos criar uma campanha no médio prazo no estilo da da
>>>> > Wikimedia Foundation. Estou lendo o livro "Mais dinheiro para sua
>>>> causa", do
>>>> > Daniela Kelley, e há algumas dicas sobre isso. Mas temos passos
>>>> anteriores a
>>>> > serem dados.
>>>>
>>>> Antes de uma campanha maior, uma coisa que é fácil de implementar é
>>>> ter um botão para doações voluntárias (que pode ser implementado
>>>> usando PayPal, PagSeguro ou mesmo o GitTip[http://gittip.com/]).
>>>> Poderia ter isso no site (no cantinho) e também explicitar em todas as
>>>> ações (hacktons, posts no blog etc.) que a organização é aberta a
>>>> doações.
>>>>
>>>> > Já a brincadeira sobre o capitalismo, nesse meu engatinhamento pelo
>>>> terceiro
>>>> > setor brasuca, acho que o problema é mais embaixo. O que vejo de
>>>> desencontro
>>>> > de informação até mesmo entre alguns peritos não é brincadeira. E se
>>>> comparo
>>>> > o nível de algumas discussões sobre organizações da sociedade civil
>>>> > americanas, européias e as nossas, parece que ainda temos um longo
>>>> caminho
>>>> > pela frente. Pois veja, em 2009 eu já chamava a atenção, num debate
>>>> com o
>>>> > Milton Jung, Vagner Diniz e Soninha, para algumas coisas ocorrendo
>>>> nos EUA e
>>>> > Europa (hackathons, Sunlight Foundation (EUA), My Society (Inglaterra)
>>>> > etc.). Quanto tempo demorou para termos alguma coisa mais organizada
>>>> nesse
>>>> > sentido?
>>>> >
>>>> > Por fim, lembro de ter visto uma aula do Alexandre Abdo onde ele
>>>> dizia algo
>>>> > como o objetivo de algumas ONGs seria deixarem de existir, quando
>>>> algumas
>>>> > estão fazendo o papel do Estado (@Abdo, se ler isso aqui e puder
>>>> explicar
>>>> > com mais detalhes e referências, seria legal). E isso é  pouco
>>>> compreendido
>>>> > pelo perfil das pessoas chamadas de forma um tanto pejorativa de
>>>> "ongueiras"
>>>> > - ONG, estou sentido agora, tem uma conotação muito ruim no Brasil,
>>>> talvez
>>>> > pela falta de transparência e corrupção disseminada nos mais diversos
>>>> > setores, daí a descrença.
>>>>
>>>> Uma outra abordagem - diferente das ONGs que vivem somente de
>>>> patrocínio - é utilizar o conceito de negócio social definido, por
>>>> Muhammad Yunus[https://pt.wikipedia.org/wiki/Neg%C3%B3cio_Social],
>>>> onde a OKFN-BR poderia ter produtos/serviços que são vendidos a
>>>> instituições (exemplo: relatórios personalizados, feitos usando dados
>>>> abertos) e o lucro desses produtos seria usado para manter toda (ou
>>>> parte da) estrutura da organização.
>>>>
>>>> > Abraços,
>>>>
>>>> []s
>>>>  Álvaro Justen "Turicas"
>>>>    http://turicas.info/ http://twitter.com/turicas
>>>>    http://CursoDeArduino.com.br/ http://github.com/turicas
>>>>    +55 21 9 9898-0141
>>>>
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