"A USP é uma instituição pública. Ela não deveria preocupar-se em gerar renda. Se
todo o conhecimento produzido pela USP fosse liberado em sob licenças abertas
ela teria aumentado sua receita (que é baseada no ICMS) mais do que conseguiria
através dos monopólios comerciais sobre propriedade intelectual."
 
http://educacao.uol.com.br/noticias/agencia-estado/2014/09/25/usp-vai-vender-imoveis-para-arrecadar-r-50-mi.htm
 
Meu caro, permita-me cutucar este raciocínio.
 
A USP e qualquer outra Universidade qualquer que seja é o meio pelo qual inovações e criações tecnológicas podem sair. Tirar um dinheiro com isso? O necessário para sobreviver. Mais que isso? Sim, para investir com mais autonomia e expandir, crescer.
Algum problema de "tirar um dinheiro"? Nenhum. Como "tirar o dinheiro" (o lucro)? Isto que faz toda a diferença.
 
Criminalizando a prestação de serviço como o Windows faz ao acusar pirataria?
Provocando a limitação de acessos (tipos de DRMs)?
Causando desigualdade social e verticalização do produto? Não.
 
 Att.
Thiago Zoroastro
 http://blogoosfero.cc/profile/thiagozoroastro




De: [email protected]
Enviada: Segunda-feira, 15 de Setembro de 2014 19:55
Para: [email protected]
Assunto: [okfn-br] A caixa d’água como mini-usina hidrelétrica

> Na verdade, a concepção que tenho de patentes é que
> não precisa ser algo longe da GPL ou "licenças semelhantes".

Patentes envolve inovação enquanto que o direito autoral não. Para exemplificar,
a primeira pessoa que pensou em um bolo com recheio de chocolate pode patentear
a ideia mas cada receita (escrita) de um bolo de chocolate está protegida pela
lei de direitos autorais (e não pela patente).

> Se você diz que esse produto chegaria mais rápido ao mercado com esses
> formatos livres, então eu queria acreditar em você. Mas é exatamente
> isso que está faltando: a indústria de padrões e formatos livres?

Padrões são uma faca de dois gumes. E.g. alguns anos atrás nos adotamos um novo
padrão para tomadas elétricas, por que? Já tínhamos um padrão que atendia nossas
necessidades. Por que não adotamos o mesmo padrão utilizado nos Estados Unidos
ou no Reino Unido ou na África do Sul ou ...?

Existência de padrões estabelecidos permite que qualquer pessoa entre no
mercado. Mas diferentes padrões significam que o detentor daquele padrão
possuirá um pequeno monopólio.

> Pode ser ignorância minha, mas tenho a impressão que é mais fácil ganhar
> dinheiro com bens materiais livres do que com software livre.

Sim, pessoas estão mais propensas a pagar por bens materiais do que por software
(principalmente livre). Mas isso é algo que deveríamos trabalhar para mudar.

> O importante é garantir formas da USP tirar parte do seu próprio sustento por
> meio de criações e geração de receita de alguma forma com o conhecimento que é
> produzido.

A USP é uma instituição pública. Ela não deveria preocupar-se em gerar renda. Se
todo o conhecimento produzido pela USP fosse liberado em sob licenças abertas
ela teria aumentado sua receita (que é baseada no ICMS) mais do que conseguiria
através dos monopólios comerciais sobre propriedade intelectual.

Raniere
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