Oi Thiago tudo bem?
Estamos esperando o parecer final do STJ liberando a REDE


Enviado por Samsung Mobile.

<div>-------- Mensagem original --------</div><div>De : Thiago Avila 
<[email protected]> </div><div>Data:26/07/2015  14:12  (GMT-03:00) 
</div><div>Para: "Grupo de interesse em conhecimento livre no Brasil, 
especialmente dados abertos // Open Knowledge discussion list for Brazil" 
<[email protected]> </div><div>Cc: Jheni 
<[email protected]>,Isabela Meleiro 
<[email protected]>,PAIOLFILMES <[email protected]>,Carimie Romano 
<[email protected]>,Larissa Brainer <[email protected]>,Mariana Jó 
<[email protected]>,Emerson Marques Pedro <[email protected]>,Rangel 
Arthur Mohedano <[email protected]>,[email protected],Wander Lima 
<[email protected]>,Ludmila Almeida <[email protected]>,Rafael 
Carvalho <[email protected]>,Rafael Poço <[email protected]> 
</div><div>Assunto: Re: [okfn-br]      Obrigado e parabéns ao time da Open 
Knowledge Brasil/Eu Voto </div><div>
</div>Pessoal, parabéns pela iniciativa.  Vou ver o vídeo com atenção. 

Mesmo estando bem longe da maioria de vocês,  acompanho as discussões da lista 
com entusiasmo,  pois acredito na democracia e no conhecimento livre.

Concordo que não cabe ao Estado resolver tudo, mas o Estado precisa cumprir o 
seu papel corretamente, principalmente pela "fatura que ele nos cobra". Quero 
estar vivo para ver funcionando no Brasil um "Estado em Rede", conectado com 
outras redes.

Vamos que vamos.

Thiago

Em domingo, 26 de julho de 2015, Everton Zanella Alvarenga <[email protected]> 
escreveu:


Em 25 de julho de 2015 09:44, Heloisa Pait <[email protected]> escreveu:

Queria também agradecer a todos, foi um debate excepcional! Fiquei contente 
mesmo em ter participado!


Heloisa, que bom que gostou!! Eu não consegui na hora acompanhar todo o debate 
pois tinha que fazer várias coisas durante, mas vários trechos do vídeo no 
youtube e achei que tem muito o que podemos explorar a partir do que foi 
discutido. Quando tivermos a versão editada, espero achar tempo para escrever 
um post no nosso blog sobre o tema.

 
A frase da Marina que você citou teve bastante repercussão na mídia. Gostei em 
especial do que Diego Escosteguy disse: "Marina reclama que o povo nada faz 
contra a corrupção. Ainda bem. As instituições - aquelas que já existem - fazem 
por ele."

Helo, pode passar o texto completo onde isso foi dito? Eu tendo a discordar 
veementemente, pois está generalizando todas instituições, muitas delas falhas, 
arcaicas e ainda em desenvolvimento. Ainda mais num país que vive seu maior 
período de sua história numa democracia após décadas de uma ditadura militar. E 
quando falamos de democracia, a qual democracia nos referimos? Estamos falando 
da democracia liberal, que surgiu no século XVIII. Apesar dos avanços das 
instituições democráticas brasileiras desde o fim da última ditadura, não 
devemos deixar de ver a crise ela está, crise que ocorre até mesmo nas 
democracias liberais mais avançadas. Pensando só na França e Estados Unidos, 
muito mais maduras que a nossa e tiveram lideranças intelectuais no surgimento 
dessa democracia liberal, inspirando as revoluções francesa e americana, suas 
democracias estão também em crise. (1) E acho que isso está bastante 
relacionado com a crise civilizatória (crise econômica, crise social, crise 
ambiental, crise política e crise de valores) que estamos vivendo, enfatizado 
pela Marina Silva. 

Hoje temos 7 bilhões de pessoas, no final do século XVII não tínhamos nem 1 
bilhão de pessoas. Desde então tivemos diversos progressos (e. g., o surgimento 
dos direitos humanos - só após o fim da segunda guerra mundial!), mas nossos 
sistemas não estão atendendo a demanda da maioria da população mundial. E 
acreditar que nossas instituições democráticas estão sendo suficiente para 
diminuir a corrupção me parece muito ingênuo.

Só pensarmos no papel das escolas, que obviamente possuem um papel fundamental 
para diminuir a corrupção. Não explicamos nada sobre como funciona nossa 
política, não explicamos nada sobre o funciomantos dos poderes de nossa 
república, não ensinamos nada sobre nossos direitos civis. Falhamos até mesmo 
em ensinar a ler e escrever! Como podemos acreditar em nossas instituições 
quando, ao pensar numa das mais básicas, podemos elencar uma série de falhas 
gravíssimas para contribuir com o problema da corrupção.

Claro que nossas instituições democráticas estão progredindo em relação a época 
obscura das últimas ditaduras. E isso está contribuindo para diminuir a 
corrupção de diversas maneiras. Mas isso não é suficiente. 

Será que as pequenas corrupções do dia-a-dia vão ser resolvidas pelas 
instituições? As pessoas vão parar de usar o jeitinho brasileiro por causa de 
alguma entidade burocrática? 

Seja a corrupção na política, sejam essas pequenas corrupções do dia-a-dia, 
acredito que só teremos uma mudança cultural e efetiva quando os indivíduos 
passarem a ter uma postura mais de protagonista do que de espectador (pensando 
alto: questiono se nossa postura tão apática como meros espectadores não tem a 
ver também com termos começado a a alfabetizar nossa população numa época em 
que a TV surgira como grande meio de comunicação na década de 60). A questão 
aqui é desenvolver a capacidade de assumir a sociedade como seu problema, o 
povo como seu problema (coincidentemente vi agora um vídeozinho onde Darcy 
Ribeiro fala justamente isso, um grande exemplo de pessoa que, de fato, assumiu 
e agiu diante dos problemas da nossa sociedade), o que não é trivial, ainda 
mais com nossa tendência de não sairmos de nossas bolhas.

Outro aspecto importante que eu vi nessa fala da Marina foi o fato de 
simplificarmos os problemas como uma dualidade de visões (Partido A vs. Partido 
B, visão X vs. visão Y etc.), o que acaba dificultando o diálogo entre visões 
diferentes que almejam, muitas vezes, coisas parecidas. 

Vou transcrever o que ela disse na conclusão de sua fala, esse trecho que 
gostei:

"A política está, aos poucos, perdendo a capacidade de fazer a transformação. 
Porque ele diz "Nós conseguimos liberdade para fazer qualquer coisa, menos 
mudar o sistema. E se temos liberdade de fazer qualquer coisa, menos mudar o 
sistema, esse leviatã está dizendo que nós não podemos mudar nada. E a política 
precisa se reconectar com a sua potência transformadora. É disso que se trata, 
é isso que está em jogo no mundo inteiro. E talvez essa crise da civilização 
não seja a militância de uma pessoa, de um grupo, de um partido. É a militância 
de todos ao mesmo tempo agora. Mas para isso a gente precisa estar conectado na 
visão. Para isso a gente precisa ter processos que sejam adequados e as 
estruturas sejam adequadas. A visão não pode ser uma visão autoritária, a 
verdade não está com nenhum de nós, ela está entre nós. Não pode ser uma 
estrutura rígida, tem que ser uma estrutura flexível, com plasticidade 
necessária para acompanhar a velocidade dos momentos. E obviamente que os 
processos altamente democráticos, sem a pretensão de homogeneizar o sonho e 
diluir as diferenças. Nós somos diferentes, sonhamos diferente, desejamos 
diferente. 

Quando os projetos totalitários de direita ou de esquerda oferecem para você um 
destino, é sempre muito na base de que nós somos iguais, estamos todos 
caminhando numa mesma direção. Não é isso. Todo mundo tem interesse, não é 
errado ter interesse. O erro é quando alguém de forma ilegimia impõe o seu 
interesse ao interesse do outro. Depois do debate talvez a gente falar um pouco 
sobre como é que vejo a liderança para esse mundo que está se descortinando, 
qual é o papel da liderança, já que a gente não se pode ficar refém apenas das 
estrutura e das lideranças carismáticas. Eu digo isso com tranquilidade pois eu 
sei que tenho um certo carisma. Mas se existe uma coisa para a qual eu quero 
usar o carisma que tenho, é para convencer as pessoas que não dependam do 
carisma. O mundo complexo que temos diante de nós exige sujeitos, que se 
coloquem como sujeitos. E se colocando como sujeitos, assumindo suas 
responsabilidades. 

Aqui no Brasil todo mundo está muito feliz de dizer que a culpa da corrupção é 
da Dilma. Enquanto a culpada pela corrupção for a Dilma, o Lula, o Sarney, o 
Collor, o Dom Pedro II e I, vai ter corrupção feia! Quando a corrupção virar um 
problema nosso, acabaremos com a corrupção, ou pelo menos criaremos 
instituições para coibí-la. Porque é praticamente impossível com seres humanos 
imperfeitos. Pessoas virtuosas criam instituições virtuosas. E instituições 
virtuosas corrigem as pessoas, quando elas falham em suas virtudes. Então não é 
sustentável achar que a corrupção é por causa de uma pessoa, de um grupo ou de 
um partido. Se for assim, nunca vamos resolver.

Enquanto a escravidão era um problema dos senhores donos de escravos, tinha 
escravidão no Brasil. Quando virou um problema de médico, advogado. de 
engenheiro, de política, de todo mundo, acabamos com a escravidão. A mesma 
forma com a democracia. Enquanto a ditadura era um problema de militares, 
ditadura feia. Quando a ditadura virou um problema de político, de religioso, 
de artistas, de jornalista de todo mundo, reconquistamos a democracia. Isso é a 
dimensão da sustentabilidade politica, tem uma outra complexidade que não se 
limita a dualidade esquerda-direita como a gente simplisticamente está 
acostumado a dizer. A gente tem que olhar para o mérito do que está acontecendo 
no mundo e trabalhar muito mais no campo dos paradoxos do que a mera e simples 
dualidade opositiva."

E as últimas eleições deixaram bem claro o quão distantes estamos de 
simplificarmos nossos problemas nessa dualidade opositiva. Acho que até mesmo 
aqui entre nós isso pode estar ocorrendo.

(1) Sobre a francesa, recomendo esse documentário 'I didn't vote', sobre a 
americana, parece que o Lessig expõe bem alguns de seus problemas no seu 
'Republic, Lost', mas nem precisamos dessa intelectualização, estamos vendo nas 
ruas a partir dos movimentos de ocupação. E acho bacana a perspectiva geral que 
o pesquisador português Manuel Arriaga dá no livro 'Reboot Democracy' 
<http://rebootdemocracy.org/> sobre os problemas com a atual democracia, 
apontando suas principais falhas e propondo algumas soluções, além de listas 
tentativas ao redor do mundo.

Também acredito que devemos usar os meios para aprimorar nossas instituições, 
com todo o respeito que elas merecem. Elaborei melhor essa idéia no texto que 
postei ontem em nosso blog, http://br.okfn.org. Aliás, quem tirou as fotos? 
Super obrigada!!!

Para registro nos arquivos da lista, o link para sua boa reflexão: 
http://br.okfn.org/2015/07/24/tecnologia-e-representacao-substitutos-ou-complementares/

Foi a Isabela Meleiro, uma das voluntárias, quem tirou essa fotos, em breve 
coloco no nosso grupo no flickr e algumas no Wikimedia Commons.

Tom


-- 
Thiago José Tavares Ávila
Mestrando em Modelagem Computacional do Conhecimento - Instituto de Computação 
- UFAL
Msc Student in Knowledge Computational Modeling - Computing Institute - UFAL

Curriculum Lattes/Academic Profile: http://lattes.cnpq.br/7744328862480065

Bacharel em Ciência da Computação/Bachelor in Computer Science - UFAL 
MBA em Gerência Executiva de Projetos/MBA in Project Management - FGV 

Membro do NEES - Núcleo de Excelência em Tecnologias Sociais
Member of NEES - Center for Excellence in Social Technologies
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