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Prezado Albérico
Falcão:
Trata-se de um vírus que está progressivamente tomando as
várias Unimeds.
Veja o texto a seguir, que há cerca de 3
anos foi publicado no Boletim da SBORL e está cada vez mais atual,
lamentavelmente.
Quanto à resposta específica
às suas solicitações, estou enviando sua carta à
Secretaria da SBORL, a quem cabe exclusivamente decidir sobre o encaminhamento e
resposta.
Atenciosamente,
Marcos Sarvat
Defesa
Profissional
Central de
Convênios e Unimeds: Soma ou
divisão?
Ouçamos todos os lados e tiremos conclusões:
Médicos não membros da cooperativa médica de seu
município criticam a unimed com sendo excludente (não aberta a
todos) e por interpor mais obstáculos à prática
médica do que os planos chamados comerciais e empresas de
auto-gestão (estatais, por ex.), com mais glosas e negativas de
autorizações para exames e procedimentos.
Médicos cooperados à unimed referem que foram eles que
tomaram a iniciativa de montar a cooperativa, assumindo custos, riscos e
dificuldades, e que não seria justo, depois de tornarem-na forte com seu
trabalho e investimento, que os outros colegas, que ficaram somente assistindo,
venham exigir participar da colheita desses frutos.
Entretanto, médicos cooperados e médicos não-cooperados
tem, em grande parte dos casos, uma incoerência em comum: aceitam (ou
são obrigados a) vender seu trabalho aos planos comerciais (medicina de
grupo e seguradoras) por valores aviltantes, menores do que os pagos pela
cooperativa deles próprios médicos.
De
que forma? Os cooperados, ao assinarem credenciamento com outros planos,
abastecem a concorrência da sua própria unimed com serviços
de menor custo. Repetindo: os próprios donos da empresa vendem para si
mais caro do que para os concorrentes!
Já os não cooperados, ao se credenciarem nos planos da
vida, dificultam cada vez mais o crescimento da unimed, que poderia
então cooperá-los com segurança. Logo, a atitude dos que
dizem querer participar da unimed, aceitando as condições da
concorrência, dificulta a sua própria entrada na
cooperativa!
Bem,
dirão alguns (ou todos):
A
necessidade de sobrevivência não permite tanta coerência !
Verdade, para ambas as partes. E disso, quem se aproveita? Os
planos!
Muitos médicos querem ser cooperados, mas a Unimed não pode
abrir-se de forma irrestrita a todos, pois isso comprometeria sua viabilidade
econômica, ao crescer o número de cooperados sem aumento
equivalente do número de usuários. Inegavelmente, a Unimed
é uma empresa cujos donos são um grupo de médicos, mas
não obrigatoriamente todos os médicos. E como empresa, está
enquadrada nas regras da chamada Realidade de Mercado. E esse mercado de planos
de saúde impõe uma concorrência selvagem, na qual, queiramos
ou não, estamos todos inseridos, cooperados ou não.
Assim entendido, chegamos a alguns dilemas:
Precisamos intervir nesse mercado? Podemos? Queremos?
E
que têm em comum médicos cooperados e
não-cooperados?
Possíveis respostas:
Somos nós todos os prestadores de serviços desse sistema.
Precisamos, podemos e devemos querer nos unir, por uma simples questão de
sobrevivência.
Sejamos pessoas físicas ou jurídicas, cooperados ou não,
podemos influir implantando uma nova variável no sistema: a Central de
Convênios, que significa obtermos representação coletiva e
centralizada, e administração profissionalizada de nosso
trabalho.
Com
isso ganham os médicos, cooperados ou não.
Ganham as Unimeds com a adesão à Central de Convênios,
entendam isso agora ou não. Com uma Central de Convênios forte as
unimeds poderão se abrir e participar do resgate dos princípios
cooperativistas abafados por esse mercado: Credenciamento Universal, Autonomia e
Dignidade para médicos e pacientes, Concorrência ampla, livre e
ética.
E ousamos prever que ou entendemos isso, todos e
já, ou devemos nos preparar para a contaminação das unimeds
com a filosofia do managed care. E as poucas que sobreviverem à
essa infecção oportunista, terão seqüelas graves e
incapacitantes.
Boa
notícia: as cooperativas, ao contrário das empresas
intermediadoras, têm seu destino guiado pelos médicos que as
compõem, com seu voto e participação. Cabe esclarecer que
as unimeds, regidas por estatutos democráticos, apoiarão a Central
se, e somente se, os seus cooperados valorizarem isso. Assim, cabe a todos
nós convencermos os médicos cooperados a aderirem fortemente
à Central, e, considerando que todos os médicos, cooperados ou
não, atendem os demais convênios, e naturalmente fazem parte da
classe médica, nossa tarefa têm grandes possibilidades de
êxito.
Percebam: As Unimeds são importantes para a Central de
Convênios.
E
importante: A recíproca é verdadeira, e unir a classe, já,
é vital!
E afinal, quem concorda realmente que o Credenciamento Universal
é a única forma concreta de garantirmos o livre acesso ao trabalho
e justa concorrência?
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- [otorri.] Unimed Alberico Falcao
- [otorri.] unimed Marcos Sarvat
- [otorri.] unimed Dr. Marco Antonio
