Prezado Silvio Castro:
 
Em relação ao caso de surdez súbita D por você relatado, acho que nesta altura não existe outra alternativa se não realizar  a ressonância com gadolíneo; porém, seria também interessante saber se esta hipoacusia apresentou períodos de flutuação e se as tonturas estão associadas a esforços físicos ou ao deitar-se, etc.
Em relação ao BERA por você descrito: "apresentou aumento da latência das ondas I, III e V em OD e OE, mantendo os intervalos e interpicos, morfologia e amplitude das curvas dentro dos limites de normalidade, com sinais de afecção retrococlear em OD e sugestivo de perda de condução em OE". Minha dúvida é,  quais foram os sinais de afecção retrococlear encontrados neste exame ?  Desde que o aumento das latências absolutas podem ocorrer pela própria perda auditiva relatada bilateralmente !  Depois, no restante descrito está tudo dentro do normal !  Foi feito alguma outra observação no BERA como, diferença interaural entre os intervalos das ondas ou latência da onda V  ou curva latência intensidade da onda V significantes ?!  Ou qualquer outra alteração não mencionada ? ? 
Como todos sabemos, o BERA é realizado principalmente com duas finalidades: para pesquisa de limiar eletrofisiológico auditivo e como neste caso, para analisarmos a condução do estímulo sonoro no nervo auditivo e vias auditivas do tronco encefálico, onde poderá está alterado ou não, nos baseando em critérios e parâmetros existentes para tal análise; portanto, na minha opinião por exemplo: mesmo que estejamos com uma ressonância nas mãos mostrando um neurinoma do acústico e realizamos posteriormente, por um acaso o BERA e, este apresentar-se normal, a conclusão tem que ser normal (óbvio), não adianta querer tirar mais do exame do que ele  oferece, infelizmente este exame cairia naqueles falsos negativos. Por outro lado, se um BERA  apresenta-se com alteração sugestiva de distúrbio na condução retrococlear evidente, com exame realizado sem problemas, paciente bem relaxado, etc e partirmos para avaliação por imagem e este dá negativo....!  Se tivermos certeza no analisado, associado ao quadro clínico, etc,  podemos e devemos muitas vezes repetir o exame de imagens, pois estes também podem dar falsos negativos (em percentagem menor); acredito que com muitos deste grupo já deve ter ocorrido casos desta ordem; 
Aguardo notícias da paciente, saudações.
Marco Antonio Lima
ORL - Recife
 
 
De: Silvio <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Terça-feira, 8 de Fevereiro de 2000 00:38
Assunto: [otorri.] Perda de Audição

CAROS COLEGAS DO GRUPO DE ORL:

Envio este caso para discussão: paciente, sexo feminino, 58 anos, branca, com queixa de perda súbita de audição em OD há 1 ano, associado a zumbido e vertigens. No início do quadro, foi acompanhada por outro colega que solicitou Audio e Impedancio ( perda neurossensorial severa a partir de 500 hz em OD e perda condutiva leve-moderada em OE, na Impedancio indicava curva tipo A e reflexos ausentes em OD e curva tipo C com reflexos ausentes em OE, na Audio vocal curva com deslocamento para direita com perda da forma de S itálico em OD e curva com deslocamento para direita conservando a forma de S itálico em OE, na discriminação 90% em 75 db em OD e 100% em 55 db em OE). O Colega prescreveu Tanakan, sendo que a paciente não chegou a fazer uso. A paciente me procurou há 30 dias referindo hipoacusia e zumbido mais acentuados em OD, porém com as vertigens bem mais leves que de início. Nega queixas de Nariz e Garganta. No exame ORL, não verifiquei alterações. Solicitei nova Audio e Impedancio, com resultados próximos do primeiro exame. Também pedi um BERA, que apresentou aumento da latência das ondas I, III e V em OD e OE, mantendo os intervalos e interpicos, morfologia e amplitude das curvas dentro dos limites da normalidade, com sinais de afecção retrococlear em OD e sugestivo de perda de condução em OE. Na Tomografia Computadorizada de Ouvidos, não foi evidenciada alterações.

Devo prosseguir na investigação? Talvez uma Ressonância? Peço auxílio no caso. Obrigado.

Silvio Augusto P. Castro

Garça – S.P.

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