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Prezado Eduardo e demais colegas de
grupo:
Estamos de pleno acordo: existem servi�os e colegas com bom senso (como o que voc�
citou, que tenho o prazer de conhecer), que pensam e atuam atendendo
simultaneamente �s necessidades pessoais e coletivas.
A frase "Nunca fa�a ao outro o que n�o
gostaria que fizessem com voc�", que pode ser lida como "fa�a sempre ao outro o
que gostaria que fizessem com voc�", deveria ser mais seguida, e nesse
sentido, por uma quest�o de coer�ncia, e entendendo que
solidariedade significa "n�o deixar que fa�am ao outro o que n�o
gostar�amos que f�sse feito conosco", dever�amos defender que:
- Todo cidad�o tenha acesso a concursos
justos e equ�nimes para forma��o em Medicina.
- Todo m�dico tenha acesso a concursos
justos e equ�nimes para especializa��o em campos da Medicina (ORL-CCP,
por ex.).
- A determina��o ou
limita��o do n� de vagas e sua distribui��o geogr�fica atenda �s
necessidades da popula��o, pois tanto a falta quanto o excesso de m�dicos �
prejudicial aos pacientes e aos profissionais.
- A concorr�ncia seja livre, ampla, �tica e
essencialmente baseada em habilita��o t�cnica, e n�o em nepotismos, arranjos,
favores, marketing, etc, etc.
- Toda esp�cie de reserva de mercado seja impedida, por ser nociva �
Medicina, ao levar � acomoda��o e reduzir o est�mulo, a motiva��o e a
constante busca de aperfei�oamento.
Em verdade, precisamos de mais bom senso
e menos influ�ncias de disputas por mercado. Ali�s, como soa mal esta
palavra quando se fala de Medicina, n�o �?
Quanto a quest�es pessoais versus coletivas,
gostaria de frisar que podemos entender que toda organiza��o social (como a
SBORL, por ex.) deva estar aberta � defesa tanto dos direitos individuais
quanto dos coletivos.
Apesar de parecer contradit�rio ou excludente, toda
a��o pol�tica (que palavra bonita quanto bem empregada!) deve ser s�bia ao
ponto de diferenciar pretens�es pessoais que ferem o direito coletivo
(credenciamento individual por ex.) de eventuais direitos minorit�rios que devem
ser acatados pela maioria, seja l� qual for. Assim, entendemos que muitas quest�es morais e �ticas est�o
muito acima de qualquer decis�o por mais popular
ou democr�tica que pare�a ser, e
a� se enquadra o direito � liberdade, �
autonomia, ao trabalho, � livre iniciativa, � livre concorr�ncia (ao
credenciamento universal) e muitos outros direitos que vem sendo negados aos
m�dicos brasileiros.
E assim vamos trabalhando, recebendo queixas
individuais e tentando perceber se podem ser sinais de necessidades coletivas
pertinentes ou meras misturas indevidas de quest�es pessoais nas
coletivas.
Ali�s, ousaria dizer que elas sempre v�m juntas, e
estamos tentando diferenci�-las
melhor no 2� F�rum de �tica e Defesa Profissional da SBORL - em Natal, em
16 de outubro.
Abra�os a todos!
Marcos Sarvat
Diretor de Defesa Profissional da
SBORL
---- Original Message -----
Sent: Wednesday, August 23, 2000 9:47
PM
Subject: Re: [otorri.] Quimioterapia, ORL
e C Pesco�o
Marcos Sarvat wrote:
prezados
colegas,
Acho muito interessante este assunto e ao mesmo tempo tenho receio da briga e
mal entendidos que vejo se iniciando. H� atualmente uma disputa de interesses
e pelos pacientes que se pode perder ou ganhar.
De certa forma o que foi dito sobre a resid�ncia medica de cabe�a e
pesco�o(CP) nao � verdade pois no servi�o de CCP da faculdade de
medicina da USP RIBEIRAO PRETO temos colegas que entraram na
residencia ap�s a RM de ORL, e se tornaram especialistas em ambas. Acho que os
chefes das duas disciplinas, l�, chegaram ao bom senso que este deve ser
realmente o futuro , uma mesma especialidade, e temos forma�ao em ORL,
ONCOLOGIA, BUCO-MAXILO-FACIAL, PLASTICA FACIAL E ENDOSCOPIA PER-ORAL.
Tenho realmente receio que entremos em uma briga desejada por alguns , e que
j� algum tempo vem tentando arm�-la .CUIDADO COM A MISTURA DE INTERESSES
PESSOAIS NOS ASSUNTOS COLETIVOS .
um abra�o
EDUARDO
Prezado
Adriano Fonseca e demais colegas de grupo: Esta quest�o da Quimioterapia em ORL � uma boa
oportunidade para conversarmos sobre as rela��es entre ORL e cabe�a e
pesco�o, e j� que fomos indagados, vamos nos referir ao papel desempenhado
pela SBORL nesta quest�o, esperando ampliar o debate sobre esse relevante
assunto. 1. Na Europa,
pela qual fomos colonizados, o ORL recebe forma��o adequada para
diagnosticar, tratar e operar ouvidos, nariz, garganta e pesco�o, sejam
doen�as malignas ou benignas; 2. Nas Am�ricas isso tamb�m ocorre de forma semelhante, exceto nos
EUA (que vem nos colonizando mais recentemente), em que uma minoria
dos m�dicos atuantes na �rea oncol�gica de cabe�a e pesco�o originou-se da
cirurgia geral, dando grande impulso �s t�cnicas mais
alargadas; 3. Criou-se os
chamados "Hospitais de C�ncer", partindo do pressuposto de que especializar
uma institui��o seria bom em termos t�cnicos e de marketing (c�ncer
deve ser tratado num Hospital de C�ncer), e nessa montagem, em alguns desses
centros de refer�ncia, tanto nos EUA quanto no Brasil, privilegiou-se a
contrata��o de cirurgi�es gerais; 4. Paralelamente a isso, os ORLs no Brasil (talvez apenas no Brasil)
tenderam a preferir procedimentos menores, com menor potencial de
complica��o, e talvez tenham achado at� "c�modo" ter para onde ou para quem
encaminhar os casos mais graves de tumores (algo semelhante se fez em
rela��o ao trauma de face e � endoscopia
per-oral/broncoesofagologia); 5. Com isso formou-se uma situa��o totalmente an�mala, na
qual quem tem mais condi��es de diagn�stico e conhece melhor as enfermidades
em geral (o ORL) "abre m�o" de diagnosticar e tratar as enfermidades
malignas; e os chamados hospitais de C�ncer empregam recursos gigantescos
para tratar de doen�as que poderiam e deveriam ser prevenidas e
diagnosticadas precocemente a um custo fantasticamente menor, no caso, pelo
ORL bem treinado. Lembremos que nas demais �reas cir�rgicas essa estranha
deforma��o n�o ocorre: Uro, Gineco, Abdomen, Neuro, etc, em que o mesmo
profissional assume os traumas, as patologias benignas e as malignas de sua
�rea anat�mica; 6. Para
agravar isso tudo, considerando que o mercado para o cirurgi�o de cabe�a e
pesco�o que s� trate de c�ncer � muito restrito, eles tenderam e tendem a se
estender para �reas da ORL, sem ter forma��o para tal, como nas doen�as
benignas da laringe, por ex., com a ativa ou passiva concord�ncia de alguns
ORLs que n�o se interessavam por laringe; 7. Sentindo esta press�o por espa�o, principalmente
na �rea privada, as �ltimas diretorias da Sociedade Brasileira de Cirurgia
de Cabe�a e Pesco�o se empenharam em impedir o acesso de ORLs � Resid�ncia
M�dica (RM) em Cirurgia de Cabe�a e Pesco�o, deixando de aceitar a RM em ORL
como pr�-requisito. Assim ficamos, ap�s a modifica��o que estes colegas
(ansiosos por reserva de mercado) implantaram: qualquer m�dico pode
candidatar-se � RM em ORL, mas somente os que j� tenham RM em Cirurgia Geral
podem inscrever-se para Cirurgia de Cabe�a e Pesco�o, e nas grandes
institui��es de C�ncer (ao menos do Rio e SP) n�o h� nenhum colega de origem
ORL contratado, sem falar nas articuladas entrevistas que excluem os
ORLs. Vale citar que estas funda��es, apesar de disporem largamente
de dinheiro p�blico, selecionam pessoal sem concurso p�blico, saibam
todos. Em contraste, todos os cargos p�blicos de ORL s�o submetidos a
concurso p�blico, que pode at� sofrer algumas influ�ncias e manipula��es,
reconhecemos, mas s�o abertos e p�blicos, frise-se, at� aos
cirurgi�es de cabe�a e pesco�o que, em v�rios casos atuam em servi�os de ORL
e, cientes da import�ncia de ampliar seu leque de atua��o �s enfermidades
benignas, ensaiam auto-entitularem-se
otorrinolaringologistas; 8. Em resposta e clara rea��o a todo esse absurdo (conveniente para
alguns poucos) a SBORL, entendendo que a Otorrinolaringologia e a Cirurgia
de Cabe�a e Pesco�o, por atuarem em uma �rea anat�mica comum, tratarem dos
mesmos �rg�os e utilizarem as mesmas t�cnicas de diagn�stico e tratamento,
comp�em idealmente uma �nica e indissoci�vel especialidade m�dica, e que as
suas diversas �reas de atua��o, interesse ou prefer�ncia devem ser
prestigiadas, associadas e interligadas, criou o Departamento de Cabe�a e
Pesco�o, com o objetivo de resolver os conflitos atuais, resgatar e
garantir a forma��o mais adequada e completa poss�vel ao profissional
m�dico de nossa �rea. 9.
Mais um ponto para pensarmos nas contradi��es pr�ticas que vivemos: alguns
colegas ORLs evitam encaminhar os casos de tumores para cirurgi�es de cabe�a
e pesco�o com forma��o em ORL (chegam a enviar o paciente para outra
cidade), s� para n�o prestigiar aquele que compete tamb�m na ORL. Assim, o
"mais restrito" limita o crescimento do "mais abrangente", e a
especializa��o passa a significar apenas uma abjeta cerca divis�ria de
mercados (cartelzinho), percebem?; 10. Colegas, como v�m, existe uma hist�ria, aqui
resumida, e uma luta �rdua vem sendo levada para que o �bvio seja atendido:
a CCP � uma �rea de atua��o comum ao ORL e ao Cirurgi�o Geral, e
ambos (e at� qualquer outro m�dico) devem e podem contribuir para que as
enfermidades malignas da cabe�a e do pesco�o sejam mais e melhor prevenidas
e tratadas. E,
mais �bvio ainda, o m�dico ideal na �rea ORL-CCP deve abranger as
enfermidades mais comuns e as mais graves, sejam benignas ou malignas, em
benef�cio dos pacientes como um todo: ou seja, trata-se de uma s�
especialidade, artificialmente fragmentada em nosso Pa�s, pela a��o de
uma ex�tica mistura de particularidades hist�ricas e conveni�ncias pessoais
de ambas as partes. Lembramos finalmente que o 2� F�rum de �tica e
Defesa Profissional em ORL, marcado para o dia 16 de outubro, em
Natal, reserva um bom espa�o para essa importante discuss�o, e que n�s tr�s,
coincidentemente, somos otorrinolaringologistas e cirurgi�es de cabe�a e
pesco�o, extremamente interessados nisso tudo. O que (nos) perguntamos � se
o corpo e os membros da SBORL tamb�m tem sensibilidade para
que tal relevante quest�o, que depende tamb�m, e muito, de todos
n�s para ser mais priorizada e resolvida, coletivamente, atrav�s de
nossa entidade representativa nacional, a SBORL. Abra�os a todosMarcos Sarvat [EMAIL PROTECTED]Diretor de Defesa Profissional da
SBORLMarcos Nemetz [EMAIL PROTECTED]Vice-diretor de Defesa Profissional da
SBORLAgricio Crespo [EMAIL PROTECTED]Diretor do Departamento de Cabe�a e Pesco�o da
SBORL Sociedade
Brasileira de Otorrinolaringologia: contacte via [EMAIL PROTECTED] ----- Original Message -----From: AdrianoSF <[EMAIL PROTECTED]>To: <[EMAIL PROTECTED]>Sent: Saturday, August 12, 2000 8:55
PMSubject: RES: [otorri.]
Quimioterapia em ORL Amigo
Paulo,
Inicialmente obrigado pelo artigo. Sei que
toda atitude � uma atitude pol�tica, mesmo as involunt�rias, mas em nosso
triste pa�s de doentes � dif�cil n�o ter �mpetos de ca�ar com gatos diante
do sofrimento de nossos pacientes. Os truques profissionais ao mesmo tempo
em que resolvem o problema daquele paciente acaba postergando a resolu��o
definitiva... mas... n�o podemos nos alijar diante do sofrimento individual
em pr� do coletivo... devemos tentar atuar nas duas correntes. Espero que
os CABE�AS de nossa Sociedade de ORL que este ano passa a ter
definitivamente o C�ncer de Cabe�a e Pesco�o como �rea de atua��o estejam ao
menos lendo esta nossa conversa na rede. O brasileir�o vai ser uma boa
oportunidade de discutirmos mais sobre estes assuntos... Espero que voc�
possa vir para trazer sua experi�ncia pessoal para nosso
enriquecimento. Comente
mais sobre as diferen�as que voc� notou ao chegar a�...
Abra�o Adriano Fonseca
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