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Oi Pavan,
Acho que a briga tem que ser initerrupta mesmo, constante mas
com resultados, talvez mudando algumas estratégias. As estratégias
utilizadas até agora (pela AMB) não estão dando certo e as
coisas estão só piorando. Acho que a Defesa Profissional da SBORL
tem idéias excelentes e inovadoras e com alguns ajustes o resultado
será melhor.
O fato é que devemos raciocinar em cima do que acontece
em outros lugares e da experiência dos outros para não incorrer nos
mesmos êrros. Tabelas não dá certo em nenhum lugar e em
nenhuma profissão ou serviço, pois o que manda é a lei do
mercado. Sempre haverá maneiras dos planos de saude tangenciar as tabelas
e sempre haverá colegas oferencendo preço mais baixo. Tabelas
são cartéis, seja por um lado ou pelo outro.
É como quando teve o
plano cruzado e quizeram tabelar tudo e revogar a inflação por
decreto. Não dá certo, na Roma antiga tentou-se decretar que quem
aumentasse os preços era sujeito à prisão e na
reincidência à pena de morte. Não funcionou, a lei do
mercado mandou e os preços continuaram subindo ou descendo conforme o
mercado.
O fato é que há um triangulo:
-O plano de saúde
-O médico
-O paciente
Nenhum dos 3 quer perder.
Se aumentar as consultas e procedimentos existem 2
possibilidades:
- Aumentar o preço para o paciente ou restringir
consultas/procedimentos pois os empresários nunca vão querer
perder ou deixar de ganhar.
O médico por sua vez
para ganhar mais ou por não ter tempo de raciocinar muito em cada doente
pois tem que atender muitos para ganhar um pouco mais, pede um monte de exames
subsidiários que inviabiliza o empresário.
O paciente por sua vez como não tem
restrições vai em um monte de médicos
desnecessáriamente pois é grátis e ele paga o
convênio e quer usar e gosta quando o médico pede um monte de
exames pois acha que está sendo melhor atendido e está
"compensando" o caro convênio que ele paga. Com isso o
empresário tem que abaixar ou restringir. Se para um paciente particular
voce pedir um monte de exames ele vai dizer, este médico não sabe
nada pois eu paguei 100,00 uma consulta e gastei 1500,00 de exames. Para um
paciente de convênio se voce não pedir exames ele reclama, Pô
doutor pode pedir exame, o convênio paga !!
Viu ? vira um circulo vicioso sem saída
Sempre um dos 3 sai
perdendo.
Na minha cabeça há uma possibilidade que eu
até já conversei com alguns dirigentes de convênios, que
é um tipo de "ticket consulta" ou cheque consulta ou ticket
saúde, sei lá o nome tanto faz. É como ticket restaurante.
O paciente ou a empresa compra o talão de ticket que tem um valor X
conforme o que foi pago no seguro, e o outro talão o paciente
receberá depois de algum tempo (meses). O paciente pode procurar o
médico que ele quizer e pagar com 1 ou mais tickets, depende do
preço do médico e do ticket. É como nos restaurantes. Voce
tem um talão de tickets mensal, que cada um vale 10,00 por exemplo. Seu
talão inteiro vale 200,00. Se voce for almoçar no Mac Donalds,
voce come, com 1 ticket, agora se voce quizer comer em um restaurante
sofisticado, voce pode gastar seu ticket inteiro de uma só vez. Voce pode
guardar os tickets e usálos todos de uma vez depois de 1 ano. Pode haver
ticket exame, cirurgia, internação etc... Vai haver médico
que atenderá por 1 ticket, assim como há restaurantes que voce
come com 1 ticket e haverá médico que o cara terá que dar o
talão inteiro. Cada médico é livre de saber qual
será seu preço. Isto é mais próximo ao livre mercado
e à livre iniciativa de uma profissão liberal como a
nossa.
Isto resolveria o problema do médico, do
empresário e do doente e quebraria o círculo. Esta idéia,
lapidada acho que daria certo. Não dá para ficar escrevendo tudo
aqui no grupo é preciso discutir e ver os prós e contras e sempre
lutar por melhores condições para nós e para os pacientes,
o cartel médico nos EUA levou ao medicare e à
restrição de exames e procedimentos. Temos que aprender com o
êrro dos outros, não é atitude passiva é atitude
inteligente de não perder tempo com coisa jé experimentada que
não deu certo.
abraços
Ricardo Bento
Caro Ricardo, são atitudes passivas como
essa ("infelismente o mercado pressiona....., no mundo todo
é tudo muito parecido....., médicos ingleses e americanos
estão ganhando mal..., etc."), e desde há muito
tempo, que têm nos levado à situação em que nos
encontramos. Estamos na mão dos consumidores de saúde (i.e.
medicina de grupo, cooperativas, etc.). só que nós
temos as laranjas. Vamos nos mobilizar e mudar, para
valer, essa situação. Chega de
comodismo.
Abraços
Pavan
P.S. Podemos todos passar muito bem sem
laranja. Substitua por maçã, uva, etc.. Agora, será que
o farmacêutico ou balconista da farmácia da esquina trata uma
mastoidite, uma abascesso periamigaliano, meningite, infarto do
miocárdio, fratura exposta, etc. com pastilhas, aspirina, ampicilina,
etc.? Chega de abacaxi, pepino, nabo.....
----- Original Message -----
Sent: Thursday, September 21, 2000
9:46 AM
Subject: [otorri.] Re: [otorri.]
Dúvida
Prezado Gustavo,
Concordo com tudo o que voce falou, a realidade
é essa mesmo.
Infelizmente este problema profissional, é uma
questão de mercado que trancende nossa especialidade. Temos um
país com concentração de renda muito alta em alguns
locais e faz com que todos naturalmente converjam para estes locais.
Existe um grande número de médicos formados a cada ano,
existem médicos da América do Sul imigrando para o Brasil
pois a situação em seus países está pior
ainda ( na Argentina quase todos os médicos tem outros empregos,
como motorista de taxi por ex.). Aliás no mundo inteiro
está parecido. A média dos médicos na Inglaterra
(sistema totalmente estatizado) ganha em torno de US$ 5000,00 que para o
custo de vida local é pouco. Nos EUA as medicinas de grupo
estão na mesma pressão que ocorre no Brasil. A
diferenciação que voce falou é portanto muito
importante, quem como voce, montou sua carreira solidamente (titulo de
especialista etc..) deve ser sem dúvida diferenciado. Devemos
é tentar promover uma melhor distribuição de nossa
especialidade pelo Brasil e melhorar a formação do
otorrinolaringologista, isto trará mais mercado e área de
trabalho e prestígio entre os colegas de outras especialidades.
Acho também que o caminho seria o término dos
credenciamentos e a livre escolha, mas infelizmente o mercado pressiona
e no final vale a velha lei do mercado, tem muita laranja o preço
da laranja abaixa, mas as laranjas de qualidade continuam vendendo bem
!!!!
abraços
Ricardo Bento
Prezado Pedro e demais
Colegas,
Vamos considerar a real situação da
distribuição dos otorrinos no Brasil: uns 300
municípios brasileiros com otorrinos, etc... como foi
discutido anteriormente. Pois bem, é uma prática muito
comum no interior do Brasil, e não precisa ir muito longe
(posso citar a minha cidade que é Franca-SP), alguns
colegas que fizeram um estagio não reconhecido, não
completaram a residência, ou terminaram a
graduação e se lançaram no mercado de trabalho
e na parede em letras garrafais colocam : OUVIDO, NARIZ E
GARGANTA, prestando atendimento em otorrinolaringologia, tomando
espaços de quem fez tudo direitinho.. Não são
membros da SBORL, não tem títulos de
especialista e não completaram a residência. Fazem
algumas cirurgias de A+A, septo, tumorzinho, etc... e quando a coisa
complica, vaselinam e encaminham o caso para a gente ou outros
colegas e nós seguramos a "bucha". Atendem
convênios tanto quanto a gente, não complicam
para eles, pedem poucos exames e são adequados para aquilo
que interessa aos patrões da medicina de grupo,
barganham preço baixo de consultas e e de exames de
audio ( muitas vezes explorando as fonoaudiólogas) em
benefício pessoal excluindo a concorrência do plano de
saúde e concordando com preços mais baixos da consulta
e procedimentos,
etc...
Não
discuto o direito deste colega em exercer a medicina no que
bem entende, mas concorrem com a gente corpo a corpo, se adequam ao
"sistema" e na hora do vamos ver o paciente quer resolver
sua otite, amigdalite e, muitas vezes nem sabe o nome do
médico que o convênio encaminhou e emitiu a guia.
A
realidade do interior, mesmo em cidades maiores como a nossa
é difícil. Em cidades grandes ou em capitais a
realidade profissional é outra. Então o que fazer para
proteger o colega que fez residencia, tem o título de
especialista, é membro da SBORL em dia com suas anuidades. Eu
lhes pergunto, será mesmo que idealmente ocorrerá o
credenciamento universal ??? Eu acho que na minha cidade isto nunca
ocorrerá... seria ótimo, mercado de trabalho livre,
fórum de discussão, o ideal... mas colegas, o buraco
é mais embaixo. Enquando o CRM permitir o livre
exercício de especialidades, sem critérios, sem
provas de títulos e reexames periódicos, todos e
quaisquer um poderão fazer o que bem entende. Os
convênios contratam quem bem lhes convém, pagam oque
querem e para cada um que sai tem dois para entrar no
lugar.
Uma outra situação que reflete a realidade de como se
exerce a medicina no interior do Brasil é a necessidade do
colega ser cotista de um hospital que detem um convênio para
trabalhar. Cobra-se de US$ 40.000 a US$ 80.000 para ser membro
daquele hospital e por conseguinte ter acesso aqueles doentes
conveniados e, não é só em
instituições particulares, a Unimed de Franca pediu R$
50.000 para que o colega pudesse entrar para a cooperativa,
internar e operar no hospital da cooperativa e na Santa Casa, que
é
pública.
Que reservassa de mercado !!!! Prá trabalhar ou é rico
ou bem nascido !!! Coitado daquele como eu que quando começou
não tinha nem onde cair morto.. Reserva de mercado para quem
pode
mais...
Este é o mundo verdadeiro, real e selvagem da medicina,
aqui e
agora.
Acho que a SBORL está no caminho certo, o Dep. Defesa
Profissional, na pessoa do Marcos e de outros tantos é
excelente, o Ricardo teambém tem boas ideias,
mas...
Os planos de defesa e avanços devem ser planejados e
executados a curto médio e longo prazo. Qual a força
juridica da SBORL como sociedade para impedir o inadequado
exercício da ORL??? quanto tempo voces acham que vai demorar
para se efetivarem as mudanças?? E aqui no interior paulista,
em Macapá ou
Xanxerê???
Achei mesmo interessante o selo, podem até achar papagaiada
mas, sinceramente, tenho orgulho de ser membro da SBORL, da SBCCP,
ter seus Títulos de Especialista e fixá-los na parede,
foi difícil para mim, para meu colega lá em Boa Vista
ou Macapá ou mesmo em Passo Fundo e para tantos outros
chegarmos lá. Por que não valorizarmos o que
já é nosso, está em nossas mão e
não custará tanto
??? Um
grande abraço a todos e...desculpem-nos o
desabafo.
Gustavo.
At 19:12 19/09/00 -0300, you wrote:
Confesso que
gostaria de entender a sentença: Hoje em dia qualquer um coloca na
tabuleta : > "OUVIDO , NARIZ E GARGANTA" e sai
por aí fazendo amigdalectomia" escrita por alguem do grupo. alguem poderia me ajudar
nessa tarefa?
Obrigado
pedro
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