Oi Ricardo, veja que id�ias existem. Umas boas e outras nem tanto. Ainda acho que o melhor t�quete � uma nota de dinheiro ou uma folha de cheque. Depois o paciente, munido de recibo, vai at� sua seguradora, plano de sa�de, etc. e se reembolsa do valor previamente combinado entre eles. O Dr. cobraria o quanto ele acha que vale no mercado. Simples n�?
Abra�os. Pavan
 
----- Original Message -----
Sent: Thursday, September 21, 2000 9:08 PM
Subject: [otorri.] Re: [otorri.] Re: [otorri.] Re: [otorri.] D�vida

Oi Pavan,
 
Acho que a briga tem que ser initerrupta mesmo, constante mas com resultados, talvez mudando algumas estrat�gias. As estrat�gias utilizadas at� agora (pela AMB) n�o est�o dando certo e as coisas est�o s� piorando. Acho que a Defesa Profissional da SBORL tem id�ias excelentes e inovadoras e com alguns ajustes o resultado ser� melhor.
O fato � que devemos raciocinar em cima do que acontece em outros lugares e da experi�ncia dos outros para n�o incorrer nos mesmos �rros. Tabelas n�o d� certo em nenhum lugar e em nenhuma profiss�o ou servi�o, pois o que manda � a lei do mercado. Sempre haver� maneiras dos planos de saude tangenciar as tabelas e sempre haver� colegas oferencendo pre�o mais baixo. Tabelas s�o cart�is, seja por um lado ou pelo outro.
� como quando teve o plano cruzado e quizeram tabelar tudo e revogar a infla��o por decreto. N�o d� certo, na Roma antiga tentou-se decretar que quem aumentasse os pre�os era sujeito � pris�o e na reincid�ncia � pena de morte. N�o funcionou, a lei do mercado mandou e os pre�os continuaram subindo ou descendo conforme o mercado.
 
O fato � que h� um triangulo:
 
-O plano de sa�de
-O m�dico
-O paciente
 
Nenhum dos 3 quer perder.
 
Se aumentar as consultas e procedimentos existem 2 possibilidades:
- Aumentar o pre�o para o paciente ou restringir consultas/procedimentos pois os empres�rios nunca v�o querer perder ou deixar de ganhar.
O m�dico por sua vez para ganhar mais ou por n�o ter tempo de raciocinar muito em cada doente pois tem que atender muitos para ganhar um pouco mais, pede um monte de exames subsidi�rios que inviabiliza o empres�rio.
 
O paciente por sua vez como n�o tem restri��es vai em um monte de m�dicos desnecess�riamente pois � gr�tis e ele paga o conv�nio e quer usar e gosta quando o m�dico pede um monte de exames pois acha que est� sendo melhor atendido e est� "compensando" o caro conv�nio que ele paga. Com isso o empres�rio tem que abaixar ou restringir. Se para um paciente particular voce pedir um monte de exames ele vai dizer, este m�dico n�o sabe nada pois eu paguei 100,00 uma consulta e gastei 1500,00 de exames. Para um paciente de conv�nio se voce n�o pedir exames ele reclama, P� doutor pode pedir exame, o conv�nio paga !!
 
Viu ? vira um circulo vicioso sem sa�da
Sempre um dos 3 sai perdendo.
 
Na minha cabe�a h� uma possibilidade que eu at� j� conversei com alguns dirigentes de conv�nios, que � um tipo de "ticket consulta" ou cheque consulta ou ticket sa�de, sei l� o nome tanto faz. � como ticket restaurante. O paciente ou a empresa compra o tal�o de ticket que tem um valor X conforme o que foi pago no seguro, e o outro tal�o o paciente receber� depois de algum tempo (meses). O paciente pode procurar o m�dico que ele quizer e pagar com 1 ou mais tickets, depende do pre�o do m�dico e do ticket. � como nos restaurantes. Voce tem um tal�o de tickets mensal, que cada um vale 10,00 por exemplo. Seu tal�o inteiro vale 200,00. Se voce for almo�ar no Mac Donalds, voce come, com 1 ticket, agora se voce quizer comer em um restaurante sofisticado, voce pode gastar seu ticket inteiro de uma s� vez. Voce pode guardar os tickets e us�los todos de uma vez depois de 1 ano. Pode haver ticket exame, cirurgia, interna��o etc... Vai haver m�dico que atender� por 1 ticket, assim como h� restaurantes que voce come com 1 ticket e haver� m�dico que o cara ter� que dar o tal�o inteiro. Cada m�dico � livre de saber qual ser� seu pre�o. Isto � mais pr�ximo ao livre mercado e � livre iniciativa de uma profiss�o liberal como a nossa.
Isto resolveria o problema do m�dico, do empres�rio e do doente e quebraria o c�rculo. Esta id�ia, lapidada acho que daria certo. N�o d� para ficar escrevendo tudo aqui no grupo � preciso discutir e ver os pr�s e contras e sempre lutar por melhores condi��es para n�s e para os pacientes, o cartel m�dico nos EUA levou ao medicare e � restri��o de exames e procedimentos. Temos que aprender com o �rro dos outros, n�o � atitude passiva � atitude inteligente de n�o perder tempo com coisa j� experimentada que n�o deu certo.
 
abra�os
 
Ricardo Bento
 
-----Mensagem original-----
De: Jose Geraldo Pavan <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quinta-feira, Setembro 21, 2000 12:12
Assunto: [otorri.] Re: [otorri.] Re: [otorri.] D�vida

Caro Ricardo, s�o atitudes passivas como essa ("infelismente o mercado pressiona....., no mundo todo � tudo muito parecido....., m�dicos ingleses e americanos est�o ganhando mal..., etc."), e desde h� muito tempo, que t�m nos levado � situa��o em que nos encontramos. Estamos na m�o dos consumidores de sa�de (i.e. medicina de grupo, cooperativas, etc.). s� que n�s temos as laranjas. Vamos nos mobilizar e mudar, para valer, essa situa��o. Chega de comodismo.
Abra�os
Pavan
P.S. Podemos todos passar muito bem sem laranja. Substitua por ma��, uva, etc.. Agora, ser� que o farmac�utico ou balconista da farm�cia da esquina trata uma mastoidite, uma abascesso periamigaliano, meningite, infarto do mioc�rdio, fratura exposta, etc. com pastilhas, aspirina, ampicilina, etc.? Chega de abacaxi, pepino, nabo.....
----- Original Message -----
Sent: Thursday, September 21, 2000 9:46 AM
Subject: [otorri.] Re: [otorri.] D�vida

Prezado Gustavo,
 
Concordo com tudo o que voce falou, a realidade � essa mesmo.
Infelizmente este problema profissional, � uma quest�o de mercado que trancende nossa especialidade. Temos um pa�s com concentra��o de renda muito alta em alguns locais e faz com que todos naturalmente converjam para estes locais. Existe um grande n�mero de m�dicos formados a cada ano, existem m�dicos da Am�rica do Sul imigrando para o Brasil pois a situa��o em seus pa�ses est� pior ainda ( na Argentina quase todos os m�dicos tem outros empregos, como motorista de taxi por ex.). Ali�s no mundo inteiro est� parecido. A m�dia dos m�dicos na Inglaterra (sistema totalmente estatizado) ganha em torno de US$ 5000,00 que para o custo de vida local � pouco. Nos EUA as medicinas de grupo est�o na mesma press�o que ocorre no Brasil. A diferencia��o que voce falou � portanto muito importante, quem como voce, montou sua carreira solidamente (titulo de especialista etc..) deve ser sem d�vida diferenciado. Devemos � tentar promover uma melhor distribui��o de nossa especialidade pelo Brasil e melhorar a forma��o do otorrinolaringologista, isto trar� mais mercado e �rea de trabalho e prest�gio entre os colegas de outras especialidades. Acho tamb�m que o caminho seria o t�rmino dos credenciamentos e a livre escolha, mas infelizmente o mercado pressiona e no final vale a velha lei do mercado, tem muita laranja o pre�o da laranja abaixa, mas as laranjas de qualidade continuam vendendo bem !!!!
 
abra�os
 
Ricardo Bento
 
 
-----Mensagem original-----
De: Gustavo A. P. Caldeira <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Quarta-feira, Setembro 20, 2000 12:13
Assunto: Re: [otorri.] D�vida

        Prezado Pedro e demais Colegas,

        Vamos considerar a real situa��o da distribui��o dos otorrinos no Brasil: uns 300 munic�pios brasileiros com otorrinos, etc... como foi discutido anteriormente. Pois bem, � uma pr�tica muito comum no interior do Brasil, e n�o precisa ir muito longe (posso citar a minha cidade que � Franca-SP),  alguns colegas que fizeram um estagio n�o reconhecido, n�o completaram a resid�ncia, ou  terminaram a gradua��o e se lan�aram no mercado de trabalho e na parede em  letras garrafais colocam : OUVIDO, NARIZ E GARGANTA, prestando atendimento em otorrinolaringologia, tomando espa�os de quem fez tudo direitinho.. N�o s�o membros da SBORL, n�o tem t�tulos de  especialista e n�o completaram a resid�ncia. Fazem algumas cirurgias de A+A, septo, tumorzinho, etc... e quando a coisa complica, vaselinam e encaminham o caso para  a gente ou outros colegas e n�s seguramos a "bucha". Atendem conv�nios tanto quanto a gente, n�o complicam  para eles, pedem poucos exames e s�o adequados para aquilo que  interessa aos patr�es da medicina de grupo, barganham pre�o baixo de consultas e  e de exames de audio ( muitas vezes explorando as fonoaudi�logas) em benef�cio pessoal excluindo a concorr�ncia do plano de sa�de e concordando com pre�os mais baixos da consulta e procedimentos, etc...
                N�o discuto o direito deste colega em exercer a medicina  no que bem entende, mas concorrem com a gente corpo a corpo, se adequam ao "sistema" e na hora do vamos ver o paciente quer resolver sua otite, amigdalite e, muitas vezes nem sabe o nome do m�dico que o conv�nio encaminhou e  emitiu a guia.
        A realidade do interior, mesmo em cidades maiores como a nossa � dif�cil. Em cidades grandes ou em capitais a realidade profissional � outra. Ent�o o que fazer para proteger o colega que fez residencia, tem o t�tulo de  especialista, � membro da SBORL em dia com suas anuidades. Eu lhes pergunto, ser� mesmo que idealmente ocorrer� o credenciamento universal ??? Eu acho que na minha cidade isto nunca ocorrer�... seria �timo, mercado de trabalho livre, f�rum de discuss�o, o ideal... mas colegas, o buraco � mais embaixo. Enquando o CRM permitir o livre  exerc�cio de  especialidades, sem crit�rios, sem provas de t�tulos e reexames peri�dicos, todos e quaisquer um poder�o fazer o que bem entende. Os conv�nios contratam quem bem lhes conv�m, pagam oque querem e para cada um que sai tem dois para entrar no lugar.
        Uma outra situa��o que reflete a realidade de como se exerce a medicina no interior do Brasil � a necessidade do colega ser cotista de um hospital que detem um conv�nio para trabalhar. Cobra-se de US$ 40.000 a US$ 80.000 para ser membro daquele hospital e por conseguinte ter acesso aqueles doentes conveniados e, n�o � s� em institui��es particulares, a Unimed de Franca pediu R$ 50.000 para que o colega pudesse entrar para  a cooperativa, internar e operar no hospital da cooperativa e na Santa Casa, que � p�blica.
        Que reservassa de mercado !!!! Pr� trabalhar ou � rico ou bem nascido !!! Coitado daquele como eu que quando come�ou n�o tinha nem onde cair morto.. Reserva de mercado para quem pode mais...
        Este � o mundo verdadeiro, real e selvagem da medicina, aqui e agora.
        Acho que a SBORL est� no caminho certo, o Dep. Defesa Profissional, na pessoa do Marcos e de outros tantos � excelente, o Ricardo teamb�m tem boas ideias, mas...
        Os planos de defesa e avan�os devem ser planejados e executados a curto m�dio e longo prazo. Qual a for�a juridica da SBORL como sociedade para impedir o inadequado exerc�cio da ORL??? quanto tempo voces acham que vai demorar para se efetivarem as mudan�as?? E aqui no interior paulista, em Macap� ou Xanxer�???
        Achei mesmo interessante o selo, podem at� achar papagaiada mas, sinceramente, tenho orgulho de ser membro da SBORL, da SBCCP, ter seus T�tulos de Especialista e fix�-los na parede, foi dif�cil para mim, para meu colega l� em Boa Vista ou Macap� ou mesmo em Passo Fundo e para tantos outros chegarmos l�.  Por que n�o valorizarmos o que j� � nosso, est� em nossas m�o e n�o custar� tanto ???
        Um grande abra�o a todos e...desculpem-nos o desabafo.
       
        Gustavo.

At 19:12 19/09/00 -0300, you wrote:
Confesso que gostaria de entender a senten�a: Hoje em dia qualquer um coloca na tabuleta :
> "OUVIDO , NARIZ E GARGANTA" e sai por a� fazendo amigdalectomia
"
escrita por alguem do grupo. alguem poderia me ajudar nessa tarefa?

Obrigado

pedro

Responder a