Oi Jorge!
 
Fico feliz com o diagnóstico, já que a hiperacusia costuma ser gratificante de tratar. Que tal uma versão adaptada da TRT para você tentar aí em Crato? Lembre-se que a TRT tem 2 princípios básicos que devem ser sempre seguidos, embora a forma de seguí-los possa ser adaptada para cada paciente ou para as condições de cada região:
 
1. Orientação: é fundamental que a paciente entenda o que tem. Pricipalmente que não deve superproteger os ouvidos dos sons. Na idéia do paciente, se o som é "alto", então deve ser evitado; só que os sons "altos" para os hiperacúsicos não são realmente altos, com potência para lesar a orelaha interna (apenas o seu desconforto a eles é que ocorre precocemente...)
 
2. Enriquecimento sonoro: para a hiperacusia, diferente do zumbido, é esperado um resultado rápido, em cerca de 2 meses. Para ela, talvez você possa orientar o uso de um CD ou fita cassete com as seguintes especificações:
    a. com som neutro, de preferência som de natureza (chuva, cachoeira ou mar) ou músicas de relaxamento
    b. baixo volume, porém próximo ao que lhe causa desconforto (a paciente ajusta esse volume; não depende do resultado
    do UCL...)
    c. uso contínuo por cerca de 2 a 3 horas por dia (se cansar antes, interromper antes). Cada vez que o som for recomeçado no dia seguinte, zerar o volume e começar a ajustar de novo, procurando o maior volume que pode usar sem dar desconforto (não é para usar no mesmo volume do dia anterior). O que se nota é que gradativamente a paciente começa a tolerar o som (estre e outros) em volumes mais intensos, sem apresentar o desconforto).
 
OBS: existem relatos de que a hiperacusia é um estágio pré-zumbido, já que a fisiopatologia envolvendo uma possível disfunção do sistema eferente (descrita no artigo que enviei) pode ser a mesma (isso é só para você saber e acompanhar; sugiro não comentar com a paciente para não despertar nenhum sentimento de "gravidade" do problema).
 
Obrigada por ter dado retorno desta paciente...
Um abraço, sempre à disposição.
 
Tanit
-----Mensagem original-----
De: Jorge Henrique Arrais de Alencar Pierre <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Sábado, 23 de Setembro de 2000 17:50
Assunto: Re: [otorri.] otagia - hiperacusia

ERRATA: o ouvido esquerdo é o que apresenta limiares de desconforto mais baixos.
----- Original Message -----
Sent: Thursday, September 21, 2000 7:29 PM
Subject: Re: [otorri.] otagia - hiperacusia

Cara Dra. Tanit,
 
        Pela anamnese a paciente apresenta mesmo hiperacusia, o que foi confirmada pelo limiar de desconforto, como visto abaixo. A paciente agora relata que os sintomas são bilaterais, porém piores a esquerda.
 
Resultado da UCL:
 
 OE: 500 Hz ==> 75 dB
         1k Hz ==>  75 dB
         2k Hz ==>  75 dB
         4k Hz ==>  80 dB
 
OD: 500 Hz ==>  90 dB
          1k Hz ==>  90 dB
          2k Hz==>   85 dB
          4k Hz==>   85 dB
 
Saudações,
 
Jorge Pierre.
----- Original Message -----
Sent: Monday, September 04, 2000 4:44 PM
Subject: Re: [otorri.] otagia - hiperacusia

Oi Jorge, que bom que o artigo lhe foi útil...Fico contente em poder retribuir alguma coisa, já que várias das respostas que você dá ao grupo de discussão são muito úteis para mim também.
Quanto às emissões, elas não são fundamentais para o diagnóstico nesse caso (principalmente analisando o custo/benefício para sua paciente na sua cidade), e sim a suspeita clínica com o UCL. As otoemissões podem ajudar nos casos de dúvida quando o UCL está no limite da normalidade. Acho que não seria necessário testá-las agora.
Quando tiver mais notícias, mande-as, OK? Se preferir, meu e-mail é [EMAIL PROTECTED].
Um abraço
 
Tanit
-----Mensagem original-----
De: Jorge Henrique Arrais de Alencar Pierre <[EMAIL PROTECTED]>
Para: [EMAIL PROTECTED] <[EMAIL PROTECTED]>
Data: Segunda-feira, 4 de Setembro de 2000 13:04
Assunto: [otorri.] otagia - hiperacusia

Prezada Dr. Tanit,
 
        Excelente o artigo enviado!
        Esta semana providenciarei para que seja testada o UCL e farei também uma anamnese mais detalhada para diferenciar se a paciente apresenta fonofobia ou hiperacusia (que é o diagnóstico mais provável).
        Em relação as emissões otoacústicas, gostaria de uma orientação prática, pois como falei, estamos a 560 Km do aparelho mais próximo. É imprescindível que a paciente faça este exame, ou vale a pena iniciar o tratamento de habituação sem o resultado do mesmo? 
 
       Atenciosamente, 
        Jorge Pierre, Crato-CE.   
       
         
 
       

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