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3 Ci�ncia e poesia - Terapia n�
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Bula:
Indica��o: Falta de percep��o da
rela��o entre Ci�ncia e Poesia, entre t�cnica e emo��o, entre pensamento e
sentimento.
Modo de usar: Poema a ser lido em voz alta, na porta do Hospital ou do
servi�o.
Posologia: Ler 2 vezes ao dia, ao
chegar no trabalho e ao retornar para casa, em dias alternados, por 7
dias. Se n�o cessarem os sintomas, �
recomend�vel que a v�tima adoe�a e seja internada por mais 7
dias.
Via de administra��o: Utilizar
entona��o professor-doutoral, de quem acredita que a Medicina seja mais do
que tratar de doen�as.
Efeito desejado: Perceber que os
pacientes, os profissionais de sa�de, os estudantes de Medicina e os
Residentes s�o todos pessoas, com necessidades que v�o muito al�m das
meramente materiais e fisicas, e que aprender a ouvir, cativar, convencer e
consolar � t�o importante quanto diagnosticar e tratar.
Pre�mbulo:
Aos Doutores
Se os poetas
entenderam a Ci�ncia,
Seus graves erros e grandes
acertos,
Ser� que os professores
doutores
Poder�o sen�o amar,
Ao
menos respeitar,
A certa e a torta
Poesia?
Marcos Sarvat
Homens de
Ci�ncia
Labutando contra o tempo e contra a
sorte,
Gastando contra o Erro mais que a
vida,
Buscando o todo, a verdade
perseguida,
Alheios � f�, � mis�ria e at� a morte
-
Haver� coisa mais nobre no
viver
Que lutar p�ra fazer luz da
escurid�o
E ao partir deixar, sangrando a
m�o,
Aos mais fracos um caminho a
percorrer?
O vago mundo outro, atravessado,
A natureza estudada com
saber
P�ra que possa um gesto s�bio e
avisado
Fazer melhor, mais clara a
realidade
Oh, com que alegria e amor posso
entender
Almas que anseiam por luz e por
verdade!
Fernando Pessoa
(1888-1935) Poeta
portugu�s, poema escrito em 1908 |
