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Ci�ncia e poesia - Terapia n� 1
Bula:
Indica��o: Falta de percep��o da rela��o entre Ci�ncia e Poesia, entre t�cnica e emo��o, entre pensamento e sentimento.
Modo de usar: Poema a ser lido em voz alta, na porta do Hospital ou do servi�o.
Posologia: Ler 2 vezes ao dia, ao chegar no trabalho e ao retornar para casa, em dias alternados, por 7 dias. Se n�o cessarem os sintomas, � recomend�vel que a v�tima adoe�a e seja internada por mais 7 dias. 
Via de administra��o: Utilizar entona��o professor-doutoral, de quem acredita que a Medicina seja mais do que tratar de doen�as.
Efeito desejado: Perceber que os pacientes, os profissionais de sa�de, os estudantes de Medicina e os Residentes s�o todos pessoas, com necessidades que v�o muito al�m das meramente materiais e fisicas, e que aprender a ouvir, cativar, convencer e consolar � t�o importante quanto diagnosticar e tratar.  
 
Pre�mbulo:
    Aos Doutores
    Se os poetas entenderam a Ci�ncia,
    Seus graves erros e grandes acertos,
    Ser� que os professores doutores
    Poder�o sen�o amar,
    Ao menos respeitar,
    A certa e a torta Poesia?
                                                Marcos Sarvat
 
Homens de Ci�ncia
 
Labutando contra o tempo e contra a sorte,
Gastando contra o Erro mais que a vida,
Buscando o todo, a verdade perseguida, 
Alheios � f�, � mis�ria e at� a morte -
 
Haver� coisa mais nobre no viver
Que lutar p�ra fazer luz da escurid�o
E ao partir deixar, sangrando a m�o,
Aos mais fracos um caminho a percorrer?
 
O vago mundo outro, atravessado,
A natureza estudada com saber
P�ra que possa um gesto s�bio e avisado
 
Fazer melhor, mais clara a realidade
Oh, com que alegria e amor posso entender
Almas que anseiam por luz e por verdade!
 
Fernando Pessoa (1888-1935)
Poeta portugu�s, poema escrito em 1908
 

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