Miopia da Justi�a
Sessenta anos depois dos irm�os Naves, brasileiros ainda pagam na cadeia por crimes que n�o cometeram
Jorge Pereira poderia ilustrar resultados de in�meros levantamentos estat�sticos. Representante da popula��o negra, a casa humilde na periferia de Uberaba, no Tri�ngulo Mineiro, garante-lhe uma vaga entre os milh�es de brasileiros que sobrevivem � mis�ria. Semi-alfabetizado, aprendeu a ler aos 20 anos. N�o sabe escrever – assina documentos com o polegar direito. Pereira tamb�m integra um grupo que o pa�s n�o se preocupou em tabular: o dos brasileiros presos e condenados por crimes que jamais cometeram. Detido aos 19 anos, acusado de assalto seguido de morte – latroc�nio, na linguagem jur�dico-policial –, o ex-lavador de carros come�ou a ser alfabetizado na pris�o.
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| Get�lio T. Pereira | Alexandre de Oliveira | ||||||||
| Acusa��o | Acusa��o | ||||||||
| Desvio de R$ 4 milh�es do Banco Pontual em Fortaleza em 1987 | Ter estuprado a filha Larissa, de 1 ano e meio. Foi preso em janeiro de 2001. Tem 24 anos | ||||||||
| Condena��o | Condena��o | ||||||||
| Gerente da ag�ncia, ficou preso um ano e dois meses | Ficou detido durante quatro dias na cadeia de Andrel�ndia, Minas Gerais | ||||||||
| Como vive | Como vive | ||||||||
| Aos 52 anos, � consultor de escrit�rios de advocacia em Fortaleza e Bras�lia | � ajudante de pedreiro |
Como Jorge, os pedreiros Marimbergue de Jesus e Alexandre de Oliveira, contabilizados na massa de pobres e pardos do censo populacional, e o ex-gerente de banco Get�lio Tarcizo Pereira, que pode ser qualificado de falido e pardo, foram v�timas da Justi�a. Levados ao erro por inqu�ritos policiais mal conduzidos, falsos testemunhos ou arbitrariedades de agentes judici�rios e da Pol�cia, ju�zes e promotores condenaram homens que, anos depois, seriam inocentados.
Crimes ocorridos sob as asas da Justi�a n�o s�o novidade. No final dos anos 30, os irm�os Joaquim e Sebasti�o Naves foram condenados pela morte de um comerciante que, anos depois, reapareceu – pleno de sa�de – em Araguari, Minas Gerais. Joaquim morreu na cadeia onde Sebasti�o penou por 12 anos. A hist�ria dos Naves � um cl�ssico da hist�ria criminal brasileira. Contada em livro pelo defensor da dupla, Jo�o Alamy Filho, inspirou um filme nos anos 60.
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| Marimbergue de Jesus | Jorge G. Pereira | ||||||||
| Acusa��o | Acusa��o | ||||||||
| Ter matado o assaltante de uma torrefadora de caf� em Ribeir�o Pires, S�o Paulo, em 1989 | Com 19 anos, foi preso por latroc�nio, em 1993 | ||||||||
| Condena��o | Condena��o | ||||||||
| Cumpriu um ano e quatro dias de pris�o. Foi absolvido pela Justi�a | Ficou preso cinco anos. Foi condenado a 19 anos de deten��o | ||||||||
| Como vive | Como vive | ||||||||
| Trabalha como pedreiro | B�ia-fria, ganha R$ 15 por dia na colheita de caf� em Uberaba, Minas Gerais |
O Minist�rio da Justi�a n�o sabe quantos inocentes foram para a cadeia (ou ali est�o) por inc�ria dos ju�zes. Nas contas do padre Bernardino Avelar, coordenador nacional da Pastoral Carcer�ria, dos 200 mil presos assistidos pela entidade, cerca de 100 foram condenados injustamente. Ficam as cicatrizes na vida dos injusti�ados e profundas seq�elas nas fam�lias. � o que revelam, nas p�ginas seguintes, os depoimentos de Jorge, Marimbergue, Get�lio e Alexandre. Libertos, ensaiam o recome�o. Mas ainda t�m pesadelos com o passado.
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