Roney

    Parece-me induvidoso, como induvidosa deveria ser a ida de Rom�rio para a sele��o brasileira, que temos uma verdadeira calamidade institucional  no que diz respeito � seguran�a p�blica em nosso Pa�s.

    Naturalmente, nesta sede, n�o h� como pontuar todos os problemas que tornaram o cidad�o ref�m do Estado de Viol�ncia, que se consolidou especialmente nas cidades com grandes aglomera��es humanas.

    Temos como necess�rio pontuar, de in�cio, a vergonhosa situa��o econ�mico-social que vive a classe trabalhadora sem representatividade organizada, os mais pobres e miser�veis, num pa�s que concentra poder, terras e riquezas; o PRECONCEITO CONTRA O POBRE E O MISER�VEL - BRANCO, NEGRO OU �NDIO, que recebem, por alguns, tratamento pior que de certos animais dom�sticos de estima��o, uma sociedade fr�gil, que mede o bem e o correto pela est�tica, hip�crita, que se entrega aos mais doces oportunismos, postulando fidelidade ao Estado de Bem Estar Social, mas se prostituiu ao Estado Assistencial que vivemos.

    Urgente se faz  valorizar o Homem nas Policias de todo Pais,  seus meios de capacita��o, a necessidade de um plano de cargos e carreiras, destacados n�o a todos,  mas somente aos mais capacitados e dignos.  Resgatar-se, do policial, atrav�s da dignidade do sal�rio e o reconhecimento de seu trabalho, prestigiando o legal, o correto e digno, ser�o os passos iniciais para uma reforma institucional nas pol�cias de todo pa�s.

    A valoriza��o do Homem em seu trabalho � t�o imperativa quanto � quest�o salarial. Salta-me na lembran�a,  n�o muito recente movimento da Pol�cia Militar de M.G., que deflagrou uma manifesta��o em todas as pol�cias militares do pa�s, onde uma das procedentes reclama��es era que os militares de gabinetes, os homens da corte, de todas as patentes e gradua��es, eram soberbamente privilegiados em rela��o aos militares em campo.  Ou seja, para aquele comando, na �poca, era mais importante para seguran�a p�blica servir cafezinho, que trocar tiros com bandidos, como na revolu��o francesa era mais importante para realeza a manuten��o das comodidades e bajula��es, que governar.

    Outro aspecto � a proximidade do crime organizado com o Estado, e n�o somente nas favelas como os pol�ticos sublinham com eloq��ncia. Infelizmente, as mais tradicionais institui��es da Rep�blica, privadas e p�blicas, j� foram alvo da aus�ncia do Estado no Estado, e curvaram-se ao poder pol�tico e econ�mico do crime organizado, como se pode deduzir diante do farto notici�rio di�rio de todas as manh�s. A origem deste problema � o poder econ�mico do crime organizado, que deve ser combatido com firmeza. Vide in�cio do s�culo nos EUA onde o fisco, n�o o tribunal do j�ri,  trancafiou a maioria dos mafiosos no xilindr�, contudo nosso fisco se preocupa mais com a classe m�dia assalariada que com as grandes fortunas e os grande lucros das corpora��es legais ou n�o.

   Identicamente, a manipula��o pol�tica dos �rg�os de repress�o n�o pode ser esquecida. Precisamos de uma pol�cia aut�noma, que trabalhe ao lado do Minist�rio P�blico, e d� satisfa��o de seus atos ao Poder Judici�rio, se submetendo a um colegiado de cidad�os an�nimos controlando externamente seus excessos, suas promo��es por m�rito, eleitos pela comunidade anualmente. Assim  desvinculamos as pol�cias das vicissitudes pol�ticas do Governador de Estado e outros pol�ticos.

    Sobe a unifica��o as pol�cias, a tenho como despicienda, pois cada qual atua de forma especifica: uma � pol�cia ostensiva e outra � pol�cia judici�ria; a especializa��o � necess�ria para melhorar a qualidade do servi�o p�blico.

    A grande quest�o, que se foge, � a competi��o, a concorr�ncia por poder pol�tico por estas pol�cias nos Estados, mas uma justificativa para retirar a influ�ncia pol�tica nas pol�cias tornando-as aut�nomas, que implica em rivalidade idiota entre os �rg�os de execu��o das pol�cias civis e militares em alguns Estados como o Paran�.

    Unificando as pol�cias claramente se percebe  que o problema da rivalidade se vaporizar� no tempo, mas o poder pol�tico sobre a nova pol�cia unificada fica intacto. Se h� inger�ncia pol�tica, em verdade, n�o haver� autonomia e a isen��o necess�ria para um �rg�o persecutor. 

    Oportuno voltarmos a problem�tica atual. Recentemente superamos uma crise nacional no sistema de provimento de energia el�trica. O qu� originou este problema?  O Estado ao privatizar v�rias Estatais do ramo fracionou identicamente o poder de decis�o, coordena��o e comando. Anel e o Operador Nacional do Sistema, ao inv�s de postular o interesse p�blico na integralidade do sistema, foram levados a atender as dificuldades destas empresas, dificuldades t�cnico-econ�micas na manuten��o do sistema, de forma a privilegiar o processo de privatiza��o do setor, ou seja, um �rg�o de voca��o t�cnica espa�ou-se em fazer pol�tica. Deu no que deu, crise.

    A solu��o foi � unifica��o das decis�es e a��es numa �nica pessoa, num �nico �rg�o, a C�mera de Gest�o da Crise, atropelando as siglas e o pr�prio Ministro de Minas e Energia. O ensinamento foi claro - em situa��es de crise unifica-se o comando e afastam-se os pol�ticos, li��o ministrada pela democr�tica Gr�cia antiga, que quando atacada entregava temporariamente o comando do Estado aos Generais.

    Hoje o que se precisa ï¿½ uma iniciativa corajosa inspirada na solu��o apresentada pelo pr�prio governo para crise no provimento de energia el�trica, que teve resultados positivos. Muitos poder�o especular - uma interven��o federal, um Estado Policial?  N�o. Seria necess�rio uma c�mera de gest�o da seguran�a p�blica, tendo como �rg�o consultivo os secret�rios de seguran�a p�blica,  concentrando poderes na m�o de um superministro  t�cnico, unificando as a��es e decis�es num �nico �rg�o, e afastando os pol�ticos, ou seja, uma iniciativa suprapartid�ria.

    Caso contr�rio �s a��es ser�o de ocasi�o, quase desesperadas, e se resumiram num punhado de leis draconianas e in�teis,  epis�dicas, paliativas, discriminat�ria, bem a car�ter da Rep�blica Assistencialista, do Estado Menor que se institucionalizou em nossa Democracia, e alguns "democratas" aplaudem com vigor.

    ï¿½ o que vemos, um pa�s ca�tico dominado pela obsess�o � est�tica, uma democracia panca, homologada pelo compuls�rio participativo popular, uma rep�blica imediatista, assistencialista, um Brasil de pobre e miser�veis, formado de uma classe m�dia c�mplice e ricos intoc�veis, onde valores se confundem com horrores, do Estado bandido ao bandido estado, sem desejo ou sem coragem de ser Brasil, ao avesso de sua Hist�ria e de sua voca��o.

 Am�fi 

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