Se no tempo da ditadura t�nhamos os anos de chumbo, podemos dizer que na d�cada dos Fernandos vivemos os anos da vergonha, que se seguiu aos anos de hipocrisia, ap�s a promulga��o da constitui��o "cidad�" de 1988.
    N�o h� Estado de Direito que resista ao Estado de Mis�ria.
    Quem acredita que a a a��o social � um mero detalhe no que diz respeito a seguran�a p�blica, quem acredita no direito penal da lei e da ordem, em lei draconianas, em penas severas, em "bandido bom � bandido morto", em planos mirabolantes, em mais equipamentos para pol�cia, mais homens, mais �rg�os,  que sugam nossos impostos, mas n�o cuidam, nem se importam, nem consideram em suas an�lises o grande d�ficit social institucionalizado na era dos Fernandos, tamb�m chamada era da vergonha, fique atento, est�o vendendo solu��es que n�o dar�o em lugar algum.
    Isso aqui, internet, computador, debates, faculdades,  n�o � o mundo real, n�o � o Brasil Real que socamos embaixo de nossos tapetes. Poder�amos dizer que � o nosso mundo, e isso � certo, t�o certo quanto o Brasil Real, a continuar os desmandos, ir�  "invadir nossas praias", como uma represa que come�a a transbordar, inundando o nossos para�sos pessoais.
    O Brasil Real descortina-se ao abrirmos os vidros de nossos carros para dar esmola, quando o automotor n�o � levado por uma enchente sazonal, ou aquele Brasil que procuramos manter afastado atr�s de nossos dispositivos de seguran�a e grades.
    Este preconceito me assusta mais que todos, o preconceito social.
    O Brasil Real, prometido em cinco virtudes num espalmar de m�os, ï¿½, na verdade, o da mis�ria e da pobreza, a custa de um crescimento econ�mico que serve a poucos, mas que cobra seu tributo no viol�ncia e na ignor�ncia, como se pode concluir na reportagem abaixo. 
 
Am�fi 
 
Fonte �poca On Line
Viol�ncia e pobreza crescem na mesma propor��o em S�o Paulo

Um estudo da Prefeitura de S�o Paulo mostrou que h� uma rela��o direta e estreita entre o aumento da pobreza e o crescimento do n�mero de mortes violentas. Entre 1991 e 2000 (per�odo avaliado pela Secretaria do Desenvolvimento, Trabalho e Solidariedade), a varia��o m�dia anual da eleva��o na quantidade de chefes de domic�lios pobres foi de 2%, enquanto o acr�scimo no n�mero de mortes violentas chegou a 2,4%.

Nos dez distritos mais pobres, a varia��o anual na taxa de pobreza foi de 2,8% e a de viol�ncia, de 2,9%. Em compensa��o, nos dez distritos mais ricos, os �ndices chegam, respectivamente a -2,6% e -3,1%.

O estudo levou em considera��o o registro de mortes violentas resultantes de homic�dios e acidentes de tr�nsito. Est� baseado em dados do IBGE e do Programa de Aprimoramento das Informa��es de Mortalidade no Munic�pio de S�o Paulo (PRO-AIM).

Um exemplo � o distrito de Anhang�era, na Zona Oeste de S�o Paulo, que registrou a maior explos�o de viol�ncia (55,2% ao ano). Nessa regi�o, a pobreza cresceu, no per�odo estudado, 300%.

Do outro lado est� o Br�s, o distrito que menos empobreceu no per�odo avaliado (-4,9% ao ano). Na regi�o, a varia��o m�dia anual de mortes viol�ncia foi de 0,6%. O levantamento tamb�m mostra que o aumento da pobreza e da viol�ncia est� relacionado � taxa de escolaridade dos chefes de fam�lia.

Nos distritos com baixa escolaridade, a taxa de pobreza cresceu 3,8% e a de viol�ncia, 5,9%. Nos distritos de m�dia escolaridade, a varia��o m�dia anual foi negativa, de 1,6% nos dois casos. J� nos distritos de alta escolaridade a varia��o m�dia anual de pobreza caiu foi de -0,6% e a de viol�ncia, de -6,1%.

D�bora Ribeiro, do GloboNews.com

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