O certo é não dar esmolas. O conselho
é da prefeitura, Estado, moradores e comerciantes da Zona Sul
para tentar erradicar a população de rua. As
Associações de Moradores dos bairros da Gávea,
Lagoa, Ipanema, Leblon, Jardim Botânico e São Conrado e
a Associação Comercial de Ipanema e Leblon (Aciple)
lançaram a campanha Quem dá esmola não
dá futuro. O presidente da Aciple, Carlos Monjardim,
disse que 80% dos mendigos de Ipanema são profissionais. De
acordo com levantamento da associação, um mendigo na
Praça Nossa Senhora da Paz ganha mensalmente R$600. ''Muitos
são trambiqueiros. Eles vêm para cá porque a
população tem alto poder aquisitivo'', disse.
Uma equipe do Jornal do Brasil
percorreu ontem praças, viadutos, monumentos
históricos e parques - locais escolhidos pela
população de rua para servir de abrigo no Centro e na
Zona Sul. Na Rua Voluntários da Pátria, em Botafogo,
em frente ao edifício Argentina, encontramos ao meio-dia
cerca de cinco mendigos na praça. No chafariz, uma mulher
lavava roupas amontoadas em um carrinho de feira. É ali, que
a maioria faz suas necessidades.
Embaixo de um dos coqueiros da
Praia de Copacabana, um grupo de 10 pessoas nos recebeu com gestos
obscenos. Todos esconderam o rosto. Em Botafogo, na Rua Muniz
Barreto, a situação foi a mesma. Nenhum deles quis dar
entrevista.
O órgão responsável
pelo recolhimento de mendigos é a Secretaria Municipal de
Desenvolvimento Social (SMDS). Segundo estatísticas da SMDS,
a maioria das pessoas não quer sair das ruas porque recebe
ajuda da população. No verão, o número
aumenta devido à grande quantidade de turistas na cidade, que
os ajudam dando esmolas e restos de alimentos. Ao serem recolhidos,
os mendigos são encaminhados para os abrigos, onde ficam
temporariamente. A ação faz parte do programa Vem
Pra Casa. De acordo com a assessoria da SMDS, cerca de 4 mil
pessoas estão alojadas hoje nos abrigos do município.
''A institucionalização é temporária. As
nossas premissas são baseadas na reinserção
familiar'', explicou a coordenadora de programas sociais da SMDS,
Bernadete Jeolas.
O Estado mantém a
Fundação Leão XIII, vinculada à
Secretaria de Ação Social e Cidadania, que possui
quatro abrigos com cerca de 900 pessoas, sendo um deles, o centro de
triagem. ''O Estado dá apoio ao município mas a
situação da população de rua é
responsabilidade de cada um deles'', disse a diretora dos abrigos da
Fundação, Solange Magalhães.Tanto para a
Prefeitura quanto para o Estado, o número de mendigos
está crescendo devido à situação
sócio-econômica do país.