Proibição de notícias de seqüestro provoca polêmica
08/03/02 14:37


Entidades que representam a imprensa e veículos de comunicação reagiram ao substitutivo da deputada Laura Carneiro (PFL-RJ), sub-relatora do grupo que trata, na Comissão Mista Temporária de Segurança Pública, dos crimes de seqüestro, contra a vida e o patrimônio. A proposta permite a divulgação do nome do seqüestrado apenas se a família concordar e com autorização judicial. Para as entidades, isso fere a liberdade de imprensa.
Segundo o relator-geral da Comissão, deputado Moroni Torgan (PFL-CE), este é o único ponto de divergência no substitutivo, que pode ser votado pelo Plenário da Câmara já na próxima quarta-feira (13). O deputado acredita que nos debates as diferenças de posição poderão ser resolvidas. "Essas divergências poderão ser sanadas no Plenário, onde eu me posiciono contrário a este artigo. Mas como relator-geral, eu assumo a decisão da maioria", disse.

RISCO DE VIDA

A sub-relatora Laura Carneiro explica que a proposta foi feita com a preocupação de se evitar que a notícia coloque em risco a vida da pessoa seqüestrada. A deputada lembra que a própria imprensa já vem adotando esse comportamento em alguns casos.

Jornalista e militante em direitos humanos, o deputado Marcos Rolim (PT-RS) defende a proposta da deputada. Segundo ele, o que se pretende não é proibir a divulgação do seqüestro, e, sim, do nome da vítima. Para Rolim, a diferença fundamental entre a posição dos meios de comunicação e a dos membros da Comissão Mista é que, no caso de seqüestro, os parlamentares entendem que o direito à vida prevalece sobre o direito à liberdade de expressão.

Fonte: AGÊNCIA CÂMARA

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