Essa mat�ria sobre advogados foi retirada do site da Isto� Dinheiro. (http://www.terra.com.br/cgi-bin/index_frame/istoedinheiro/244/negocios/244_super_advogados.htm)

Andr�a B. Carvalho
Curitiba - PR
 

NEG�CIOS

Quarta-feira, 01 de Maio de 2002
SUPER ADVOGADOS
Quem s�o os profissionais que est�o por tr�s
dos maiores neg�cios realizados no Brasil

Joaquim Castanheira

  Zeca Caldeira
  Al�m das leis: para M�ssnich, Arag�o (de p�) e Barbosa (sentado), o advogado �, antes de tudo, um conselheiro do empres�rio

Esque�a a imagem do vener�vel senhor sentado atr�s de uma pesada mesa de carvalho, cercado por prateleiras recheadas de livros. Esque�a express�es como data venia ou caput. Esque�a os escrit�rios s�rios localizados pr�ximos aos tribunais. Hoje os advogados s�o encontrados em viagens de neg�cios ou metidos em reuni�es com presidentes de grandes corpora��es. O latim perdeu lugar para o ingl�s de mergers and acquisitions ou capital markets. E os escrit�rios s�o modernos, dotados de todos os recursos tecnol�gicos de grandes companhias. Nunca, em qualquer outro momento da hist�ria empresarial do Pa�s, as grandes bancas de direito tiveram um papel t�o vital no mundo dos neg�cios como hoje. Olhe por tr�s de uma grande transa��o, da compra ou venda de uma empresa, de conflitos entre s�cios, e l� voc� encontrar� a figura de um advogado. Foi a turma do Andrade & Fichtner, por exemplo, que provocou o processo na CVM que culminou com a multa recorde de R$ 62,5 milh�es aplicada contra o empres�rio italiano S�rgio Cragnotti, controlador da Bombril. Na cria��o da Telemar, os advogados do escrit�rio Barbosa, M�ssnich & Arag�o realizaram 16 assembl�ias de acionistas simult�neas em 16 cidades diferentes para incorporar 16 empresas distintas em uma s� corpora��o, a Telemar. Os profissionais do Tozzini, Freire, Teixeira e Silva foram respons�veis por armar o arcabou�o jur�dico para que o Santander arrematasse o Banespa por R$ 7 bilh�es.

  Zeca Caldeira
  Fichtner (de p�) e s�cios: “Trabalhamos como uma boutique na �rea de contencioso jur�dico”

Por isso, nunca os grandes escrit�rios de advocacia foram t�o grandes e poderosos. Para contar com um profissional desse n�vel, as companhias desembolsam, em m�dia, R$ 220 por hora de trabalho, mas esse valor chega tranq�ilamente a R$ 700, quando a tarefa fica a cargo do titular de uma grande banca, segundo Anna Luiza Boranga, consultora de gest�o de servi�os jur�dicos. E as empresas pagam – muitas vezes para se livrar de problemas que custariam dezenas de vezes mais do que os honor�rios dos advogados. Analise, por exemplo, o seguinte caso: em 1957, a Vale do Rio Doce deixou de pagar tr�s presta��es de uma pequena d�vida. Anos depois, foi condenada a pagar
R$ 20 mil pelo esquecimento. Um erro do contador elevou a soma para (pasmem!) R$ 20 milh�es. A empresa, ent�o uma estatal, pagou. Tempos depois, o beneficiado recorreu � Justi�a para receber a corre��o pelos expurgos dos planos econ�micos. Total:
R$ 38 milh�es. A Vale, agora, pediu socorro ao escrit�rio de S�rgio Bermudes, um dos mais conceituados especialistas na �rea de contencioso c�vel e comercial do Pa�s. “Somos uma UTI jur�dica”, diz Marcelo Fontes, um dos principais s�cios da banca. “Quando o caso � terminal, nos procuram.”

  Zeca Caldeira
  Marcelo Fontes: “Somos a UTI jur�dica, pois atendemos casos terminais”

Junto com Fontes, trabalham 60 advogados. Casos famosos de quebradeira financeira, como Mesbla, Arapu� e Banco Nacional, comp�em seu portf�lio. S�o situa��es em que o advogado torna-se, em geral, o principal conselheiro do empres�rio. O ex-banqueiro Marcos Magalh�es Pinto, por exemplo, consulta seus advogados at� mesmo para promover festas em sua casa no Rio de Janeiro. “Uma a��o judicial � como doen�a, na qual o cliente fica fragilizado, pois o processo, por si s�, j� � uma pena”, diz Fontes.

A mar� a favor dos advocados estourou a partir de meados da d�cada de 90. Os processos de privatiza��o exigiram apoio legal at� ent�o desconhecido no Brasil. Esse foi o principal empurr�o na expans�o do Barbosa, M�ssnich & Arag�o. Desde ent�o, o n�mero de advogados saltou de 10 para os atuais 100. Na privatiza��o do sistema Telebras, eles assessoraram o Minist�rio das Comunica��es. Depois, as grandes operadoras, como Telemar e Brasil Telecom, os contrataram para desenhar e montar a estrutura societ�ria das companhias. “As pessoas brincam dizendo que n�s desfizemos tudo para depois fazermos de novo”, afirma Paulo Arag�o, um dos s�cios. Arag�o � o t�pico advogado desses novos tempos. Com passagens pelo GP Investimentos e dom�nio de contabilidade, ele conhece de perto o mundo dos neg�cios. Seu s�cio, Francisco M�ssnich, fez mestrado em mercado de valores mobili�rios em Harvard. “O advogado � hoje um conselheiro do empres�rio”, diz M�ssnich. “Ele tem de falar a mesma linguagem de seu cliente.”

  Zeca Caldeira
  Ariani, tozzini e Freire: n�mero de advogados saltou de 30 para 320

Para M�ssnich, essa exig�ncia come�ou com a chegada maci�a do capital estrangeiro no Brasil ao longo da d�cada de 90. “As multinacionais queriam excel�ncia t�cnica inquestion�vel, pre�o competitivo e agilidade”, diz. “Nem sempre os escrit�rios tradicionais podiam suprir isso.” A partir da�, as bancas de direito passaram a investir maci�amente em moderniza��o. O n�mero de advogados do Tozzini, Freire saltou, em poucos anos, de 30 para 320. “Tivemos de nos modernizar rapidamente”, diz Jos� Luis Freire, fundador da banca com Sylas Tozzini. S� em inform�tica os investimentos alcan�am US$ 1 milh�o. Para cuidar da administra��o, tamb�m contrataram um executivo no mercado. O escolhido foi Ricardo Ariani, advogado de forma��o mas especializado em recursos humanos e gest�o de empresas. “Embora nossa origem seja familiar, temos de manter uma estrutura profissional”, diz Ariani.

Especializa��o. “Os escrit�rios nasceram da associa��o de advogados que continuam na ativa e, por isso, mant�m uma estrutura familiar”, afirma Anna Luiza. “Mas a tend�ncia � a profissionaliza��o.” Com 1.500 clientes e um ex�rcito de 350 advogados, o Demarest & Almeida implantou um plano de carreira e criou um conselho com oito membros, eleitos pelos 33 s�cios da banca. Aos 65 anos, o profissional � aposentado compulsoriamente, embora continue a ter sala e secret�ria na sede da banca. “Ele contribui com sua experi�ncia, mas, ao mesmo tempo, abre espa�o para os jovens”, diz Rog�rio Lessa, s�cio do escrit�rio.

  Zeca Caldeira
  Rog�rio Lessa: Novas �reas de atua��o como a direito esportivo

Com o refluxo nas privatiza��es e investimentos estrangeiros, as bancas buscam novos campos de atua��o. A Demarest & Almeida acaba de contratar �lvaro Melo, especialista em direito esportivo. Tamb�m acertou a incorpora��o do escrit�rio de Luiz Campos Mello, com atua��o em transa��es imobili�rias. A especializa��o � um caminho j� trilhado por outros escrit�rios. O Andrade & Fichtner, por
exemplo, se classifica como uma “boutique na �rea de contencioso comercial”. “Prestamos dois favores aos clientes: fazer o que sabemos e n�o fazer o que n�o sabemos”, diz Jos� Antonio Fichtner, s�cio e filho de um dos fundadores. Ele e sua equipe est�o envolvidos em brigas de cachorros grandes. Anos atr�s, a Garoto, fabricante de chocolates, sofreu uma den�ncia de pirataria de softwares por parte da Microsoft. “Os programas haviam sido instalados por um revendedor autorizado da Microsoft”, conta Fichtner. “S� que ela n�o quer reconhecer isso.” Os advogados, ent�o, decidiram pedir uma indeniza��o em valor igual � multa que a Garoto teria de pagar, US$ 500 mil. Em primeira inst�ncia, o juiz considerou a Garoto inocente, mas n�o aceitou a indeniza��o. “Estamos recorrendo”, diz Fichtner. “� necess�rio buscar o m�ximo para o cliente.” �s vezes, isso requer muito jogo de cintura. Botafoguense doente, Francisco M�ssnich foi o advogado do Flamengo nas negocia��es com a empresa de marketing esportivo ISL. “At� meu filho de 12 anos reclamou”, conta ele.

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