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Marcelo
Fontes: “Somos a UTI jur�dica, pois atendemos casos
terminais” |
Junto com
Fontes, trabalham 60 advogados. Casos famosos de quebradeira financeira,
como Mesbla, Arapu� e Banco Nacional, comp�em seu portf�lio. S�o situa��es
em que o advogado torna-se, em geral, o principal conselheiro do
empres�rio. O ex-banqueiro Marcos Magalh�es Pinto, por exemplo, consulta
seus advogados at� mesmo para promover festas em sua casa no Rio de
Janeiro. “Uma a��o judicial � como doen�a, na qual o cliente fica
fragilizado, pois o processo, por si s�, j� � uma pena”, diz Fontes.
A mar� a
favor dos advocados estourou a partir de meados da d�cada de 90. Os
processos de privatiza��o exigiram apoio legal at� ent�o desconhecido no
Brasil. Esse foi o principal empurr�o na expans�o do Barbosa, M�ssnich
& Arag�o. Desde ent�o, o n�mero de advogados saltou de 10 para os
atuais 100. Na privatiza��o do sistema Telebras, eles assessoraram o
Minist�rio das Comunica��es. Depois, as grandes operadoras, como Telemar e
Brasil Telecom, os contrataram para desenhar e montar a estrutura
societ�ria das companhias. “As pessoas brincam dizendo que n�s desfizemos
tudo para depois fazermos de novo”, afirma Paulo Arag�o, um dos s�cios.
Arag�o � o t�pico advogado desses novos tempos. Com passagens pelo GP
Investimentos e dom�nio de contabilidade, ele conhece de perto o mundo dos
neg�cios. Seu s�cio, Francisco M�ssnich, fez mestrado em mercado de
valores mobili�rios em Harvard. “O advogado � hoje um conselheiro do
empres�rio”, diz M�ssnich. “Ele tem de falar a mesma linguagem de seu
cliente.”
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Ariani,
tozzini e Freire: n�mero de advogados saltou de 30 para
320 |
Para
M�ssnich, essa exig�ncia come�ou com a chegada maci�a do capital
estrangeiro no Brasil ao longo da d�cada de 90. “As multinacionais queriam
excel�ncia t�cnica inquestion�vel, pre�o competitivo e agilidade”, diz.
“Nem sempre os escrit�rios tradicionais podiam suprir isso.” A partir da�,
as bancas de direito passaram a investir maci�amente em moderniza��o. O
n�mero de advogados do Tozzini, Freire saltou, em poucos anos, de 30 para
320. “Tivemos de nos modernizar rapidamente”, diz Jos� Luis Freire,
fundador da banca com Sylas Tozzini. S� em inform�tica os investimentos
alcan�am US$ 1 milh�o. Para cuidar da administra��o, tamb�m contrataram um
executivo no mercado. O escolhido foi Ricardo Ariani, advogado de forma��o
mas especializado em recursos humanos e gest�o de empresas. “Embora nossa
origem seja familiar, temos de manter uma estrutura profissional”, diz
Ariani.
Especializa��o. “Os escrit�rios nasceram da associa��o de
advogados que continuam na ativa e, por isso, mant�m uma estrutura
familiar”, afirma Anna Luiza. “Mas a tend�ncia � a profissionaliza��o.”
Com 1.500 clientes e um ex�rcito de 350 advogados, o Demarest &
Almeida implantou um plano de carreira e criou um conselho com oito
membros, eleitos pelos 33 s�cios da banca. Aos 65 anos, o profissional �
aposentado compulsoriamente, embora continue a ter sala e secret�ria na
sede da banca. “Ele contribui com sua experi�ncia, mas, ao mesmo tempo,
abre espa�o para os jovens”, diz Rog�rio Lessa, s�cio do
escrit�rio.
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Rog�rio
Lessa: Novas �reas de atua��o como a direito esportivo
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Com o refluxo
nas privatiza��es e investimentos estrangeiros, as bancas buscam novos
campos de atua��o. A Demarest & Almeida acaba de contratar �lvaro
Melo, especialista em direito esportivo. Tamb�m acertou a incorpora��o do
escrit�rio de Luiz Campos Mello, com atua��o em transa��es imobili�rias. A
especializa��o � um caminho j� trilhado por outros escrit�rios. O Andrade
& Fichtner, por exemplo, se classifica como uma “boutique na �rea
de contencioso comercial”. “Prestamos dois favores aos clientes: fazer o
que sabemos e n�o fazer o que n�o sabemos”, diz Jos� Antonio Fichtner,
s�cio e filho de um dos fundadores. Ele e sua equipe est�o envolvidos em
brigas de cachorros grandes. Anos atr�s, a Garoto, fabricante de
chocolates, sofreu uma den�ncia de pirataria de softwares por parte da
Microsoft. “Os programas haviam sido instalados por um revendedor
autorizado da Microsoft”, conta Fichtner. “S� que ela n�o quer reconhecer
isso.” Os advogados, ent�o, decidiram pedir uma indeniza��o em valor igual
� multa que a Garoto teria de pagar, US$ 500 mil. Em primeira inst�ncia, o
juiz considerou a Garoto inocente, mas n�o aceitou a indeniza��o. “Estamos
recorrendo”, diz Fichtner. “� necess�rio buscar o m�ximo para o cliente.”
�s vezes, isso requer muito jogo de cintura. Botafoguense doente,
Francisco M�ssnich foi o advogado do Flamengo nas negocia��es com a
empresa de marketing esportivo ISL. “At� meu filho de 12 anos reclamou”,
conta ele.;) |